Que Raio Sabemos Nós? – 3
Bem-vindos à terceira parte da série de videos sobre Física Quântica que vos tenho apresentado como ciência paralela à Astrologia.
Uma das coisas que eu digo sempre, e penso ser do senso comum, é que é de extrema arrogância acharmos que já temos todas as respostas. Que só porque algo não nos faz sentido hoje, não possa vir a fazer amanhã. Para mim, estas “prisões mentais” que as pessoas criam – mas que preferem chamar de “realismo” – é apenas um processo de auto-bloqueio que trava e atrasa o potencial conhecimento humano.
A citação de Carl Sagan, que apresentei pela segunda vez na semana passada, fala exactamente disso. De como algumas pessoas são tão cépticas que caiem do cepticismo “saudável” para o cepticismo “doentio”, onde a única coisa que conta é aquilo que eu vejo e sei, negando a existência de qualquer outra coisa.
O filme, do qual tenho tirado alguns excertos para mostrar, aborda também essa ideia retrógrada, com um comentário muito interessante por parte da personagem do Dr. Quantum, quando ele diz “se olharmos só para aquilo que conhecemos, como é que alguém alguma vez irá ver algo de novo? O desconhecido? Como é que alguma vez iremos sair da nossa caixa?”
Eis o video, onde, como exemplo, é mostrado o que poderia acontecer se num mundo bidimensional, de repente, alguém descobrisse a tridimensionalidade (uma nova dimensão para a qual não estavamos conscientes antes):
Ok, por esta altura, alguns já estarão a pensar que isto é maluquice a mais, e que é uma afronta à lógica e bom senso estar a misturar estas coisas das múltiplas dimensões e mundos invisiveis com citações de cientistas sérios como o senhor Carl Sagan!
Pois, acontece que este video nem sequer é o primeiro a falar do assunto. Vejam a mesma história, contada por um velho amigo nosso:
Percebem agora como é redutor pensarmos que se não vemos, ou entendemos, algo, então é porque não existe? Ser realista e céptico é muito bonito, e recomenda-se, mas sempre de forma saudável, ou seja, com a capacidade de estar aberto àquilo que está para além das nossas limitações humanas.
Até à próxima.
Que Raio Sabemos Nós? – 2
Na semana passada, terminei a dizer o seguinte:
[...] quando se ouve algum astrólogo referir-se à física quântica como a ciência que vai provar a validade da Astrologia, estão mais a pensar no facto de sabermos que tudo é energia (até a matéria mais densa) e, portanto, é legítimo pensar que a razão pela qual os astros nos influenciam não é por algum tipo de “força” ou “radiação” emitida por eles, mas sim porque todos nós, e a vida em geral, é feita do mesmo material que esses planetas: pura energia.
Muito bem, o filme “What the Bleep Do We Know? Down the Rabbit Hole“, que referi a semana passada, aborda essa ideia ainda mais em detalhe com o conceito de “Entanglement” que, em português, podemos traduzir por “Entrelaçamento”.
Em resumo, se o universo nasceu do “Big Bang“, ou seja, de um ponto originário onde tudo estava junto, então podemos presumir que ainda hoje, tudo no universo partilhe dessa ligação original. A energia dessa explosão primordial dispersou-se e tomou muitas formas mas, ao nível sub-atómico, ainda é a mesma energia, o que torna a teoria, do ser humano ser feito da mesma essência que os Planetas, muito sedutora.
Vejamos mais um excerto do filme, sobre este assunto:
Note-se, portanto, que aqueles astrólogos que há muito tempo usavam este argumento (de sermos todos um), mesmo sem saberem nada de física quântica, estavam no caminho certo! Pelo menos, aparentemente, claro.
Isto faz-me lembrar, novamente, daquela velha citação de Carl Sagan, que eu publiquei há uns meses atrás, no meu texto sobre “Cepticismo“, e que acho pertinente citá-la de novo:
[...] não conseguimos pensar em nenhum mecanismo pelo qual a Astrologia poderia funcionar. Isto é certamente um ponto relevante mas por sí só não é convincente.
Nenhum mecanismo era conhecido para o “movimento” dos continentes (agora subsumido em placas tectónicas) quando foi proposto por Alfred Wegener no primeiro quarto do século XX para explicar uma série de dados confusos em geologia e paleontologia (veias de rochas e fósseis pareciam seguir continuamente do zona Este da América do Sul até ao Oeste de África; terão os dois continentes alguma vez estado ligados e o Oceano Atlântico ser novo?).
A ideia foi redondamente desprezada por todos os grande geofísicos, que estavam certos que os continentes eram fixos, não flutuavam em nada, e logo incapazes de “movimento”.
Em vez disso, a ideia chave do século XX em geofísica acabou por ser as placas tectónicas; agora entendemos que as placas continentais de facto flutuam e “movem-se” (ou melhor, são carregadas por uma espécie de corredor móvel conduzido pelo grande motor de calor do interior da Terra), e todos aqueles grandes geofísicos estavam simplesmente errados.
Para a próxima semana há mais.
Até à próxima.
Que Raio Sabemos Nós? – 1
Que raio sabemos nós? Esta pergunta é algo que todos deviamos fazer a nós mesmos, em tudo o que vemos e fazemos mas, ao mesmo tempo, é o título de um filme/documentário que foi lançado em Fevereiro de 2004, nos EUA, com o nome “What the Bleep do We Know?“
Já há algum tempo que eu queria falar deste assunto, mas o tema é tão extenso que eu comecei a ver que teria que publicar vários textos só para conseguir cobrir um pouco daquilo que queria abordar.
A essência do filme é sobre a Física Quântica, e faz um excelente trabalho a simplificar, para os leigos, o que é esse (relativamente) novo ramo da ciência. Talvez até seja um pouco simplista demais, mas é por isso que devemos sempre pesquisar e aprofundar tudo o que nos é dito.
Antes de mais, porém, convem dizer que existem duas versões deste filme:
1 – a primeira trata-se de um filme com 120 minutos que, na verdade, é bastante desapontante porque tenta ser mais “filme” do que “documentário” – não explicando, portanto, as partes mesmo científicas e abordando muito pouco das entrevistas feitas a cientistas de várias áreas. Esta é a versão que existe legendada em português e pode, facilmente, ser encontrada em várias das principais superfícies comerciais em Portugal (não sei como será no Brasil, lamento).
2 – mais tarde (salvo o erro, em 2007), foi lançado uma espécie de “remake” do filme, mais longo (180 minutos), e com muito mais ênfase na perspectiva científica que o filme originalmente queria passar. Esta versão distingue-se da primeira pelo facto de vir num pacote de 6 DVDs, e com o nome “What the Bleep do We Know: Down the Rabbit Hole” que, infelizmente, ainda não está disponível em Portugal, nem se prevê para breve (de acordo com as últimas informações que recebi).
O filme não refere a Astrologia, em concreto, sendo até bastante neutro no que toca às implicações da física quântica face a outras ciências. Contudo, algumas das principais experiências demonstradas no filme podem ser associadas a conceitos da Astrologia e, de certa forma, é isso que vou tentar abordar neste texto, e nos próximos.
Para não me dispersar, esta semana vou apenas falar do caso chamado “Double Slit Experience” ou, traduzido para português, “Experiência da Dupla Fenda”.
Vejam este video:
Agora, isto não parece ter nada a ver com Astrologia, pois não? Se calhar, até nem tem, mas noto várias semelhanças entre o que acontece aos electrões (microcosmos) nesta experiência, e aquilo que acontece no universo (macrocosmos), onde a vida humana está incluída e é, apenas, uma das suas muitas expressões materiais.
De qualquer forma, isto sou eu a pensar demais. Normalmente, quando se ouve algum astrólogo referir-se à física quântica como a ciência que vai provar a validade da Astrologia, estão mais a pensar no facto de sabermos que tudo é energia (até a matéria mais densa) e, portanto, é legítimo pensar que a razão pela qual os astros nos influenciam não é por algum tipo de “força” ou “radiação” emitida por eles, mas sim porque todos nós, e a vida em geral, é feita do mesmo material que esses planetas: pura energia.
Se é só isso, ou muito mais, deixo ao vosso critério enquanto meditam no assunto.
Até à próxima.