Astrologia

Ciência e Educação

Consciência Planetária

O texto desta semana é um pouco diferente. Ao contrário de uma abordagem científica, decidi abraçar a presente Conjunção entre Sol e Marte em Sagitário e fazer algo bem mais teórico e virado para a veia filosófica. Faço-o agora por dois motivos.

Primeiro, porque gosto que haja uma sequência entre os textos, um ponto de união, e a semana passada fiz referência a uma das muitas teorias que existem sobre Filosofia Astrológica – os Planetas conhecidos como imagem simbólica de expansão da consciência humana.

Segundo, porque Mercúrio, finalmente, saiu de Sagitário (o seu Signo de Detrimento), por isso, são menos prováveis as confusões que este texto possa causar.

Mesmo assim, hesitei um bom bocado antes de começar a escrever este texto porque é muito fácil ofender e elogiar pessoas com esta visão filosófica, e potencialmente elitista, das coisas. Quem se reconhece nos níveis mais “baixos” poderá sentir-se insultado, e quem se reconhece nos níveis mais “elevados” poderá sentir o ego inchar. É a natureza humana.

Por outro lado, também é verdade que existe uma diferença teórica entre alguém que é licenciado e alguém que só tem a 4ª classe. Será isso elitismo, ou uma realidade que é dificil de engolir por aqueles que não fazem parte da pretensa elite? O nível de instrução não é uma representação real da inteligência, educação, ou cultura de um indivíduo, mas é uma demonstração visivel e palpável de como esse indivíduo utilizou as três virtudes referidas.

Visto desta forma, o conceito teórico de expansão da consciência não é mais que uma lista de objectivos possíveis, que visam abrir portas na forma como abordamos a vida, da mesma forma que o nível de instrução visa abrir-nos portas para vivermos a vida que sonhamos viver, ou o mais perto disso possível.

Por causa disso, recomendo que digiram o texto desta semana “com uma pitada de sal”. Se necessário, levem-no na brincadeira, afinal, já há algum tempo que eu não escrevia um texto “light” e estamos tão próximos de uma época festiva, que mais vale ver as coisas na desportiva – como se isto fosse um artigo escrito para uma revista cor-de-rosa! Ok… acho que acabei de auto-insultar-me. Adiante.

Feito o disclaimer, passemos ao texto propriamente dito.

Por uma questão de simplicidade, vou reduzir os “tipos” de pessoa em três grupos:
- Praticantes de Astrologia (aqueles que dão consultas a terceiros)
- Interessados em Astrologia (aqueles que buscam o aconselhamento de um praticante)
- Críticos da Astrologia (aqueles que questionam o trabalho dos Praticantes, e a motivação ou conhecimento dos Interessados)

Como este é um blog temático, dedicado à Astrologia, parece-me que esses três grupos sintetizam o essencial, embora seja verdade que poderíamos associar os níveis de Consciência Planetária a qualquer distinção humana.

Utilizando o sistema de esferas tradicional, comecemos pela…

- Terra

A nível Terrestre, também conhecido por “Sub-Lunar”, podemos dizer que não existem PAs nem IAs. Pura e simplesmente, o conceito de Astrologia não tem importância. Estamos a falar de um grupo de pessoas cujos interesses e preocupações estão relacionados com o dia-a-dia. Comer, trabalhar, dormir, repetir. Às vezes, procriar, quando há tempo para isso.

A este nível o ser humano tem uma visão naturalmente simples do futuro. O conceito de “esta é a única vida que tenho” tende a fazer as pessoas deste nível pensarem que, no fundo, estamos todos só à espera da morte, e o que muda é apenas a forma como se chega a ela.

CAs podem surgir já a este nível, mas não aprofundam muito o assunto. Seja religião, superstição, arte, ou o que for que lhe chamem… não é nada que lhes faça falta no seu dia-a-dia, e podem-lhe chamar Astrologia, Numerologia, ou Dança do Ventre, porque não há qualquer diferenciação (bem, talvez na última).

- Lua

A este nível também não encontramos PAs, mas começam a aparecer os primeiros IAs, e os CAs tornam-se mais abundantes.

Os IAs, norma geral, não ligam à Astrologia, a menos que estejam num estado de desespero. Mesmo aí, não olham para a Astrologia como algo que possa ser aprendido, mas sim como algo que algumas pessoas “dotadas” sabem fazer. Aliás, astrólogo, tarólogo, bruxo, médium, e tudo o mais continua a ser considerado como “farinha do mesmo saco”. O que importa, nessas situações de desespero, é encontrar alguém que agite a varinha e leve os problemas para longe, e convém falar dessas coisas em segredo – não vá o Diabo ouvir.

A este nível, as pessoas falam de Astrologia em termos de “acredito” ou “não acredito” e mesmo esta opinião pode variar, dependendo da situação que estão a viver ou a pessoa com quem estão a falar. Quando procuram por um astrólogo, tendem a dar maior atenção àqueles que dizem que fazem trabalhos à distância, trazem o ser amado de volta, curam impotência, e outros fenómenos similares.

Este nível de CAs é caracterizado pela influência do meio em que se vêem envolvidos, e no qual o importante é encaixar no que é considerado “normal” e não dar importância a coisas “esquisitas”.

- Mercúrio

Finalmente, os primeiros PAs surgem mas, a este nível, a Astrologia é vista como um meio para um fim pessoal – sendo esse fim, normalmente, comercial. São estes PAs que são procurados pelos IAs do nível Lunar, porque prometem tudo… por um preço. A auto-publicidade abusiva é imagem de marca destes PAs, desde a entrega de folhetos nas entradas do Metropolitano, passando pelos anúncios em jornais, até ao lixo publicitário (spam) que enviam para todos os emails, fóruns, e blogs a que têm acesso.

A maioria nem sequer está “disponível” para consultas pessoais porque fazer o trabalho à distância é conveniente para todos, tanto o IA que não tem que levantar o rabo de casa para ir a um consultório, algures, como para o PA que mantém a sua integridade física ao se verificar que o trabalho não surtiu qualquer efeito.

Esta impessoalidade tem outras expressões, como o surgimento dos primeiros (e mais básicos) espaços de internet que, na maioria dos casos, limitam-se a dar aos IAs toda a informação que precisam acerca dos seus serviços, assim como a morada de email, ou apartado para onde devem enviar os dados de nascimento, e o pagamento antecipado.

Os IAs deste nível tendem a ser mais racionais e, logo, mais cépticos que os IAs Lunares, mas são também mais curiosos e, embora não estejam à espera que um astrólogo lhes vá resolver a vida, podem ter a curiosidade de ir consultar a previsão do dia para o seu Signo Solar no jornal ou internet.

Os CAs a este nível tendem a ser os mais verbosos. Tudo tem que ter lógica racional, ou então “não faz sentido” e 98,78% das vezes é falso. Muito abertos à discussão, continuam a ver o assunto como algo em que se “acredita” ou não, e podem ter alguma dificuldade em aceitar o facto da mente humana ter limites e, logo, não ter resposta para tudo o que nos rodeia.

- Vénus

Ao nível Venusiano podemos associar todos aqueles que chamam a Astrologia de “arte” (convenhamos, não é muito melhor que chamar-lhe “crença”). Eu costumo dizer que “arte” implica criar algo do nada, ou transformar algo de uma coisa em outra.

Ora, a Astrologia só seria “arte” se o astrólogo estivesse a inventar o que diz (do nada), ou a manipular a situação presente (pessoa ou evento) em algo da sua autoria (a sua interpretação). Notem que, curiosamente, estes são dois dos argumentos levantados por muitos CAs, que afirmam que os PAs não fazem mais do que isso mesmo. Ou seja, quem chama à Astrologia de “arte” está a insultar, conscientemente ou não, todos os PAs.

Isto não significa, porém, que não haja alguma razão nessa crítica (como costumo dizer, quando há polémica, é comum ambos os lados terem alguma razão). Sim, porque os PAs Venusianos tendem a ser eles próprios a assumirem-se como artistas dentro do ramo.

Como estamos a falar de arte, é preciso puxar pela imaginação um pouco, mas alguns exemplos incluem aqueles PAs que tocam todos os instrumentos e são mestres de nenhum – deitam as cartas, lêem o hóroscopo, vêem a aura e, se pedirmos com jeitinho, talvez façam o pequeno-almoço na manhã seguinte.

É aqui também que surgem os mais comuns (actualmente) espaços de internet dedicados à partilha de informação astrológica, ou portais de Astrologia com hiperligações para tudo o que é lado. Embora a ideia de criar espaços na internet tenha origem no nível Mercuriano, a verdade é que, em Mercúrio, o principal objectivo é a auto-publicidade, enquanto que a nível Venusiano há uma necessidade de retorno, de partilha, e de transmitir e receber informação, embora mais em quantidade do que em qualidade. No fim, acabamos com uma espécie de “Astrocartotarrunabuzologia” que, para mim, parece mais o nome de uma Quimera.

Os IAs deste nível gostam de brincar com o assunto. Gostam de saber o seu Signo Solar e o dos outros, mas não levam muito a sério na maior parte das situações. Quando se apaixonam, por exemplo, podem ir mais longe e procurar saber algo sobre compatibilidades, mas quase sempre ao nível dos doze Signos Solares, e raramente além disso.

Os CAs deste nível tendem a ser mais diplomatas que os Mercurianos, tendo mais facilidade em aceitar a Astrologia como uma forma de entretenimento, mas não mais do que isso.

- Sol

Conhecem PAs que apareçam frequentemente na televisão, rádio, e/ou que tenham um ritmo de publicação de livros que põe em causa a sobrevivência das florestas? Então é possível que estejam a pensar num PA Solar.

A fama e reconhecimento público são importantes a este nível. Previsões para o futuro são uma das ferramentas preferenciais porque, quando funcionam, são um cartão de visita óptimo para cativar o público.

Começam também a aparecer os primeiros professores presenciais de Astrologia a este nível, porque é sempre bom ser um exemplo, ou “mestre”, para os outros. Ainda melhor se esses fiéis alunos, mais tarde, seguirem o seu método. Sim, porque um PA Solar não pode, simplesmente, praticar a mesma Astrologia dos outros, ele terá, certamente, algum método ou idiossincrasia que o distingue das maiorias. Caso contrário, ele não estaria a fazer mais do que a “regurgitar” informação como no nível Venusiano.

Toda a lábia do nível de Mercúrio, e o sentido artístico do nível de Vénus, são aplicados aqui para dar verdadeiros shows de bola a quem os quiser ver ou ouvir! As consultas também podem ser particularmente dispendiosas porque ter uma consulta com uma celebridade tem o seu preço… ou então, o PA Solar está, simplesmente, demasiado ocupado para dar consultas pessoalmente, deixando o seu staff tratar disso.

IAs, a este nível, gostam da ideia de ver na Astrologia algo que os defina. Surge o interesse por saber “qual é o meu Ascendente”, ou mesmo a posição da Lua, e como é que essa combinação altera o seu Sol. Ainda assim, o interesse não costuma ser elevado o suficiente para os levar a estudar o assunto seriamente.

Quanto aos CAs deste nível, podemos dizer que a atitude pode atingir os niveis do ridiculo. Ao nível Mercuriano, temos aqueles que debatem e contradizem tudo mas adoram discutir o assunto, embora nunca o levem a sério. Ao nível Venusiano temos aqueles que preferem fazer uma separação diplomática do que a Astrologia pode ou deve ser, remetendo-a para uma simples forma de entretenimento. Aqui temos aqueles que começam a levar a “ameaça” da Astrologia a sério e começam a adoptar posições agressivas contra qualquer prática astrológica.

São (ou, pelo menos, consideram-se) autoridades em outras disciplinas e caiem na arrogância de pensar que a sua posição permite-lhes falar de Astrologia com o mesmo nível de autoridade que, supostamente, têm na sua própria área de especialização, como acontece a muitos astrónomos e psicólogos, mas não só.

- Marte

A este nível temos tanto de competitividade como de pioneirismo. Mais do que procurar fama e reconhecimento, o PA deste nível quer estar à frente, na vanguarda, da sua profissão. São estes que incluem Eris, Sedna, e os asteróides todos, e mais alguns, nos Horóscopos que fazem, na tentativa de descobrir o que eles representam astrologicamente. Infelizmente, não costumam ter paciência para organizar um sistema de estudo que dê resultados práticos, o que resulta em imensas teorias que, nos piores casos, vêm a público sem nada que o substancie. Há, também, uma tendência para se revoltarem contra os CAs ou aqueles que, de alguma forma, possam ser uma ameaça para a sua profissão.

Os IAs assumem, pela primeira vez, uma vontade genuína de aprender Astrologia e tendem a querer fazê-lo de forma auto-didacta ou, mais raramente, através de um curso de curta duração. Talvez a palavra “curso” não seja a melhor aqui, mas sim “workshops“, seminários, palestras, e eventos similares.

Os CAs que chegam a este nível, são verdadeiros militantes da sua causa. Já chegaram à conclusão, embora não se saiba bem como, que a Astrologia não pode ser considerada uma actividade séria, e estão determinados a anunciar ao mundo, se faz favor, que isto aqui, sim, isto aqui, é uma data de gatunos, uma data de ladrões, e uma data de chupistas.

No fundo, podemos dizer que os IA deste nível representam a forma Ariana de Marte, daí o seu impulso para o começo de um estudo mais sério, enquanto os CAs representam a forma Escorpionina de Marte. Os PAs podem ser dos dois tipos, pois este é o último nível pessoal, e serve de teste final antes de ascendermos a…

- Júpiter

Júpiter, como primeiro Planeta de um patamar acima dos níveis pessoais, marca o ponto em que o nível Terrestre (ou Sub-Lunar) deixa de ser relevante.

Não há mais CAs a este nível. Simplesmente, não é possível. Ao assumir-se um nível que vai para além do pessoal, o único cepticismo que sobra é aquele que podemos considerar de saudável. Contudo, esse cepticismo não se encontra a este nível ainda. É como se o nível de Júpiter se posicionasse num espaço intermédio onde não há qualquer tipo de questionamento, nem o racional (Mente Inferior), nem o sensato (Mente Superior).

Devido a isso, os PAs a este nível têm em comum o facto de serem pessoas com muitas certezas. “Nunca me engano, e raramente tenho dúvidas” poderia ser um óptimo adágio para este nível de consciência (ó senhor Presidente, perdoe aí qualquer coisinha).

A Astrologia assume aqui um papel, no mínimo, quase religioso. Aquilo que é ensinado é aceite, sem reservas. Os livros são lidos como bíblias, e o que lá vem escrito presume-se que “deve” ter sido testado e provado por “alguém” no passado, senão não tinha sido publicado – ou a questão pode nem sequer ser colocada, de todo.

As consultas tendem a ser dadas em tom autoritário, com afirmações claras sobre o que o cliente “deve” fazer na sua situação actual. Alguns conceitos de espiritualidade são referidos, com frequência, de forma similar ao que ouvimos por parte de um sacerdote de algumas religiões.

Tal como no nível Mercuriano, podem haver esquemas que visam levar as pessoas a fazer algo ou, neste caso, pensar de uma certa maneira, mas em vez de haver uma motivação material, aqui a motivação é mais moral. Ou seja, levar a pessoa no caminho “certo”, salvar aquela alma, ajudar aquele espírito, participar em rituais de grupo (normalmente orientados), etc. Nalguns casos, as intenções podem ser boas, os resultados é que nem por isso.

Os IAs a este nível tendem a confundir-se com os PAs, porque a Astrologia passa a ser mais “vivida” do que “praticada”, e a Filosofia Astrológica sobrepõem-se à técnica e interpretação.

- Saturno

A este nível encontramos PAs que, desiludidos com – ou desconfiados da utilidade da – prática filosófica, resolvem abordar a Astrologia a um nível mais rígido, sério, e técnico. Nalguns casos, trabalham apenas com a Astrologia Tradicional Clássica por isso mesmo, por ser uma Astrologia que tem o valor do tempo, da experiência de incontáveis grandes mentes do passado, e com resultados práticos ainda hoje visiveis. É uma Astrologia limitada, sem dúvida, especialmente quando comparada ao que se popularizou nos últimos dois séculos de estudo, mas representa a base de toda a Astrologia de qualidade no mundo moderno.

Aqui, as descobertas modernas podem ser incluidas, lentamente, depois de muitos testes e experiências, de preferência feitas por vários nomes de autoridade no ramo, na busca por soluções conclusivas, seguras, e não apenas teóricas.

Os IAs continuam a confundir-se com os PAs diferenciando-se, essencialmente, no facto dos primeiros não praticarem a nível profissional.

O conceito de crítica volta a aparecer aqui, desta vez na sua vertente saudável, não em entidades separadas, mas como elemento integrante da abordagem dos PAs, e IAs, que criticam abertamente, e com autoridade, toda a prática e crença astrológica falível ou não comprovada.

Há uma clara demarcação de limites, e pouca ou nenhuma intenção de se verem misturados com o “lixo” que está abaixo do seu nível já alcançado. Este distanciamento tem o lado positivo de fomentar uma metodologia organizada que torna a Astrologia muito mais fácil de ser estudada e compreendida, mas tem o lado negativo de tornar a sua acessibilidade para as massas mais limitada, visto que só um grupo selecto de indivíduos é que terá acesso a esse conhecimento estruturado.

Tal como Marte, a nível pessoal, Saturno é a último grande desafio antes da passagem a…

- Úrano

Teoricamente, este é o nível a que todos deviamos almejar, desde o século XVIII para cá. Como primeiro Planeta de um novo patamar, conclui-se que a Lua deixa de ter presença a este nível de consciência.

Tal como a categoria de CAs, desaparece ao nível de Marte, e torna-se parte integrante das outras, numa expressão mais subtil, também as categorias dos IA e PA deixam de fazer sentido. A este nível, cada indivíduo é único e não pertence a grupos ou categorias.

A forma de abordar a Astrologia passa a ser uma extensão do indivíduo, e não um mero conhecimento adquirido. As suas bases herdam a solidez de Saturno, mas aqui há um olhar mais longínquo, para uma via de experimentação e análise a vários níveis. Correm-se mais riscos, em nome do conhecimento e da verdade, evitando colocar barreiras ou limites, quer no espaço ou no tempo.

Há uma abertura natural no que toca à partilha de informação, mas não qualquer informação. É uma informação filtrada, estruturada, organizada, explicada e, no entanto, por estranho que pareça, com uma total abertura a ser expandida, acrescentada, e alimentada, por parte de qualquer um que escolha fazê-lo. É o indivíduo no grupo, e o grupo no indíviduo, numa simbiose exemplar.

A crítica construtiva e saudável é uma constante, e serve de combustível ao motor mental dos seus pares. É ciência no seu verdadeiro sentido da palavra, sem dogmas, ou masturbação de egos.

A este nível, já não há lugar para hábitos ou tradições. Os sentimentos e emoções são analisados, descritos, e lidados de uma forma que pode parecer “fria”, “radical” ou “cruel” aos olhos daqueles que ainda se debatem com os níveis mais baixos de consciência mas, na verdade, o que se passa é que o indivíduo alcançou um estado pleno de segurança em sí mesmo e, por consequência, não tem dependências em relação a factores externos, quer sejam pessoas, objectos, ou situações.

- Neptuno

Eu costumo dizer que Neptuno não é para se perceber, mas sim para se sentir, ou talvez fosse mais correcto dizer “percebe-se pelo sentir”, mas isso poderíamos dizer de tudo na vida. Escusado será dizer que isto é uma abordagem muito pouco científica mas, teoricamente, o nível de Neptuno anda mais ou menos por aí.

Continuando a falar em termos teóricos, podemos afirmar que todos os níveis mantêm os pontos positivos dos níveis anteriores, ou seja, aquilo que foi conquistado nesses níveis. Nesse caso, isso teria que significar a presença da individualidade e segurança de Úrano, a experiência e organização de Saturno, a abertura e expansividade de Júpiter, a força e o pioneirismo de Marte, a criatividade do Sol, a capacidade de relação/apresentação de Vénus, e a expressividade de Mercúrio. Agora, dito isto, como fazemos essa “salada” toda com os princípios que conhecemos de Neptuno?

Há quem proponha que, a este nível, a Astrologia já não é necessária, porque os indivíduos já sabem, intuitivamente, qual é o seu caminho pessoal, os seus timings certos, e qual a melhor forma de fluir no rio da vida. Isto faz algum sentido, se pensarmos que a Astrologia, no fundo, é uma ferramenta de orientação. Logo, é útil para quem anda desorientado e sente que precisa de algum auxílio, o que não acontece a quem tem uma “bússola” de série.

É também curioso verificarmos que os três grupos com que começámos, foram se diluindo uns nos outros, até desaparecerem na fase de Úrano. Se já não há grupos, então o indíviduo será “um” e “completo”. Mas podemos mesmo dizer que um ser de Consciência Neptuniana está completo? Se sim, onde vamos encaixar o…

- Plutão

Eu diria que aqui encontramos os verdadeiros “mestres”. Aqueles que têm, não só o conhecimento, mas também os meios para mudarem o mundo… mas não me quero alongar porque sei que não é fácil descrever este nível.

Fica o desafio para aqueles que quiserem arriscar uma teoria ou mais. Quanto a mim, vou descansar o teclado porque já sofreu muito.

Até à próxima.

Sábado, 13 Dezembro 2008 Publicado por Carlos | Astrologia, Teorias | , , , , , , , , , , | Sem comentários ainda

Geocentrismo vs Heliocentrismo

Para fazer contraste com a entrada mais light da semana passada, esta semana vou abordar um assunto que pode ser classificado de Astrologia “avançada” – tanto, que mesmo alguns profissionais de décadas ficam “às aranhas” com o assunto.

Quando se fala de um Horóscopo, o comum é pensar-se em termos deste ser Geocêntrico (com a Terra como ponto central do Mapa) ou Heliocêntrico (com o Sol como ponto central do Mapa). Do ponto de vista da comunidade científica actual e, portanto, do ponto de vista astronómico, a segunda opção é a única que considera-se minimamente lógica e viável, mas só para quem não percebe que as técnicas astrológicas seguem uma outra metodologia.

O ponto central de um Horoscopo é o seu ponto de origem – ou de nascimento, se preferirem – e, como alguém em tempos disse (lamento, mas não me ocorre o autor) “ainda ninguém nasceu no Sol”. Isto parece levar à conclusão que o método Geocêntrico, afinal, sempre esteve certo, e a visão astronómica de que o Sol é o centro do Sistema Solar não muda nada a nível astrológico (para variar). Contudo, alguns astrólogos usam mesmo o método Heliocêntrico, embora a maioria não o faça em exclusivo, o que confunde mais as coisas.

A razão do método Geocêntrico baseia-se, essencialmente, na experiência adquirida ao longo de milhares de anos, e não é por acaso que é o método mais usado pela maioria dos astrólogos em todo o mundo – quer tenham noção disso, quer não.

Por outro lado, quando aprofundamos as razões do método Heliocêntrico, encontramos algo interessante. De acordo com as teorias dos investigadores deste método, o ponto central do Horóscopo Geocêntrico diz respeito ao indivíduo a nível pessoal, psicológico, e emocional – daí usar a Terra como ponto central, visto que a Terra está associada ao Signo Caranguejo (mãe-Terra, berço da humanidade, etc).

Para entender esta definição, convém saber que, embora ainda não hajam bebés nascidos fora da Terra (numa estação espacial, por exemplo), dizem as actuais teorias que no dia que isso acontecer, a Terra substituirá a Lua, astrologicamente – o que faz sentido, visto que em Astrologia não são considerados nenhums dos satélites dos outros Planetas, já que estes partilham quase sempre do mesmo grau de localização no Zodíaco dos Planetas que orbitam.

Seguindo esta mesma linha de pensamento, o método Heliocêntrico, tendo o Sol como ponto central, passa a estar associado ao Signo Leão, dizendo respeito ao indivíduo a nível de imagem, reputação, presença, ego, e impacto social. É curioso comparar os dois Mapas, e ver o primeiro (Geocêntrico) como uma representação daquilo que somos na intimidade, e o segundo (Heliocêntrico) como uma representação daquilo que somos em público.

De notar que, no método Heliocêntrico, não há Retrogradações, nem Sistema de Casas – ou seja, não afecta-nos a nível do nosso “interior”, nem afecta áreas especificas da nossa vida. Porém, estas duas falhas são também alguns dos motivos pelos quais alguns astrólogos recusam usar o método Heliocêntrico, visto que é, claramente, mais “despido” de detalhe que o Geocêntrico.

Claro que, como sempre, é preciso fazer a pergunta base: funciona ou não? Esta é a grande questão. Pessoalmente, no que diz respeito a este tema, ainda não tenho elementos suficientes para afirmar algo com certeza – aliás, se tivesse, apresentava-os já aqui – mas o que tenho observado parece promissor.

Independentemente disto, há outra pergunta que parece-me pertinente:

- Se colocar a Terra e Sol como pontos centrais do Mapa produz abordagens viáveis de interpretação astrológica, não se pode fazer o mesmo com outros Planetas?

A lógica diz que “sim” mas, aparentemente, ainda ninguém se preocupou em fazer um Horóscopo “Hermecêntrico” (Mercúrio) ou “Cronocêntrico” (Saturno), e a falta de opções para o fazer no software informático disponível hoje em dia limita o número de astrólogos dispostos a testar estas teorias.

De qualquer das formas, o que é preciso ter em mente é que, até à data, o método Geocêntrico é o único que está testado e confirmado como “correcto”. Não há dúvidas que, um dia, se for possível um bebé nascer fora da Terra, então terá que haver um método de recentralização do Horóscopo mas, neste momento, só podemos teorizar sobre o assunto, visto que não há nenhum ser humano nascido nessas condições para comparar as teorias à prática.

Na melhor das hipóteses, poderíamos estudar o “nascimento” de um objecto no espaço, como a inauguração de uma estação espacial propriamente dita mas, mesmo isso, é muito mais limitativo, e temo que os resultados seriam pouco ou nada conclusivos.

Quanto ao método Heliocêntrico, ou hipotéticas centralizações noutros Planetas, é algo que deve ficar em aberto. Existem algumas teorias interessantes, mas falta muito trabalho de pesquisa e testes, ainda, para que alguém possa pronunciar-se com certezas.

Até à próxima.

Sábado, 23 Agosto 2008 Publicado por Carlos | Astrologia, Teorias | , , , , , , , , | 1 Comentário

Tropical vs Sideral

A propósito da mensagem anterior, parece-me apropriado abordar já a questão das diferenças consideráveis entre o Zodíaco Tropical e Zodíaco Sideral.

De uma forma geral, ambos os Zodíacos são iguais, no sentido que ambos dividem o céu em 12 secções, cada uma com 30º de extensão, e com os mesmos nomes, sendo Carneiro o primeiro Signo, e Peixes o último. Até aqui, tudo bem. A principal diferença é na localização do grau 0 de Carneiro, ou seja, onde começa e acaba o Zodíaco.

No Zodíaco Tropical (que é mais utilizado no mundo ocidental, e em especial no hemisfério norte do planeta), os Signos estão associados ao ciclo natural da Terra – com os Signos Cardinais a marcarem o começo dos equinócios e solstícios (Carneiro marca o começo da Primavera, Caranguejo o começo do Verão, Balança o começo do Outono, e Capricórnio o começo do Inverno).

No Zodíaco Sideral (que é mais utilizado no mundo oriental, e seguido com grande interesse no hemisfério sul do planeta), os Signos estão associados à posição astronómica das estrelas.

Dito desta forma, a primeira impressão é que o Sideral será “o correcto”, não só porque está mais de acordo com as definições astronómicas das estrelas, mas também porque é a única alternativa para aqueles que nasceram no hemisfério sul do planeta, onde as estações estão invertidas – o que faz com que o Zodíaco Tropical tenha os seus significados igualmente invertidos.

Quando aprofundamos mais o tema, porém, começamos a ver que o Zodíaco Sideral não é tão astronomicamente correcto como pode dar a entender porque, afinal, também divide o céu em 12 segmentos de extensão igual – e as constelações variam imenso de extensão, como pode ser visto na imagem seguinte:

Zodiacos

(Clicar na imagem para aumentar)

Podemos então concluir que nenhum dos Zodíacos astrológicos corresponde ás constelações, como definidas astronomicamente (embora tenham havido tentativas de fazer um sistema astrológico que corresponda “ao milimetro” com as constelações, mas essa é uma questão redundante para este texto, visto que herda os mesmos defeitos e virtudes do sideralismo tradicional).

Outro problema com o Zodíaco Sideral é que não há consenso sobre onde alinhá-lo exactamente. Uma das estrelas de referência mais populares é Spica, mas mesmo este ponto de referência é discutido, variando entre os últimos graus da constelação de Virgem e os primeiros graus de Balança. Só para dar um exemplo da gravidade desta situação, neste preciso momento, há imensos debates entre os sideralistas sobre se Plutão está no fim de Escorpião ou princípio de Sagitário.

Existem imensos livros, revistas, e até páginas na internet, que exploram a fundo os prós e contras dos dois Zodíacos, e que testes foram (ou não) feitos, para determinar a sua validade, por isso, não vou “reinventar a roda”, citando longos textos, ou dissecando os argumentos levantados em várias fontes a nível da sua lógica, credibilidade, e isenção. Ao fim do dia, a pergunta que interessa é “funciona?”

É aqui que o Zodíaco Sideral desfaz-se como um castelo de cartas. É verdade que as pessoas com planetas dispersos no Mapa podem sentir que ambos os Zodíacos correspondem a sí, basta puxar um bocadinho pela imaginação e distorcer algumas definições dos planetas nos signos em causa, mas é quando fazemos o teste com pessoas que têm Mapas pouco dispersos que as diferenças são nítidas.

Só para dar um exemplo, uma pessoa que conheço bem, e encaixa neste perfil, tem no Zodíaco Tropical: Sol e Mercúrio em Peixes, Vénus em Capricórnio, e Marte em Touro (só para referir planetas pessoais, porque também poderia referir que Júpiter e Neptuno – dispositores do Sol e Mercúrio – estão em Peixes e Capricórnio, respectivamente, e que o Ascendente está em Caranguejo). No Zodíaco Sideral, isto é o que acontece, com os mesmos dados de nascimento: Sol e Mercúrio em Aquário, Vénus em Sagitário, e Marte em Carneiro (e, caso interesse, Neptuno também cai para Sagitário, e o Ascendente para Gémeos). A diferença é brutal, e seria claramente visível, se fosse verdade.

O que não significa que alguns “astrólogos” sideralistas não tentem dar a volta à questão, mesmo que tenham que recorrer à desonestidade para isso.

Por exemplo, Kenneth Bowser é considerado como uma das maiores referências da Astrologia Sideral no mundo ocidental moderno, e apresenta o seu currículo como alguém que tem um bacharelato em História, e que tem estudado tanto Astrologia como História há mais de 30 anos, tendo começado como tropicalista mas passando a sideralista ao fim de dois anos, e tendo escrito inúmeros artigos para revistas da especialidade como “The Mountain Astrologer“, entre outras. Este senhor foi um dos astrólogos abordado em 1997, pela revista “Traditional Astrologer“, para falar do Zodíaco Sideral (a sua especialidade, afinal de contas), e eis um excerto do que ele diz no artigo:

Um bom exemplo é Escorpião, o signo que tem mais atenção porque é considerado o mais sexual. Do ponto de vista de um sideralista, Escorpião não é um amante, doce, atraente, o artista complexo e torturado, ou inclinado a esforçar-se pela resolução de um problema; em vez disso, Escorpião impõe soluções e não atura resistência. Não negoceia; é agressivo, insistente, penetrante e intenso, gosta de lutar e é muitas vezes sonoro, rude, vulgar e completamente bruto, não considerando outras influências. Escorpião não é como Balança, contudo 5 em cada 6 Escorpioninos tropicais são Librianos siderais na era actual.

Como os Librianos são genuinamente simpáticos e atraentes, não considerando outras influências, os tropicalistas astutos que reparam no que as características das pessoas na sua experiência realmente são, e que desviam-se da sabedoria antiga, trazem à atenção explicações profundamente esotéricas acerca de como o profundo significado oculto de Escorpião (escolham um) está de facto em sintonia com as suas observações contemporâneas. É assim que Virgem tropical torna-se forte e controlador, Carneiro gentil e sensivel, ou Capricórnio formal e ambicioso, etc. Eles são Leão, Peixes e Sagitário mal rotulados, cujo corrompimento eventualmente produz uma amálgama sem sentido para grande detrimento da Arte.

Sinceramente, gostava de saber onde é que este senhor leu ou ouviu alguém dizer que Carneiro é gentil e sensível, ou Virgem forte e controlador, mas sejamos justos… ele admite no currículo que só foi um “astrólogo” tropicalista por dois anos, portanto, podemos perdoar alguma ignorância. O mesmo já não se pode dizer se a ignorância demonstrada for, na verdade, uma tentativa propositada de enganar as pessoas.

No entanto, como costumo dizer, se algo cria polémica, é porque os dois lados têm razão. A mim parece-me claro que o Zodíaco Tropical é o “correcto” quando se fala da Astrologia no sentido social e humano, pois a sua precisão de análise psicológica é, de longe, superior e há muito comprovada.

Por contraste, o Zodíaco Sideral oarece que ainda está à procura de uma identidade. Já tentou substituir o Zodíaco Tropical, como referi acima, mas falhou (bem, não falhou totalmente porque ainda há quem acredite nele cegamente). O facto das definições astrológicas não coincidirem com as pessoas cujos Mapas Astrológicos Siderais tentam retratar, é suficientemente convincente mas, para mim, o prego final no caixão é o facto de nem sequer conseguirem identificar onde Plutão, ou qualquer outro planeta, transita no presente.

Felizmente, no tempo presente, alguns sideralistas (embora ainda sejam muito poucos) são menos dados a recorrer a estas manobras, e procuram trabalhar com os tropicalistas em busca de algo que os diferencie por mérito. Por exemplo, alguns afirmam que o verdadeiro valor do Zodíaco Sideral não está, de facto, na área de análise psicológica, mas sim na predição de eventos futuros – mas também isto está por provar, não só a nível do seu valor absoluto, como em relação ao Zodíaco Tropical.

Na minha opinião, devemos observar melhor o Zodíaco Sideral e procurar encontrar alguma validade nele – se é que há alguma, claro – mas não será hoje que vamos ter uma resposta definitiva à questão base:

- Qual o valor do Zodíaco Sideral?

Fica a pergunta.

Até à próxima.

Sábado, 2 Agosto 2008 Publicado por Carlos | Astrologia, Teorias | , , , , , , , , | 5 Comentários