Testes à Astrologia
Regra geral, é bem sabido que a grande maioria dos testes e experiências feitas à Astrologia têm demonstrado resultados bastante inconstantes ao longo dos tempos, facto esse que leva os mais “cépticos” a concluirem as mais variadas coisas, começando pela teoria da mera coincidência ou acaso, passando pela teoria que será a “intuição” do astrólogo que lhe dá alguns dos seus bons resultados em vez de alguma suposta validade científica do seu trabalho, e acabando na teoria que os bons resultados apresentados são forjados, de alguma forma, e como tal não têm relevância.
É também sabido, pelo menos por quem estuda Astrologia seriamente, que a grande maioria desses testes, ou experiências, têm uma abordagem que merece tudo menos ser chamada de “científica” ou sequer “rigorosa”, mas o problema aí está nas pessoas que organizam esses testes porque não estudam Astrologia e, como tal, não têm conhecimento sobre o que estão a testar, logo, sobre qual a metodologia correcta para o fazer. Mais do que isso, e como alguns cientistas e cépticos, felizmente, concordam, o problema desses testes e experiências é que se focam no astrólogo e não na Astrologia – ou seja, testam a capacidade de um indivíduo (ou vários) em vez da ciência propriamente dita.
Qualquer pessoa com um pouco de senso comum irá concordar que testar o conhecimento médico do “Dr. José da Silva” não é sinónimo da relevância da medicina em geral (ou falta dela).
Apesar disso, é curioso como sempre que alguém quer desacreditar a Astrologia, fazem-no com menção a esses mesmos testes e experiências, ignorando, convenientemente, aqueles em que os astrólogos testados até demonstraram resultados positivos.
Como exemplo, selecionei um video onde o psicólogo Michael Shermer resolveu desafiar um astrólogo que se especializa em Astrologia Védica, chamado Jeffrey Armstrong.
Eis os resultados:
É só um exemplo mas, retoricamente, pergunto se me sabem indicar alguém que seja contra a Astrologia e que faça referência a estes casos. Duvido que encontrem.
Eu poderia dizer que alguma da falta de exactidão demonstrada neste video deve-se, por exemplo, ao facto da Astrologia Védica não ter evoluido ao mesmo ritmo que a Astrologia Tradicional Moderna, mas como sabemos se o problema está no método (Astrologia Védica) ou no praticante?
Certamente que a Astrologia deve ser testada, e deve sê-lo por astrólogos, não por curiosos de outras especialidades científicas (e muito menos as não-científicas). No entanto, e como já fiz alusão diversas vezes por aqui, o problema está nos seguintes pontos:
1 – Falta de bons astrólogos
2 – Falta de conhecimento sobre metodologia científica por parte desses bons astrólogos
3 – Falta de recursos para fazer testes a uma escala cientificamente relevante
O terceiro ponto até já nem é o pior, visto que nas últimas duas décadas temos tido a ajuda dos computadores para reduzir o tempo de trabalho num projecto dessa envergadura, o que me leva a crer que estamos muito melhor posicionados para avançar com algo nos próximos anos. No entanto, faltam ainda os outros dois pontos, e encontrar alguém que preencha todos os requisitos acima é muito mais difícil do que possa parecer à primeira vista.
Pensando bem, Plutão em Aquário ainda está longe, por isso, sejamos pacientes.
Até à próxima.
Que Raio Sabemos Nós? – 3
Bem-vindos à terceira parte da série de videos sobre Física Quântica que vos tenho apresentado como ciência paralela à Astrologia.
Uma das coisas que eu digo sempre, e penso ser do senso comum, é que é de extrema arrogância acharmos que já temos todas as respostas. Que só porque algo não nos faz sentido hoje, não possa vir a fazer amanhã. Para mim, estas “prisões mentais” que as pessoas criam – mas que preferem chamar de “realismo” – é apenas um processo de auto-bloqueio que trava e atrasa o potencial conhecimento humano.
A citação de Carl Sagan, que apresentei pela segunda vez na semana passada, fala exactamente disso. De como algumas pessoas são tão cépticas que caiem do cepticismo “saudável” para o cepticismo “doentio”, onde a única coisa que conta é aquilo que eu vejo e sei, negando a existência de qualquer outra coisa.
O filme, do qual tenho tirado alguns excertos para mostrar, aborda também essa ideia retrógrada, com um comentário muito interessante por parte da personagem do Dr. Quantum, quando ele diz “se olharmos só para aquilo que conhecemos, como é que alguém alguma vez irá ver algo de novo? O desconhecido? Como é que alguma vez iremos sair da nossa caixa?”
Eis o video, onde, como exemplo, é mostrado o que poderia acontecer se num mundo bidimensional, de repente, alguém descobrisse a tridimensionalidade (uma nova dimensão para a qual não estavamos conscientes antes):
Ok, por esta altura, alguns já estarão a pensar que isto é maluquice a mais, e que é uma afronta à lógica e bom senso estar a misturar estas coisas das múltiplas dimensões e mundos invisiveis com citações de cientistas sérios como o senhor Carl Sagan!
Pois, acontece que este video nem sequer é o primeiro a falar do assunto. Vejam a mesma história, contada por um velho amigo nosso:
Percebem agora como é redutor pensarmos que se não vemos, ou entendemos, algo, então é porque não existe? Ser realista e céptico é muito bonito, e recomenda-se, mas sempre de forma saudável, ou seja, com a capacidade de estar aberto àquilo que está para além das nossas limitações humanas.
Até à próxima.
Que Raio Sabemos Nós? – 2
Na semana passada, terminei a dizer o seguinte:
[...] quando se ouve algum astrólogo referir-se à física quântica como a ciência que vai provar a validade da Astrologia, estão mais a pensar no facto de sabermos que tudo é energia (até a matéria mais densa) e, portanto, é legítimo pensar que a razão pela qual os astros nos influenciam não é por algum tipo de “força” ou “radiação” emitida por eles, mas sim porque todos nós, e a vida em geral, é feita do mesmo material que esses planetas: pura energia.
Muito bem, o filme “What the Bleep Do We Know? Down the Rabbit Hole“, que referi a semana passada, aborda essa ideia ainda mais em detalhe com o conceito de “Entanglement” que, em português, podemos traduzir por “Entrelaçamento”.
Em resumo, se o universo nasceu do “Big Bang“, ou seja, de um ponto originário onde tudo estava junto, então podemos presumir que ainda hoje, tudo no universo partilhe dessa ligação original. A energia dessa explosão primordial dispersou-se e tomou muitas formas mas, ao nível sub-atómico, ainda é a mesma energia, o que torna a teoria, do ser humano ser feito da mesma essência que os Planetas, muito sedutora.
Vejamos mais um excerto do filme, sobre este assunto:
Note-se, portanto, que aqueles astrólogos que há muito tempo usavam este argumento (de sermos todos um), mesmo sem saberem nada de física quântica, estavam no caminho certo! Pelo menos, aparentemente, claro.
Isto faz-me lembrar, novamente, daquela velha citação de Carl Sagan, que eu publiquei há uns meses atrás, no meu texto sobre “Cepticismo“, e que acho pertinente citá-la de novo:
[...] não conseguimos pensar em nenhum mecanismo pelo qual a Astrologia poderia funcionar. Isto é certamente um ponto relevante mas por sí só não é convincente.
Nenhum mecanismo era conhecido para o “movimento” dos continentes (agora subsumido em placas tectónicas) quando foi proposto por Alfred Wegener no primeiro quarto do século XX para explicar uma série de dados confusos em geologia e paleontologia (veias de rochas e fósseis pareciam seguir continuamente do zona Este da América do Sul até ao Oeste de África; terão os dois continentes alguma vez estado ligados e o Oceano Atlântico ser novo?).
A ideia foi redondamente desprezada por todos os grande geofísicos, que estavam certos que os continentes eram fixos, não flutuavam em nada, e logo incapazes de “movimento”.
Em vez disso, a ideia chave do século XX em geofísica acabou por ser as placas tectónicas; agora entendemos que as placas continentais de facto flutuam e “movem-se” (ou melhor, são carregadas por uma espécie de corredor móvel conduzido pelo grande motor de calor do interior da Terra), e todos aqueles grandes geofísicos estavam simplesmente errados.
Para a próxima semana há mais.
Até à próxima.
Que Raio Sabemos Nós? – 1
Que raio sabemos nós? Esta pergunta é algo que todos deviamos fazer a nós mesmos, em tudo o que vemos e fazemos mas, ao mesmo tempo, é o título de um filme/documentário que foi lançado em Fevereiro de 2004, nos EUA, com o nome “What the Bleep do We Know?“
Já há algum tempo que eu queria falar deste assunto, mas o tema é tão extenso que eu comecei a ver que teria que publicar vários textos só para conseguir cobrir um pouco daquilo que queria abordar.
A essência do filme é sobre a Física Quântica, e faz um excelente trabalho a simplificar, para os leigos, o que é esse (relativamente) novo ramo da ciência. Talvez até seja um pouco simplista demais, mas é por isso que devemos sempre pesquisar e aprofundar tudo o que nos é dito.
Antes de mais, porém, convem dizer que existem duas versões deste filme:
1 – a primeira trata-se de um filme com 120 minutos que, na verdade, é bastante desapontante porque tenta ser mais “filme” do que “documentário” – não explicando, portanto, as partes mesmo científicas e abordando muito pouco das entrevistas feitas a cientistas de várias áreas. Esta é a versão que existe legendada em português e pode, facilmente, ser encontrada em várias das principais superfícies comerciais em Portugal (não sei como será no Brasil, lamento).
2 – mais tarde (salvo o erro, em 2007), foi lançado uma espécie de “remake” do filme, mais longo (180 minutos), e com muito mais ênfase na perspectiva científica que o filme originalmente queria passar. Esta versão distingue-se da primeira pelo facto de vir num pacote de 6 DVDs, e com o nome “What the Bleep do We Know: Down the Rabbit Hole” que, infelizmente, ainda não está disponível em Portugal, nem se prevê para breve (de acordo com as últimas informações que recebi).
O filme não refere a Astrologia, em concreto, sendo até bastante neutro no que toca às implicações da física quântica face a outras ciências. Contudo, algumas das principais experiências demonstradas no filme podem ser associadas a conceitos da Astrologia e, de certa forma, é isso que vou tentar abordar neste texto, e nos próximos.
Para não me dispersar, esta semana vou apenas falar do caso chamado “Double Slit Experience” ou, traduzido para português, “Experiência da Dupla Fenda”.
Vejam este video:
Agora, isto não parece ter nada a ver com Astrologia, pois não? Se calhar, até nem tem, mas noto várias semelhanças entre o que acontece aos electrões (microcosmos) nesta experiência, e aquilo que acontece no universo (macrocosmos), onde a vida humana está incluída e é, apenas, uma das suas muitas expressões materiais.
De qualquer forma, isto sou eu a pensar demais. Normalmente, quando se ouve algum astrólogo referir-se à física quântica como a ciência que vai provar a validade da Astrologia, estão mais a pensar no facto de sabermos que tudo é energia (até a matéria mais densa) e, portanto, é legítimo pensar que a razão pela qual os astros nos influenciam não é por algum tipo de “força” ou “radiação” emitida por eles, mas sim porque todos nós, e a vida em geral, é feita do mesmo material que esses planetas: pura energia.
Se é só isso, ou muito mais, deixo ao vosso critério enquanto meditam no assunto.
Até à próxima.
Uma Abordagem Científica
Esta semana decidi apresentar um texto totalmente dedicado ao estudo da Astrologia numa perspectiva de ciência exacta. Faz sentido se pensarmos que eu já apresentei textos virados para o lado mais filosófico da Astrologia, por isso, é justo mostrar o lado oposto da Astrologia.
Quem me conhece, sabe que a minha visão da Astrologia recai algures no centro. Entendo a Astrologia como uma ciência social, que tem um lado “matemático” inegável, mas também um lado mais humano que a coloca ao nível da Psicologia, Sociologia, e disciplinas similares. De qualquer forma, nunca fecho os olhos ao que está “à volta” porque, nunca se sabe, pode ser útil para entender a Astrologia como um todo, sem restringí-la a um único rótulo.
Para esse efeito, decidi fazer a tradução de alguns excertos escritos pelo astrofísico polaco Slawomir Stachniewicz. Não, não é um dos grandes nomes credenciados a nível mundial, mas lembrem-se que é complicado encontrar cientistas que tenham os testículos para admitir que a Astrologia pode e deve ser investigada seriamente. Há dois motivos para eu ter escolhido traduzir os seus textos para este blog:
1 – Os testes que ele faz e propõe a nível dos Aspectos astrológicos são uma excelente introdução ao que eu tenciono escrever sobre este tema (Aspectos) já na próxima semana.
2 – Penso que fica demonstrado como a Astrologia podia dar um verdadeiro salto qualitativo se mais profissionais de outras ciências resolvessem trabalhar com os astrólogos.
Aviso que o texto pode ser um pouco “denso” para quem não está familiarizado com a os princípios básicos do estudo científico, mas eu vou fazendo alguns comentários pelo caminho para ajudar a “engolir” o conteúdo.
Nós podemos dividir os astrólogos em três tipos: teorizadores, experimentalistas e praticantes. Teorizadores criam novas teorias, experimentalistas verificam-nas e praticantes interpretam horóscopos. A grande maioria dos astrólogos são praticantes, e alguns deles são também teorizadores, mas não há quase nenhuns experimentalistas. Na minha opinião, esta é uma das maiores fraquezas da astrologia de hoje em dia – falta de verificação directa.
Este trecho é particularmente curioso para mim porque há alguns anos que eu digo que divido as saidas profissionais da Astrologia em três grupos: praticantes, professores, e pesquisadores. Não há qualquer diferença entre aquilo que eu e ele consideramos “praticantes” de Astrologia, mas há uma diferença em relação àqueles que ele chama de “experimentalistas” e eu chamo de “pesquisadores”, que é o facto de eu considerar um pesquisador alguém que teoriza e procura verificar a sua teoria ao mesmo tempo – nem me faz sentido que seja de outra forma – enquanto ele divide aqueles que criam as teorias, por um lado, e aqueles que as testam, por outro. De facto, ele tem razão, pois é um facto que, no mundo da Astrologia praticada actualmente, existem imensos astrólogos que inventam teorias, mas pouco ou nada investem em processos de verificação – alguns passando a assumir essas teorias como factos só porque “sentem” que estão correctas.
Por outro lado temos os cientistas, em especial os astrónomos – que ficam frequentemente loucos só de ouvir a palavra astrologia. Felizmente, nem todos os cientistas pensam que crenças astrológicas são criadas pela fantasia porque não têm nem podem ter qualquer substância científica. Alguns tentam verificar a astrologia estatisticamente, mas normalmente fazem-no da forma errada. Porquê? Porque pegam em astrólogos mais ou menos conhecidos e observam se fazem bons horóscopos. É errado porque isto só testa o conhecimento do astrólogo
Por acaso, nos últimos anos têm surgido alguns “testes”, supostamente, científicos feitos na base da estatística (que é o método mais adequado para demostrar a validade da Astrologia). Infelizmente, quem os faz são indivíduos que não são astrólogos, ou são daqueles pseudo-astrólogos que fazem previsões para so Signos Solares. Resultado? Concluem que ter o Sol em Carneiro, Touro, Gémeos, ou qualquer outro Signo, não determina qualquer resultado concreto. Uau… grande novidade. Infelizmente, para quem leva a sério esses testes, isso é “prova” que a Astrologia (como um todo) não passa de uma crença, ilusão, superstição, etc.
Eu não tenho ouvido falar de qualquer tentativa de criar uma teoria científica de Astrologia – talvez este artigo possa servir como contributo no sentido de criar tal teoria. Para além disso eu tento indicar o que deve ser tido em conta e o que deve ser feito prioritariamente neste tipo de pesquisa.
Aqui começamos, finalmente, a falar de Aspectos. Nesta abordagem, a Astrologia é medida através de funções trigonométricas.
Eu penso que os planetas interagem uns com os outros mas esta interacção é muito mais forte em certos valores (ressonância). Não é claro de onde vem esta ressonância – eu suponho que tem algo a ver com ondas e harmónicas (1:1 ou 360º – Conjunção, 1:2 – Oposição, 1:3 – Trígono, etc)
Agora é uma boa altura para fazer uma descrição matemática destes fenómenos. As ressonâncias podem ser apresentadas utilizando curvas de intensidade. A sua forma é normalmente uma curva de Lorentz definida pela equação
y = a / ( 1 + (x/b) ^2 )
onde a e b descrevem a intensidade e distância da curva. Outra distribuição comum é a Gaussiana definida pela equação
y = a * exp ( -1/2 (x/b) ^2 )
mas que é aplicada normalmente para descrever fenómenos aleatórios como erros de distribuição
Eis o gráfico de comparação entre a Curva de Lorentz e a Curva Gaussiana, onde x=0 y=1 e x=+/-1 y=0.5 (a mesma intensidade e a mesma distância a metade da intensidade):
(Clicar na imagem para aumentar)
Agora vamos pensar na natureza desta ressonância. A situação é um pouco complicada: não só temos a intensidade mas também aspectos considerados como bons, maus ou neutros (Eu penso que bons implicam menos dificuldades e maus mais, a melhor situação é quando existe mais ou menos um equilíbrio entre eles – demasiados bons aspectos tornam a pessoa preguiçosa, ele (ou ela) não alcança nada de significativo ao longo da vida ou desiste facilmente em caso de dificuldades). Claro, o mais forte é o de ressonância 1:1 (conjunção) e é neutro (o resultado dependa da natureza dos planetas). A ressonância 1:2 (oposição) dá efeitos negativos, 1:3 (trígono) positivos, 1:4 (duplo 1:2 ou quadratura) dá efeitos mais fracos que 1:2 mas mais negativos etc. Parece que:
- ressonância 1:2 é negativa, 1:3 é positiva, 1:4 é negativa, 1:5 é positiva, etc.
- quanta mais alta a ressonância mais fraca a influência (oposição é mais forte que o trígono mas mais fraca que a conjunção etc.)
- juntar as ressonâncias enfraquece o efeito (quadratura é mais fraca que a oposição, sextil e novil são mais fracos que o trígono)
- podemos somar e subtrair aspectos e isso afecta-os, por exemplo a inconjunção (150=180-30) é aproximadamente tão forte como um semi-sextil mas negativo, a sesquiquadratura (135=180-45=90+45) é semelhante à semi-quadratura (atenção, nesta “teoria” o biquintil seria mais fraco que o quintil e a sesquiquadratura seria aproximadamente tão forte quanto a semi-quadratura mas mais negativa etc.)
- um aspecto que represente a soma de outros é mais fraco, mas se dois ou mais aspectos distintos coexistem, a mesma operação pode afectar (fortalecendo ou enfraquecendo) a sua influência – uma oposição fica fortalecida por duas quadraturas mas três sextis ou um trígono+sextil tornam-na mais moderada etc.
Até aqui nada de novo. Todos os astrólogos decentes sabem disto tudo há séculos (literalmente), mas poucos tentaram colocá-lo em fórmulas matemáticas para estudo e análise. Convém também frisar que este texto foi publicado há cerca de treze anos atrás (1996) e, provavelmente, escrito muito antes disso. Nestes textos, o senhor Slawomir admite basear-se essencialmente no conhecimento da Astrologia Tradicional Clássica porque foi isso que Michel Gauquelin usou para provar o “Efeito de Marte” (o maior teste científco alguma vez feito, até ao presente, em relação à validade da Astrologia). Isso é óbvio quando o vemos a falar de Aspectos “bons” e “maus”. Na Astrologia Moderna, já se entende que não há nenhum tipo de julgamento de valores feito pelos Planetas, ou os seus Aspectos, porque isso são conceitos psicológicos do ser humano.
Como podemos ver, os aspectos interpenetram-se e descrever essa interacção (interferência) seria complicado. Claro que, por exemplo, a influência de uma oposição ligada a seis semi-sextis poderia ficar inalterada. Além disso, podemos adicionar e dividir aspectos sem parar e isso iria criar algum panorama – seria possivel verificar apenas os efeitos dos aspectos mais fortes, enquanto outros seriam insignificantes. Por exemplo, o binovil poderia ser tão fraco que torna-se impossivel distingui-lo do panorama. Outro efeito poderia ser que adicionar tantas combinações de aspectos poderia fazer estas curvas parecerem mais com a Gaussiana do que com a de Lorentz. É bastante complicado e mesmo que tenhamos muitos dados empíricos pode ser dificil construir uma boa teoria.
Esta é, sem dúvida, uma boa forma de exemplificar o “porquê” de ainda não haverem múltiplos testes científicos na área da Astrologia. Para a massa ignorante, não lhes ocorre que há todo um número de variáveis que têm de ser consideradas num estudo astrológico – e notem que estamos SÓ a falar de Aspectos.
É também aqui que começamos a ver que o factor humano é, de facto, o que torna a Astrologia numa ciência social e humana, não uma ciência exacta. Para além de todas as variantes possiveis, e das quais só algumas foram referidas acima, temos ainda que considerar o contexto do ser em análise. Duas pessoas podem ter, de facto, um Horóscopo igual, ao segundo, no entanto, se um nasceu na familia x e outro na familia y, logo aí, têm um contexto diferente a vários níveis: familiar, social, cultural, moral, etc.
Antes de termos uma teoria que descreva aspectos na totalidade eu sugiro a seguinte solução:
- acima de tudo, verificar estatisticamente o significado e força dos aspectos
- introduzir orbes para todos os aspectos; se o dados tradicionais são aceitáveis, então teríamos algo como: conjunção e oposição 9º, quadratura e trígono 7º, sextil 5º, etc (metade da orbe pode ser chamada de meia-distância d)
- introduzir força do aspecto s dependendo do aspecto e planetas
- influência dos aspectos poderia ser descrita como por exemplo s/(1+(dx/d)^2) onde dx é a diferença entre distância teórica (por exemplo 180º para uma oposição) e diferença real das longitudes elipticas. Claro que a fórmula pode ser um pouco diferente mas seriam necessários muitos dados para verificar isso.Claro que isto é só uma aproximação. A fórmula exacta deverá ser uma combinação de funções trigonométricas.
Agora eu preciso de fazer uma pergunta: será que os aspectos dependem mesmo das diferenças de longitudes elípticas? A elíptica é apenas o plano da órbita da Terra à volta do Sol. Talvez eles não dependam das diferenças de longitude elípticas mas das distâncias angulares reais na Esfera Celeste? Para o Sol, a Lua e os planetas até Neptuno seria quase o mesmo – eles nunca estão muito longe da elíptica (até 5º para a Lua). De facto, haveria uma diferença importante, nunca teríamos conjunções ou oposições exactas (mesmo que a longitude elíptica seja igual haveria alguma diferença nas latitudes). Plutão estaria numa situação diferente – a sua latitude pode atingir +/- 17º portanto na maioria dos casos (latitudes superiores a 10º para norte ou sul) não haveriam nunca conjunções e oposições. Ainda pior com as estrelas – só estrelas perto da elíptica seriam significativas (conjunção!), por exemplo Sirius (b=-39.6°) não seria significativa. Mas não haveriam problemas com objectos perto dos pólos da elíptica (sem longitude elíptica) – eles estariam em quadratura aos objectos na elíptica. Haveria problemas na adição tradicional de aspectos – dois sextis exactos poderiam não dar um trígono exacto (estaria tudo bem se estivessem complanares com a Terra).
Tenho que levantar algumas questões: será que a elíptica tem alguma importância para além do facto dos planetas estarem na sua vizinhança? Talvez devêssemos usar ascensões rectas em vez de longitudes elípticas? E porquê ascensões rectas e não longitudes galácticas? Qual o significado (se algum) do Ponto de Equinócio da Primavera? O que são os Signos do Zodíaco, quais são as suas verdadeiras fronteiras, qual é a distribuição da sua influência? Algumas pessoas afirmam que o Zodíaco são zonas energéticas à volta da Terra ou que os signos têm forças magnéticas. Então talvez devéssemos olhar para pólos magnéticos em vez de geográficos? E qual é a energia dessas zonas – terá alguma ligação com interacções electromagnéticas? Forte? Fraca? Gravitacional? Electrofraca? Talvez com a tal chamada quinta força? Nós podemos excluir a atração gravitacional directa (a influência da mobília seria maior e, por exemplo, a influência de Mercúrio seria 6 milhões de vezes mais fraca que a do Sol. Eu penso que não devemos falar de energias – nós simplesmente não sabemos como funciona e as especulações de alguns astrólogos só aumentam o caos existente. A resposta certa só pode ser dada através de pesquisa científica.
Isto conclui o texto sobre Aspectos. Há um ponto ou outro aqui que, à primeira vista, levaria muitos astrólogos a saltarem e dizerem algo do género “mas nós já temos resposta a isso!” Será que temos mesmo? Temos teorias… montes delas. A maioria são usadas porque fazem sentido e apresentam resultados positivos com frequência mas, ocasionalmente, há falhas e a justificação que muitos encontram, provavelmente para fugir à pesquisa aprofundada do assunto, é que foi “erro do astrólogo”. É verdade que antes de sermos astrólogos somos humanos e, como tal, passíveis de errar. Até os médicos e cientistas de todas as áreas erram, e com mais frequência do que desejaríamos, no entanto, é a nossa obrigação minimizar essa margem de erro. Especialmente numa disciplina como a Astrologia que se propõe a orientar a vida humana.
Por exemplo, errar em Meteorologia não costuma ser grave. O que importa se choveu um pouco num dia em que apenas disseram que estaria nublado? No entanto, em Medicina, Psicologia, Astrologia e áreas similares, a responsabilidade é maior. Por isso é que defendo a vinda do dia em que a Astrologia voltará a ser uma actividade praticada apenas por profissionais credenciados, mas isso é uma outra conversa para um outro dia.
Até à próxima.
