Quadraturas de Neptuno
Hoje resolvi falar sobre algo um pouco específico. Resolvi fazê-lo porque é algo que está relacionado com algumas situações que tenho observado incessantemente ao longo dos anos, e em particular, nas últimas semanas, e acho que devo aproveitar a onda (passo a expressão).
Trata-se do efeito “nebulado” de Neptuno, quando em conflito (Quadratura) com outros pontos do nosso Horóscopo.
Como alguém em tempos me disse: “depois de um trânsito de Neptuno, bem podem vir os Plutões todos”. De facto, Neptuno é, provavelmente, o Planeta mais dificil de lidar porque desafia qualquer lógica ou razão.
Algumas pessoas já nasceram com Quadraturas de Neptuno e, sinceramente, penso que são essas que têm alguma “sorte” em relação aos outros. Dentro da “desgraça” (perdoem-me novamente a expressão), ao menos estes cresceram com o problema e, de uma certa forma, acabam por aprender a viver com ele. Quem não tem estes Aspectos de nascença, mas vai vivê-los sob um Trânsito, é mais complicado, pois apanha o indivíduo sem qualquer preparação.
Ok, talvez esteja a exagerar um pouco. Nem todas as Quadraturas de Neptuno são más (ou tão más), mas são perigosas quando não nos preparamos, e vou dar alguns exemplos.
- Neptuno em Quadratura a Vénus
Lembro-me de três casos que, recentemente, passaram por isto. Dois tinham Vénus em Touro, e o restante Vénus em Escorpião. Em todos eles, Neptuno em Aquário criou a mesma situação, ou seja, paixões avassaladoras que levaram estes indivíduos a sofrer e, nalguns casos, chorar baba e ranho por alguém que conheceram durante este mesmo Trânsito.
Caso 1: Mulher casada conhece homem fantástico. Separa-se para ficar com esse outro homem, apenas para ser vítima de violência física e psicológica, descobrindo assim que ele, afinal, não era tão maravilhoso. Tenta voltar para o marido, mas este já não a queria. No entanto, dava sinais confusos de ainda ter algum interesse. Nestas “marés” de ir e vir, ter interesse e já não ter, o Trânsito passou e a mulher seguiu a sua vida.
Caso 2: Homem em união de facto há cerca de 4 anos apaixona-se por uma mulher que, para todos os efeitos, parecia um anjo. Separa-se da companheira para iniciar uma nova relação com a “anja”. Durante a curta relação, é avisado pelo seu círculo social que seria melhor ir com calma, mas preferiu ignorar os avisos. Descobre, ao fim de poucos meses, que o ser “celestial” tem por hábito mudar de homem como quem muda de camisa e, no espaço de um ano, já tinha andado com pelo menos 3 homens diferentes (confirmados, fora os desconhecidos). Quase um ano depois, já com o Trânsito em movimento Separativo, recuperou do choque e encontrou uma terceira pessoa que, até ver, parece estar a correr bem.
Caso 3: Mulher com namorado há mais de 2 anos, conhece um colega de trabalho muito sedutor. Não resiste, e cede aos encantos desse colega. Repleta de sentimentos de culpa, acaba mesmo por se separar do namorado oficial mas, aí, o colega começa também a se mostrar instável. Passa vários meses a oscilar sobre para que lado se virar, se deve voltar para o ex, ou tentar entender a maneira de ser do colega. Apesar de ter a iniciativa de pedir conselho a, literalmente, todas as pessoas que confiava, nenhum dos conselhos parecia fazer sentido na sua cabeça. Pelas últimas informações que tenho, ainda não se resolveu completamente.
- Neptuno em Quadratura a Saturno
Só vou relatar um caso aqui porque acho-o suficiententemente exemplificativo.
Homem com Saturno em Touro, casado, com uma criança recém-nascida, perde o emprego. A mulher já há algum tempo decidiu abandonar o emprego dela por razões de stress. A casa onde vivem está ainda a ser paga a prestações, por isso, arranjar uma fonte de rendimento é crucial.
Talvez a maior parte das pessoas (pelo menos as não afectadas por Neptuno, neste caso) diriam algo como “bem, então os dois pais têm que arranjar um emprego rápido e deixar a bebé ao cuidado dos avós” ou algo parecido. No entanto, para este homem, isso não é solução porque, e parafraseando “tudo o que for menos de “x” euros por mês não me permite ter o nível de vida que eu quero para mim e para a minha familia”.
A mulher ainda recebe algum por parte de um subsídio, o que cobre metade desse valor mas o homem, que trabalhava por conta própria, não tem os mesmos benefícios e, em tempo de crise, arranjar um emprego que pague o que deseja não é propriamente fácil.
A solução aqui parece óbvia. Reduzir os custos (leia-se “luxos”) ao máximo e arranjar um emprego que pague, nem que seja, o ordenado mínimo pois, certamente, seria melhor que nada – até surgirem novas oportunidades, e um timing melhor. Porém, para este homem, ou é para manter uma boa vida, ou nada.
Aliás, muito “neptunianamente”, o “nada” aqui nem entra na equação porque este homem é apologista dos princípios do pensamento positivo, e acredita piamente que se ele programar a mente para ser um vencedor, então tudo o que fizer vai dar certo, citando algumas celebridades que, apesar das dificuldades, arriscaram e foram um sucesso nos seus projectos.
Quando confrontado com o facto de que só se escrevem biografias daqueles que foram bem sucedidos (e têm histórias emocionantes para contar) e não dos milhões que também arriscaram e falharam, a resposta é que isso é o pensamento de um perdedor, e que essas pessoas só falham porque não acreditavam verdadeiramente nelas próprias.
Resultado, endividou-se ainda mais para poder ter alguns milhares de euros com que abrir um negócio inovador, nunca visto em Portugal. Penso que mais não é preciso dizer.
Sinceramente, para seu bem, e da criança, espero que seja bem sucedido, mas eu cá tenho demasiados anos de Astrologia em cima para ignorar que os Trânsitos deste senhor até 2010 (pelo menos, não vi para além disso) não são os que eu gostaria de ter para mim.
No fim, qual a conclusão destes exemplos todos?
Para mim, a conclusão é que é inútil tentar racionalizar com alguém que esteja sob um Aspecto destes. Simplesmente, eles não ouvem. Não ouvem, não vêem, não têm qualquer percepção da realidade, e qualquer pessoa que tente mostrar-lhes isso será visto como um obstáculo ou, simplesmente, ignorado (dependendo da natureza do indíviduo, se for agressivo ou passivo, respectivamente).
É doloroso, por vezes, para quem está de fora e vê com maior clareza a situação – em especial família e amigos. A tentação é ir lá e ajudar, mas não adianta. A melhor ajuda que podemos dar a estas pessoas – se estiver ao nosso alcance – é preparar um colchão perto da “zona” onde sabemos que eles vão cair.
Penso que esta imagem de Ícaro diz o resto.
(Clicar na imagem para aumentar)
Claro que este texto não estaria completo se eu ficasse somente pelos exemplos dos perigos das Quadraturas de Neptuno. É preciso entender o seu propósito, e não temê-las.
É complicado descrever Neptuno, e os seus propósitos, por palavras. Como disse no princípio, é o Planeta por excelência a desafiar qualquer lógica ou racionalidade. No entanto, eis a minha tentativa.
Neptuno quer que se abram os braços e se largue tudo o que temos. Quer que vejamos a vida como um rio, e que aceitemos o fluxo natural das coisas, sem tentar controlar ou impôr a nossa vontade. Tudo está como deve ser, mesmo que a sua “lógica” ou “sentido” escape à mente humana.
Como tal, se perdemos o emprego, é porque não estavamos lá a fazer nada. Se perdemos a parceira amorosa, é porque essa pessoa já não era o espelho que precisamos para continuar a nos auto-descobrir. Se perdemos a nossa antiga forma de viver, é porque temos algo a ganhar com uma nova forma de viver.
Acima de tudo, Neptuno tráz uma lição de humildade. As “perdas”, na verdade, são apenas coisas que, realmente, não precisávamos mais. Apenas nos agarrámos a elas por conforto e hábito.
Pegando em dois dos exemplos acima referidos, um bem lidado, e o outro não:
- notem o Caso 2 de “Neptuno em Quadratura a Vénus” eliminou uma relação de longa data que, de facto, já não fazia sentido para nenhum dos dois, e o lucro veio na forma de uma terceira mulher, quando o Trânsito terminou e a pessoa mostrou-se aberta às dádivas da vida.
- no caso de “Neptuno em Quadratura a Saturno” temos alguém que, claramente, tem que aprender a viver com menos do que julga merecer, contudo, sendo uma pessoa que carece de humildade, a tendência é para lutar.
Não há maldade em Neptuno. Não é preciso temê-lo, mas sim entendê-lo, e respeitá-lo. O resto encaixa naturalmente, sem que tenhamos que nos esforçar muito.
Até à próxima.
Plutão em Capricórnio
Não podia faltar, não é? Com a entrada definitiva de Plutão no Signo de Capricórnio, surgiram logo perguntas acerca de porque não tinha abordado esse tema mais cedo, dada a sua pertinência.
A minha resposta, basicamente, é que não tendo a seguir modas e, como vão concluir no final deste texto, também não dou o mesmo relevo ao evento de entrada num Signo que muitos parecem dar (embora tenha bastante importância, claro, não estou a dizer o contrário). De qualquer forma, é algo que só volta a acontecer na madrugada de 20 de Dezembro de 2254, e tenho algumas suspeitas sobre se vou estar cá nessa altura para falar disso, por isso, vamos lá fazer uma homenagem ao evento.
Comecemos com um pequeno exemplo do que anda a ser escrito por aí sobre este assunto:
No dia 28 de Novembro, ou seja, um dia a seguir a Plutão ter entrado em Capricórnio definitivamente, houve a “Sexta-feira Negra” nos EUA. É um dia especial, que ocorre todos os anos a seguir ao “Dia de Acção de Graças”, e marca o começo da época natalícia. Neste dia, as lojas abrem com um grande desconto geral em vários produtos (às vezes, todos). Devido a esta tradição, é comum as pessoas fazerem filas enormes às portas dos estabelecimentos comerciais porque há quem espere o ano inteiro por este dia para conseguir o melhor negócio e, por isso, a mercadoria tende a desaparecer rápido, o que significa que quem entra primeiro tem maiores oportunidades de conseguir agarrar algo que realmente queira. Os ferimentos são comuns, visto que nalguns sítios as pessoas atropelam-se para entrar primeiro, mas este ano, em particular, houve uma morte.
Será que os Planetas são culpados? De acordo com a americana Elsa, é possível que seja Plutão em Capricórnio, que está a mostrar-nos o lado negro dos grandes negócios. Ou talvez seja uma prova de que a sociedade está em decadência ao ponto de nos pisarmos uns aos outros para conseguir um objecto por pura ganância.
É claro que isto é só um caso isolado, entre MILHÕES de lojas, nos EUA inteiros, mas borrifem lá nisso… o que importa é que foi notícia e, se dermos bem a volta à coisa, lá conseguimos encaixar onde quisermos.
(Clicar AQUI para ver texto original, na íntegra)
Embora a lógica social da senhora não esteja mal colocada, a associação a Plutão em Capricórnio é que parece-me completamente descabida. Situações destas acontecem com bastante frequência, e Plutão não esteve em Capricórnio em nenhuma dessas alturas. Por fantástica ironia, um dos últimos comentários à mensagem acima vem de alguém que diz viver na Índia, e afirma que isso acontece muitas vezes.
A Crise Financeira? Yup, também dizem que é por culpa de Plutão em Capricórnio. Carreiras em queda? Também. Organizações falidas? Idem. Há muitos mais exemplos, mas não vale a pena pejar este texto com coisas que podem ser facilmente descobertas com a simples ajuda de um bom motor de busca.
Aparentemente, Plutão tornou-se o “culpado” de praticamente tudo o que acontece. Peguemos no exemplo da crise do petróleo (seguindo a lógica de Capricórnio ser um Signo de Terra e tanto o Planeta como o Signo estarem associados ao conceito de Poder), como se a crise do petróleo não fizesse parte da crise energética que já vem de trás, mas a isto há quem insista com o argumento:
- A transformação é mais radical agora que ele entrou em Capricórnio.
“Capricórnio” e “radical”? Não andamos a confundir as coisas? Parece um típico caso de “se as coisas não encaixam à primeira, vai-se buscar o martelo”. Já não é Júpiter que dispõe deste Plutão (já deixou de o ser quando Júpiter entrou em Capricórnio), mas sim Saturno. Tónica bem diferente, meus amigos, e que não tem nada de radical nem grandioso, mas sim de metódico e cauteloso. Aliás, notem como o nascimento deste ciclo ocorre com Saturno em Virgem, Trígono a Júpiter em Capricórnio.
Há outros Aspectos, sem dúvida, mas a chave acaba por ser a mencionada acima. Mercúrio é Dispositor de Saturno? Claro que sim, mas está em Sagitário, o que nos traz de volta a Júpiter em Capricórnio. Úrano está Oposto em Peixes? Claro que está, mas é Disposto por Júpiter, o que nos traz de volta a Capricórnio. Neptuno, como segundo Dispositor de Úrano, torna-se marcante apenas por estar em Recepção Mútua, mas esta é uma influência cuja interpretação levar-nos-ia muito longe, e fora do contexto a que me quero cingir.
De qualquer forma, para muitos, é como se Plutão fosse o tio-avô malvado que a familia sempre disse mal, e vem agora passar o Natal com todos e, assim que passa a porta de entrada, qualquer coisa de mal que aconteça é por culpa da presença daquele senhor. A isso eu digo “Jesus, Maria, e José! Tirem a cabeça da sarjeta!!” O coitado do Plutão ainda agora entrou, não teve sequer oportunidade para fazer praticamente nada, e já está a levar por tabela de todos os lados.
No fundo, as associações que são feitas a Plutão lembram imenso as associações que se faziam (e, às vezes, ainda se fazem) a Saturno, o “Grande Maléfico” da Astrologia Tradicional Clássica. No fundo, quanto menos se conhece de um Planeta, mais se dizem baboseiras sobre ele. Há, também, quem afirme que isto é típico de uma sociedade que ainda não domina o nível de consciência de Plutão.
Vamos colocar isto de outra forma. Dizem algumas teorias (e isto é mais “Filosofia Astrológica”, atenção) que, durante milénios, o ser humano só tinha conhecimento dos primeiros sete Planetas porque não tinha um nível de consciência que o permitisse ir mais longe. Saturno, sendo o último destes sete, era o menos compreendido, logo, o mais temido.
Quando os restantes Planetas foram descobertos e, consequentemente, incluídos no estudo astrológico, isso deveu-se ao facto da humanidade, como um todo, estar preparada para entender e viver os princípios desses Planetas – como se, simbolicamente, a expansão do Sistema Solar e Universo conhecido fosse análoga ao potencial de consciência da humanidade. Ora, neste momento, Plutão ainda é o último dos Planetas utilizados astrologicamente, sendo também o menos compreendido, logo, o mais temido.
Existem outros Planetas para lá da órbita de Plutão que alguns astrólogos já tentam usar mas, até à data, não há informação coerente sobre eles, só teorias, por isso, podemos concluir que a humanidade ainda tem muito trilho para caminhar, até entender e, mais tarde, integrar as propostas desses objectos Transneptunianos
Claro que o potencial da humanidade não corresponde, necessariamente, ao potencial individual. Por exemplo, existem muitas pessoas hoje em dia que ainda se debatem com o seu Saturno, ou mesmo Júpiter. Estas pessoas nunca estariam em condições de compreender o impacto de Úrano, quanto mais o de Neptuno ou Plutão. Daí haverem astrólogos que insistem em usar exclusivamente a Astrologia Tradicional Clássica e recusam, terminantemente, a recorrer às descobertas modernas. Pura e simplesmente, não as entendem, logo, não as conseguem usar (mas, ao menos, são coerentes dentro dos seus limites, e que prova a integração de Saturno).
Mesmo a nível das massas – e, aqui, não estou a falar de astrólogos, mas das pessoas em geral mesmo – é geralmente aceite que a sociedade está a aprender a lidar com o nível de Úrano. Note-se o radicalismo, a sede pela individualidade, as explosões tecnológicas e científicas, etc. Neste mundo, existem alguns que já dominam isso, e estarão a tentar olhar mais além, ao nível de Neptuno, o que significa que, se esta filosofia (ou teoria, se preferirem) estiver correcta, só depois disso é que estaríamos preparados para entender Plutão em toda a sua glória, mas duvido muito que haja alguém a esse nível, presentemente.
Só uma nota final sobre este assunto. Não confundam “nível de Neptuno” com os maluquinhos religiosos que falam muito de Amor Universal, e valores de Nova Era, mas quebram metade daquilo que pregam à primeira distração. Isso são pessoas que, na melhor das hipóteses, estão a lidar com o Júpiter, e agem como se tivessem “saltado” por cima do Saturno e Úrano, directamente para Neptuno.
Tendem a ser pessoas que pretendem convencer os seus fiéis ouvintes (ou leitores) que a vida deve ser assim ou assado, e que temos todos este ou aquele objectivo. Usam frequentemente a palavra “amor” e outras coisas simpáticas do género que são bastante apelativas mas, ao fim do dia, quem está a nível de Saturno sente que há falta de seriedade nessa abordagem, e quem está a nível de Úrano sente logo que essa abordagem é uma negação do projecto individual de vida que cada ser humano quer e precisa viver. Neptuno está ainda mais além disso, e conto pelos dedos das mãos o número de pessoas que conheci ao longo da vida que parecem entender isso.
- Nesse caso, o que podemos esperar de Plutão em Capricórnio, realisticamente?
Se Neptuno está além da compreensão das massas, o que dizer então de Plutão? Vou-me resumir a uma visão meramente racional, mas sei que não vou estar a fazer-lhe justiça.
Prevê-se um progressivo demolir de velhas estruturas, tanto físicas como psicológicas, sociais e morais, para que fique “campo aberto” ao surgimento de substitutos modernos e não-tradicionais. Naturalmente, esse será mais o processo de Plutão em Aquário, mas o limpar do terreno e construção dos alicerces básicos deverá ocorrer agora, de forma organizada e metódica, como a combinação Virgem/Capricórnio exige.
Sim, Plutão entrou num novo Signo e é algo que só acontece uma vez na vida, sem dúvida, mas o acto de entrada não é assim tão marcante como alguns tentam fazer parecer. O facto de um Planeta ser “lento” implica isso mesmo, lentidão. As coisas vão acontecer ao longo dos próximos anos, em progressão. Os cataclismos que alguns prevêem não vêm de Plutão em Capricórnio sozinho, há, certamente, uma combinação astrológica completa que desperta os eventos que iremos presenciar no futuro próximo.
É claro que, quem tem Planetas nos primeiros ou últimos graus de um Signo (em especial, primeiros graus dos Signos Cardinais), vai sentir mais os efeitos desta passagem mas, como disse, não é algo que ocorra de um dia para o outro. Podemos dizer que há um certo “requinte de malvadez” na forma como um Plutão lento vai moendo as coisas até ficarem pó. Quando digo “quem” também posso dizer “quê”, porque as nações têm o seu próprio Horóscopo, os mandatos de poder têm o seu próprio Horóscopo, e por aí fora.
Para terminar, deixo uma provocaçãozinha: se sentirem frio ao longo dos próximos tempos, podem crer, é por causa de Plutão em Capricórnio. A sério, é a forma que o Planeta feito de gelo tem de vos dizer que entrou no Signo mais frio do Zodíaco. O facto de estarmos quase a entrar no inverno não tem absolutamente nada a ver.
Até à próxima.
A Vida num Oito
Uma das vantagens de um blog é que, à medida que surgem certas situações no dia-a-dia, surge também a oportunidade de falar sobre elas.
Não ligo muito aos Jogos Olímpicos… ok, não ligo nada aos Jogos Olímpicos. Aliás, a minha previsão para as próximas semanas é não conseguir ligar a televisão por muito tempo devido à cobertura exagerada do evento, como é apanágio da televisão portuguesa quando acontece algo do género.
No entanto, não conseguindo fugir ao assunto quando via as notícias ao longo da semana, achei curioso a escolha da data para começo do evento, ou seja, 8 do 8 de dois mil e 8, às 8 e 8 da noite. Podíamos discutir que as “8 da noite” são na verdade “20″, e que “2008″ só acaba num “8″, mas adiante.
Mesmo no lado ocidental do planeta, a data de 8 de Agosto de 2008 tem a sua importância, por exemplo, algumas religiões marcam esta data como a abertura do portão de Orion. Não vou entrar em pormenores porque, sinceramente, não domino o assunto, mas indaguei-me se seria possivel ver na posição astrológica dos astros algo que combinasse com a visão numerológica dos chineses (e não só).
Em Astrologia, é incomum que uma configuração astrológica encaixe com um evento específico, quer ele seja maravilhoso ou trágico. O que acontece, não só devido ao livre-arbítrio de cada indivíduo, mas também por causa das áreas de efeito de cada Aspecto (orbes), é que surge aquilo que eu chamo de “janela de oportunidade” para que certos eventos possam, finalmente, ocorrer com poucos ou nenhuns obstáculos – são estas “janelas” que as pessoas procuram quando consultam um astrólogo para saber qual o melhor momento para oficializar uma relação, comprar uma casa, mudar de emprego, abrir um negócio, inaugurar um projecto, etc. Nenhum astrólogo irá dar um dia específico, mas irá concerteza apresentar uma ou mais “janelas de oportunidade” para o tipo de evento pretendido.
Por exemplo, à escala mundial, a entrada de Urano em Aquário previa, entre outras coisas, grandes avanços tecnológicos, a massificação e banalização dessas mesmas tecnologias, a explosão da Astrologia, a globalização, etc. De facto, Urano entrou em Aquário em meados de 1995, ficou Retrógrado, e reentrou em Aquário definitivamente em Janeiro de 1996. Nestas datas específicas, não aconteceu muito que, na altura, pudéssemos caracterizar como evento astrológico marcante, mas passados mais de dez anos desde essa data. olhamos para trás, e observamos o seguinte:
- Os computadores deixaram de ser um objecto para empresas, ou familias ricas. Desde o estudante pré-adolescente, ao avô reformado, o computador começou nessa altura a ser tão comum dentro de um lar como um televisor ou frigorífico.
- A internet, que tinha um estatuto semelhante ao do computador, passou a ser uma das principais fontes de informação e comunicação a nível mundial, com um aumento de utilizadores explosivo na ordem dos 100% por ano entre 1995 e 1997 – mesmo depois, a média manteve-se por volta dos 100 milhões de novos utilizadores por ano.
- O mesmo aconteceu com os telemóveis, que chegaram ao ponto de ser motivo de referência em séries televisivas do princípio dos anos 90, como “Baverly Hills 90210“, onde os ricos e “todos os outros” eram diferenciados por quem tinha telemóvel (ou arma de arremesso, como chamamos hoje àqueles modelos) e quem não tinha.
- E, claro, o ressurgir da Astrologia, com novas escolas e professores a surgirem um pouco por todo o mundo, quais cogumelos, e a disseminação de software astrológico que colocou a capacidade de fazer Mapas Astrológicos nas mãos de, praticamente, qualquer um.
A “janela” torna-se mais ampla quando consideramos que Neptuno também entrou no Signo de Aquário em 1998, mas o argumento a reter aqui é que dificilmente podemos prever um evento, ou série de eventos, que tenha repercussão global, apontando exclusivamente a um dia específico.
Mesmo assim, resolvi lançar três Mapas Astrológicos, todos para 8 de Agosto de 2008, ás 20:08 da hora local, só alterando o local. O primeiro em Pequim, na China (visto que foram eles que motivaram este texto), o segundo para El Paso, no Texas (simplesmente porque fica no centro dos EUA, e tem uma diferença horária de 7 horas em relação ao meridiano de Greenwich, tal como Pequim, mas no sentido oposto), e Lisboa (porque afinal este blog é português, assim como a maioria dos meus visitantes e, como se costuma dizer, “Portugal é Lisboa, o resto é paisagem”).
Brincadeiras à parte, relembro que o evento astrológico de maior peso a acontecer nos últimos tempos foi a primeira entrada de Plutão em Capricórnio, por isso, é um bom ponto de partida para colocarmos estes Mapas em contexto. Este Plutão, no fim da Retrogradação por Sagitário, já está em Quadratura a Urano em Peixes e, neste período, completa uma Dupla Quadratura (T-Square) com o seu co-regente, Marte, em Virgem. Júpiter, por sua vez, está em Capricórnio e também está a terminar a sua Retrogradação (aliás, termina um dia antes de Plutão, a 9 e 10 de Setembro, respectivamente), e está em Trígono com o seu Dispositor, Saturno – também este em Virgem, tal como Marte acima referido.
Estas são as configurações mais marcantes mas, traduzidas para português, referem-se mais a um período de “arrumar a casa” do que propriamente começar algo de novo. Dito isto, começa a fazer sentido o facto de Neptuno (em Aquário) estar sozinho a opôr-se ao Sol e Mercúrio (ambos em Leão), afinal, há muita fantasia, imaginação, e espectáculo, à volta desta data, e a afectar grandes massas, mas nada de realmente concreto ou “real”, mas também pode significar simplesmente que os efeitos deste período são difíceis de definir e/ou sequer identificar.
Na pior das hipóteses, devido ao número de Aspectos tensos, poderíamos falar do “despertar” de um conflito que já estava adormecido há algum tempo, mas não sejamos alarmistas. Como de costume, só daqui a uns anos é que este período poderá ser visto com clareza.
Até à próxima.
