Colectânea de Mitos – 1
Talvez se recordem que, nos primeiros textos que escrevi aqui no blog, eu disse que tentaria abordar os vários mitos e falácias que existem por aí sob o nome da Astrologia ou, de alguma forma, relacionados com ela.
Contudo, reparei que alguns deles são tão fáceis de desmistificar que não justificam um texto exclusivo. Daí nasceu a base para o texto desta semana, ou seja, fazer um apanhado de alguns desses pequenos pontos – e penso que até faz um texto de leitura muito fácil, o que é simpático para aqueles visitantes que não gostam muito de ler aqueles longos textos que eu, por vezes, coloco aqui.
Vamos a isso, sim?
- A Lua influencia as marés, logo, é natural que afecte também o ser humano porque 75% do nosso corpo é feito de água.
Posto de forma directa e simples, este argumento é completamente falso. Aliás, é mais do que falso: é estúpido.
Isto é o que acontece quando os pseudo-astrólogos, numa tentativa desesperada de ganhar credibilidade naquilo que fazem, procuram agarrar-se a princípios científicos de outras disciplinas, sem terem conhecimento das mesmas, em vez de se esforçarem por fazer a Astrologia valer por sí mesma. O resultado é demonstrarem ainda mais que são ignorantes, e afundam com eles a (pouca) credibilidade que, até então, poderiam ter.
A Lua afecta as marés devido ao efeito da gravidade. Acontece que a gravidade da Lua só afecta GRANDES porções de água, tal como os oceanos. Notem que a Lua não tem o mesmo efeito num lago, muito menos numa piscina, e ainda menos numa banheira. Isto, aliás, é um teste que podem fazer em casa… encham a banheira de água, e esperem. Vão concluir que não há “maré alta” nem “maré baixa”. Porquê? Porque a gravidade da Lua não é suficiente para afectar uma porção tão pequena de água. Considerem agora que a água que temos no nosso corpo é ainda menor do que aquela presente numa banheira cheia.
Conclusão: o efeito da Lua sobre as marés (influência gravitacional) não tem nada a ver com o seu efeito sobre o comportamento do ser humano (influência astrológica).
Como pequeno aparte, o número “75″ que é tantas vezes referido como a percentagem de água no corpo humano está também errado. Na verdade, só nos bebés é que há uma percentagem desse nível de água. Em adulto, o ser humano tem entre 55% e 60%, tendo os homens um pouco mais do que as mulheres (o que significa que, se este mito fosse verdade, seriam os homens mais afectados pela Lua do que as mulheres). Ainda assim, isto varia imenso de pessoa para pessoa, de acordo com a sua alimentação, ambiente em que vive, etc.
- Em Astrologia, a Lua representa a mulher, e o ciclo da Lua à volta da Terra corresponde ao ciclo menstrual das mulheres.
Este é mais um mito defendido por “astrólogos” pouco informados. Simplesmente, fazem uma comparação a algo que “soa bem” ou “faz sentido” e começam a regurgitar a informação como se fosse facto.
Em primeiro lugar, a Lua tem dois ciclos: o Sideral e o Sinódico.
O ciclo Sideral (assim chamado porque corresponde ao percurso completo da Lua à volta da Terra, com as estrelas como ponto de referência) é de 27 dias, 7 horas, 43 minutos, e 11 segundos – ou 27,25 dias, para simplificar – e equivale a 13º de movimento no Zodíaco.
Porém, ao longo desses 27 dias, o Sol também avança no Zodíaco (ou melhor, a Terra é que avança mas, em termos geocêntricos, dizemos desta forma – embora o resultado prático seja o mesmo), o que significa que a Lua terá que levar mais algum tempo (cerca de 2 dias) até parecer estar na mesma Fase Lunar que estava quando começou o ciclo (de uma Lua Nova até outra Lua Nova, por exemplo). A este segundo ciclo, chamamos Sinódico.
O ciclo menstrual das mulheres, porém, não é fixo e, embora se diga que a média seja de 28 dias (que cai, de facto, no ponto intermédio entre os dois ciclos Lunares), são poucas as mulheres que, realmente, têm essa periodicidade de forma natural. Aliás, em termos médicos, só se considera, por exemplo, a Polimenorreia e a Oligomenorreia quando o ciclo menstrual da mulher é inferior a 21 dias, ou superior a 35, respectivamente (sendo qualquer período intermédio considerado “normal”, bem entendido).
Para alguns, aquele pormenor da média do ciclo menstrual calhar no ponto intermédio dos dois ciclos lunares será motivo suficiente para saltarem da cadeira a gritar “mas isso é a prova que estão ligados!!” Não… é a prova que são crédulos, só isso.
Dadas as devidas distâncias, a lógica deste mito é semelhante a dizer “a bateria do meu telemóvel vai sempre abaixo quando falo mais de 4 horas seguidas nele, mas dura vários dias quando o uso para outras coisas sem falar, logo, é o som da minha voz que gasta a bateria do telemóvel”.
Só porque algo “parece” não significa que “seja”. É por isso que tudo deve passar pelo rigor da metodologia científica, caso contrário, não passa de crença.
Nem sequer preciso abordar a questão das mulheres que, por questões de idade (e não só), não têm um ciclo menstrual de todo, pois não?
Conclusão: apesar dos períodos terem durações semelhantes, não há qualquer correspondência entre um fenómeno e outro.
- Segundo os astros, quando vou morrer?
Aquilo que se sabe hoje em dia é que este tipo de informação não tem resposta possivel, de todo.
Talvez a prova mais flagrante disso esteja no facto de pessoas que nasceram no mesmo minuto, e até no mesmo segundo, não morrem na mesma data – aliás, as mortes são até bem dispersas pelo tempo.
De uma certa forma, voltamos à velha questão do “Destino vs Livre-Arbítrio” que já abordei há alguns meses. A morte não é algo que escolhemos (na maior parte das vezes), mas é o resultado do que fizémos antes de lá chegar.
Conclusão: a menos que haja uma técnica “perdida” que não envolva o Horóscopo Natal, o que podemos dizer é que não há conhecimento de tal informação ser acessível através da Astrologia.
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Haverão, certamente, muitos mais pequenos mitos e falácias como estas que apresentei hoje mas ficarão para outro dia. Por hoje, espero que saiam daqui bem mais esclarecidos do que quando chegaram.
Até à próxima.
Plutão em Capricórnio
Não podia faltar, não é? Com a entrada definitiva de Plutão no Signo de Capricórnio, surgiram logo perguntas acerca de porque não tinha abordado esse tema mais cedo, dada a sua pertinência.
A minha resposta, basicamente, é que não tendo a seguir modas e, como vão concluir no final deste texto, também não dou o mesmo relevo ao evento de entrada num Signo que muitos parecem dar (embora tenha bastante importância, claro, não estou a dizer o contrário). De qualquer forma, é algo que só volta a acontecer na madrugada de 20 de Dezembro de 2254, e tenho algumas suspeitas sobre se vou estar cá nessa altura para falar disso, por isso, vamos lá fazer uma homenagem ao evento.
Comecemos com um pequeno exemplo do que anda a ser escrito por aí sobre este assunto:
No dia 28 de Novembro, ou seja, um dia a seguir a Plutão ter entrado em Capricórnio definitivamente, houve a “Sexta-feira Negra” nos EUA. É um dia especial, que ocorre todos os anos a seguir ao “Dia de Acção de Graças”, e marca o começo da época natalícia. Neste dia, as lojas abrem com um grande desconto geral em vários produtos (às vezes, todos). Devido a esta tradição, é comum as pessoas fazerem filas enormes às portas dos estabelecimentos comerciais porque há quem espere o ano inteiro por este dia para conseguir o melhor negócio e, por isso, a mercadoria tende a desaparecer rápido, o que significa que quem entra primeiro tem maiores oportunidades de conseguir agarrar algo que realmente queira. Os ferimentos são comuns, visto que nalguns sítios as pessoas atropelam-se para entrar primeiro, mas este ano, em particular, houve uma morte.
Será que os Planetas são culpados? De acordo com a americana Elsa, é possível que seja Plutão em Capricórnio, que está a mostrar-nos o lado negro dos grandes negócios. Ou talvez seja uma prova de que a sociedade está em decadência ao ponto de nos pisarmos uns aos outros para conseguir um objecto por pura ganância.
É claro que isto é só um caso isolado, entre MILHÕES de lojas, nos EUA inteiros, mas borrifem lá nisso… o que importa é que foi notícia e, se dermos bem a volta à coisa, lá conseguimos encaixar onde quisermos.
(Clicar AQUI para ver texto original, na íntegra)
Embora a lógica social da senhora não esteja mal colocada, a associação a Plutão em Capricórnio é que parece-me completamente descabida. Situações destas acontecem com bastante frequência, e Plutão não esteve em Capricórnio em nenhuma dessas alturas. Por fantástica ironia, um dos últimos comentários à mensagem acima vem de alguém que diz viver na Índia, e afirma que isso acontece muitas vezes.
A Crise Financeira? Yup, também dizem que é por culpa de Plutão em Capricórnio. Carreiras em queda? Também. Organizações falidas? Idem. Há muitos mais exemplos, mas não vale a pena pejar este texto com coisas que podem ser facilmente descobertas com a simples ajuda de um bom motor de busca.
Aparentemente, Plutão tornou-se o “culpado” de praticamente tudo o que acontece. Peguemos no exemplo da crise do petróleo (seguindo a lógica de Capricórnio ser um Signo de Terra e tanto o Planeta como o Signo estarem associados ao conceito de Poder), como se a crise do petróleo não fizesse parte da crise energética que já vem de trás, mas a isto há quem insista com o argumento:
- A transformação é mais radical agora que ele entrou em Capricórnio.
“Capricórnio” e “radical”? Não andamos a confundir as coisas? Parece um típico caso de “se as coisas não encaixam à primeira, vai-se buscar o martelo”. Já não é Júpiter que dispõe deste Plutão (já deixou de o ser quando Júpiter entrou em Capricórnio), mas sim Saturno. Tónica bem diferente, meus amigos, e que não tem nada de radical nem grandioso, mas sim de metódico e cauteloso. Aliás, notem como o nascimento deste ciclo ocorre com Saturno em Virgem, Trígono a Júpiter em Capricórnio.
Há outros Aspectos, sem dúvida, mas a chave acaba por ser a mencionada acima. Mercúrio é Dispositor de Saturno? Claro que sim, mas está em Sagitário, o que nos traz de volta a Júpiter em Capricórnio. Úrano está Oposto em Peixes? Claro que está, mas é Disposto por Júpiter, o que nos traz de volta a Capricórnio. Neptuno, como segundo Dispositor de Úrano, torna-se marcante apenas por estar em Recepção Mútua, mas esta é uma influência cuja interpretação levar-nos-ia muito longe, e fora do contexto a que me quero cingir.
De qualquer forma, para muitos, é como se Plutão fosse o tio-avô malvado que a familia sempre disse mal, e vem agora passar o Natal com todos e, assim que passa a porta de entrada, qualquer coisa de mal que aconteça é por culpa da presença daquele senhor. A isso eu digo “Jesus, Maria, e José! Tirem a cabeça da sarjeta!!” O coitado do Plutão ainda agora entrou, não teve sequer oportunidade para fazer praticamente nada, e já está a levar por tabela de todos os lados.
No fundo, as associações que são feitas a Plutão lembram imenso as associações que se faziam (e, às vezes, ainda se fazem) a Saturno, o “Grande Maléfico” da Astrologia Tradicional Clássica. No fundo, quanto menos se conhece de um Planeta, mais se dizem baboseiras sobre ele. Há, também, quem afirme que isto é típico de uma sociedade que ainda não domina o nível de consciência de Plutão.
Vamos colocar isto de outra forma. Dizem algumas teorias (e isto é mais “Filosofia Astrológica”, atenção) que, durante milénios, o ser humano só tinha conhecimento dos primeiros sete Planetas porque não tinha um nível de consciência que o permitisse ir mais longe. Saturno, sendo o último destes sete, era o menos compreendido, logo, o mais temido.
Quando os restantes Planetas foram descobertos e, consequentemente, incluídos no estudo astrológico, isso deveu-se ao facto da humanidade, como um todo, estar preparada para entender e viver os princípios desses Planetas – como se, simbolicamente, a expansão do Sistema Solar e Universo conhecido fosse análoga ao potencial de consciência da humanidade. Ora, neste momento, Plutão ainda é o último dos Planetas utilizados astrologicamente, sendo também o menos compreendido, logo, o mais temido.
Existem outros Planetas para lá da órbita de Plutão que alguns astrólogos já tentam usar mas, até à data, não há informação coerente sobre eles, só teorias, por isso, podemos concluir que a humanidade ainda tem muito trilho para caminhar, até entender e, mais tarde, integrar as propostas desses objectos Transneptunianos
Claro que o potencial da humanidade não corresponde, necessariamente, ao potencial individual. Por exemplo, existem muitas pessoas hoje em dia que ainda se debatem com o seu Saturno, ou mesmo Júpiter. Estas pessoas nunca estariam em condições de compreender o impacto de Úrano, quanto mais o de Neptuno ou Plutão. Daí haverem astrólogos que insistem em usar exclusivamente a Astrologia Tradicional Clássica e recusam, terminantemente, a recorrer às descobertas modernas. Pura e simplesmente, não as entendem, logo, não as conseguem usar (mas, ao menos, são coerentes dentro dos seus limites, e que prova a integração de Saturno).
Mesmo a nível das massas – e, aqui, não estou a falar de astrólogos, mas das pessoas em geral mesmo – é geralmente aceite que a sociedade está a aprender a lidar com o nível de Úrano. Note-se o radicalismo, a sede pela individualidade, as explosões tecnológicas e científicas, etc. Neste mundo, existem alguns que já dominam isso, e estarão a tentar olhar mais além, ao nível de Neptuno, o que significa que, se esta filosofia (ou teoria, se preferirem) estiver correcta, só depois disso é que estaríamos preparados para entender Plutão em toda a sua glória, mas duvido muito que haja alguém a esse nível, presentemente.
Só uma nota final sobre este assunto. Não confundam “nível de Neptuno” com os maluquinhos religiosos que falam muito de Amor Universal, e valores de Nova Era, mas quebram metade daquilo que pregam à primeira distração. Isso são pessoas que, na melhor das hipóteses, estão a lidar com o Júpiter, e agem como se tivessem “saltado” por cima do Saturno e Úrano, directamente para Neptuno.
Tendem a ser pessoas que pretendem convencer os seus fiéis ouvintes (ou leitores) que a vida deve ser assim ou assado, e que temos todos este ou aquele objectivo. Usam frequentemente a palavra “amor” e outras coisas simpáticas do género que são bastante apelativas mas, ao fim do dia, quem está a nível de Saturno sente que há falta de seriedade nessa abordagem, e quem está a nível de Úrano sente logo que essa abordagem é uma negação do projecto individual de vida que cada ser humano quer e precisa viver. Neptuno está ainda mais além disso, e conto pelos dedos das mãos o número de pessoas que conheci ao longo da vida que parecem entender isso.
- Nesse caso, o que podemos esperar de Plutão em Capricórnio, realisticamente?
Se Neptuno está além da compreensão das massas, o que dizer então de Plutão? Vou-me resumir a uma visão meramente racional, mas sei que não vou estar a fazer-lhe justiça.
Prevê-se um progressivo demolir de velhas estruturas, tanto físicas como psicológicas, sociais e morais, para que fique “campo aberto” ao surgimento de substitutos modernos e não-tradicionais. Naturalmente, esse será mais o processo de Plutão em Aquário, mas o limpar do terreno e construção dos alicerces básicos deverá ocorrer agora, de forma organizada e metódica, como a combinação Virgem/Capricórnio exige.
Sim, Plutão entrou num novo Signo e é algo que só acontece uma vez na vida, sem dúvida, mas o acto de entrada não é assim tão marcante como alguns tentam fazer parecer. O facto de um Planeta ser “lento” implica isso mesmo, lentidão. As coisas vão acontecer ao longo dos próximos anos, em progressão. Os cataclismos que alguns prevêem não vêm de Plutão em Capricórnio sozinho, há, certamente, uma combinação astrológica completa que desperta os eventos que iremos presenciar no futuro próximo.
É claro que, quem tem Planetas nos primeiros ou últimos graus de um Signo (em especial, primeiros graus dos Signos Cardinais), vai sentir mais os efeitos desta passagem mas, como disse, não é algo que ocorra de um dia para o outro. Podemos dizer que há um certo “requinte de malvadez” na forma como um Plutão lento vai moendo as coisas até ficarem pó. Quando digo “quem” também posso dizer “quê”, porque as nações têm o seu próprio Horóscopo, os mandatos de poder têm o seu próprio Horóscopo, e por aí fora.
Para terminar, deixo uma provocaçãozinha: se sentirem frio ao longo dos próximos tempos, podem crer, é por causa de Plutão em Capricórnio. A sério, é a forma que o Planeta feito de gelo tem de vos dizer que entrou no Signo mais frio do Zodíaco. O facto de estarmos quase a entrar no inverno não tem absolutamente nada a ver.
Até à próxima.
Cepticismo
Recentemente, uma pessoa do meu círculo social, e que tem um interesse crescente em Astrologia, relatou-me que, numa conversa com alguém do seu próprio círculo social, o tema da Astrologia veio à superfície, e essa terceira pessoa rapidamente encerrou o assunto com algo que, parafraseando, foi mais ou menos: “a Astrologia é uma questão de crença, e eu não acredito”.
Ao ouvir isto, não pude deixar de rir e, seguidamente, abanar a cabeça ao sentir um certo sentimento de “pena”, em especial por tratar-se de alguém de uma geração mais jovem que a minha, onde seria expectável encontrar jovens adultos com uma mente mais apta para lidar com a racionalidade do que os nossos antepassados.
Bem sei que há jovens de vinte e poucos anos, e até menos, que abraçam cegamente as palavras de um livro, defendem formas de entretenimento que implicam a morte ou sofrimento de outros seres vivos, e/ou acham que “liberdade” é sinónimo de “fazer o que me apetece, doa a quem doer”, entre um sem-número de outros exemplos de falta de juízo racional e inteligente.
É um quadro negro, aquele que pintei, mas opto por olhar para a coisa de um ponto de vista mais construtivo, retirando inspiração do evento em causa, e assim delinear um texto em “homenagem” a essas mentes brilhantes que debitam tais pérolas de sabedoria acerca da Astrologia.
Antes de mais, a meu ver, existem dois tipos de Cepticismo: o “Saudável” e o “Doentio”.
No Cepticismo Saudável, temos o arquétipo da mente científica. Ou seja, a tendência para questionar tudo, não tomar nada por garantido, e nunca conformar-se com uma resposta. Mesmo quando achamos que já sabemos algo, a mente científica quer sempre testar novas teorias, novas abordagens, rever o passado com novos olhos, etc. Isto é óptimo, e é recomendável a qualquer ser humano que queira desenvolver a mente, independentemente de dedicar-se profissionalmente a uma ciência ou não. É o uso da inteligência cognitiva no seu melhor.
No Cepticismo Doentio, temos o arquétipo do dogma e do fanatismo. Ou seja, a tendência para questionar tudo, não com qualquer interesse em encontrar respostas, mas sim em arranjar formas de provar como certas as respostas que desejam ser as verdadeiras. É o pôr em causa por questões de ego. Por vezes, também, o receio de não ter capacidade para lidar com uma realidade que não é conveniente (zona de conforto). O importante passa a ser convencer o mundo que aquela é a única verdade (voltamos à questão do ego), logo, dando ênfase a defeitos e argumentos potencialmente destrutivos das verdades alternativas e, convenientemente, ignorando o que não serve este propósito. Em suma, é o Cepticismo elevado/rebaixado (como preferirem) ao estatuto de Religião.
Um típico exemplo disto é a tendência a fazer citações de cientistas que fizeram esta ou aquela afirmação em detrimento da Astrologia. A pessoa em causa pode não conhecer o contexto da afirmação, ou sequer ter qualquer conhecimento sobre o trabalho desse cientista, mas a citação é feita à mesma e apresentada como “prova” para justificar as suas crenças.
Um desses cientistas, muitas vezes citado, é Carl Sagan. Sem dúvida, um grande cientista, e é bem verdade que ele questionou sempre a Astrologia, mas ele também fez o seguinte comentário no seu livro The Demon Haunted World (Science As A Candle In The Dark) – que aqui em Portugal tem o nome Um Mundo Infestado de Demónios, da editora Gradiva – onde ele descreve como se recusou a assinar um manifesto anti-Astrologia nos anos 70 porque o tom do manifesto era autoritário (leia-se “dono da verdade”) e acrescentou:
O manifesto insistia que não conseguimos pensar em nenhum mecanismo pelo qual a Astrologia poderia funcionar. Isto é certamente um ponto relevante mas por sí só não é convincente.
Nenhum mecanismo era conhecido para o “movimento” dos continentes (agora subsumido em placas tectónicas) quando foi proposto por Alfred Wegener no primeiro quarto do século XX para explicar uma série de dados confusos em geologia e paleontologia (veias de rochas e fósseis pareciam seguir continuamente do zona Este da América do Sul até ao Oeste de África; terão os dois continentes alguma vez estado ligados e o Oceano Atlântico ser novo?).
A ideia foi redondamente desprezada por todos os grande geofísicos, que estavam certos que os continentes eram fixos, não flutuavam em nada, e logo incapazes de “movimento”.
Em vez disso, a ideia chave do século XX em geofísica acabou por ser as placas tectónicas; agora entendemos que as placas continentais de facto flutuam e “movem-se” (ou melhor, são carregadas por uma espécie de corredor móvel conduzido pelo grande motor de calor do interior da Terra), e todos aqueles grandes geofísicos estavam simplesmente errados.
Notem bem a última frase. O próprio Carl Sagan, inimigo número um da Astrologia (como alguns diriam), a dar o braço a torcer admitindo que até os grandes cientistas em massa, nas suas certezas, enganam-se, e num período tão recente como o século XX – fazendo aqui uma clara demonstração de Cepticismo Saudável.
Agora pergunto: quantas vezes viram ou ouviram alguém que despreza a Astrologia comentar a citação acima? No meu caso, nunca, e ainda estou para conhecer alguém que diga algo em contrário. Porquê? Talvez porque não seja conveniente, e talvez porque acredita-se, preconceituosamente, que os astrólogos não percebem nada de ciência, logo, nunca iriam ler estes textos. A verdade é que, para a esmagadora maioria das pessoas que não levam a Astrologia a sério, o importante é ter razão (dogma) e não saber a verdade (ciência).
É verdade que Carl Sagan também pôs a “pata na poça” algumas vezes, ou não fosse ele humano, e rodeoado de pessoas que, como ele mesmo descreveu, eram bastante autoritárias. Num mundo onde a carreira está dependente da aceitação pelos pares, fazer uma afirmação polémica sem ter a força dos números e sem provas científicas (leia-se: que correspondam aos modelos presentemente aceites pela comunidade científica) seria suicídio profissional, e Carl Sagan nunca teria tido o sucesso e popularidade que teve se tivesse personalidade para ser um rebelde.
Notem, porém, que quando falava de Astrologia, ele dava particular atenção às técnicas de Astro-Entretenimento. Alguns dos videos mais populares de Carl Sagan no YouTube, hoje em dia, e que são tão usados por alguns críticos como “provas” científicas contra a Astrologia, são exactamente aqueles onde Carl Sagan, inteligentemente, põe a nú a falsidade das previsões genéricas nos jornais e revistas, mas como já expliquei noutros textos anteriores, isso nem sequer é Astrologia, e sim um travesti da Astrologia que surgiu e ganhou proeminência somente nos últimos quatro séculos (talvez aprofunde mais isto num futuro texto, quando falar da história da Astrologia).
No contexto do que estou a querer falar esta semana, o ponto a reter aqui é que uma mente científica não faz afirmações definitivas. Tudo está aberto a ser testado múltiplas vezes ao longo dos tempos, exactamente porque, à medida que a civilização humana evolui, novas formas de testar o universo que nos rodeia vão surgindo e permitem-nos entender as coisas melhor.
Porém, desde pessoas comuns, como aquela que referi no começo deste texto, até pessoas de renome no meio científico, como o autor do tal manifesto anti-Astrologia, observamos que são pessoas que não buscam por respostas. Pelo contrário, agarram as respostas que lhes convem, e depois procuram justificar essas respostas. Chama-se a isto “manipulação dos factos”, e o mundo está pejado disto, aos mais variados níveis – como, aliás, sempre esteve.
Há algumas semanas atrás, no texto sobre Horóscopos onde tentei explicar porque é que as previsões dos Signos solares não são Astrologia, falei daquelas pessoas que, por ignorância, abraçavam vigorosamente tudo o que é popularizado nos meios de comunicação social acerca da Astrologia – chamemos a este grupo de “os crentes”. Enquanto esse grupo pode argumentar que é ignorante, e não tem meios para saber mais e melhor, o mal deste segundo grupo que refiro hoje é que, arrogantemente, não assumem qualquer tipo de ignorância e, pelo contrário, defendem os seus preconceitos alegando conhecimento de outras ciências distintas (Astronomia e Psicologia sendo as mais comuns), ou justificando a sua capacidade intelectual com o currículo que têm, mais uma vez, noutras áreas separadas da Astrologia.
Eu costumo dizer que, se houve uma coisa boa que o ainda presidente dos EUA, George Walker Bush, fez pelo mundo, foi provar que ter um curso numa universidade de renome não é sinónimo de ser uma pessoa brilhante e, ironicamente, o seu poder de argumentação é, em muitas coisas, semelhante ao da maioria dos críticos da Astrologia, onde as falhas de lógica, ocultação de informação pertinente (ou impertinente, dependendo do ponto de vista), e manipulação dos factos, são alguns dos ingredientes principais do prato do dia.
Uma mente científica questiona as coisas, põe-nas em causa, faz perguntas, e não aceita nada cegamente. Claro que não, e é uma atitude positiva, que promove a investigação, o estudo, a pesquisa, e a evolução do conhecimento. Porém, quando esta atitude de duvidar das coisas serve apenas para reduzir e minimizar o desconhecido, em vez de tentar entendê-lo, então isso é puro dogma, nada mais.
Atenção que não me estou a referir a “opiniões”. Não há mal algum em ter opiniões, desde que a pessoa admita que é só mesmo isso e, consequentemente, aceite que pode estar mal informada. O grande problema, e é esse que quis abordar esta semana, está no facto de algumas pessoas não terem a capacidade para distinguir “opinião” de “verdade”.
No fundo, alguém que critica a Astrologia como um todo, sente-se convicto de que esta não é séria, e faz afirmações infundadas sobre o tema, é como um fanático religioso que está preso no seu mundo de verdades, do qual recusa-se sequer a vir à janela ver se há um mundo mais abrangente para explorar. Esses “cépticos” podem utilizar mil e uma definições e expressões para se diferenciarem de outros fanáticos religiosos, mas a verdade é que as atitudes e actos são iguais – só as crenças que defendem é que mudam.
Até à próxima.
Compatibilidades
É um facto que tendemos a só dar atenção àquilo que funciona mal porque, quando as coisas funcionam bem, encostamo-nos e tomamos essas coisas por garantidas. Nas relações isto é particularmente verdade, mas notem que há tipos de relação que, tipicamente, trazem mais problemas que outros.
Dos quatro tipos de relação que vou abordar aqui, a amizade é aquela onde tradicionalmente somos menos exigentes em relação aos outros. Não é tão comum ter ciúmes se o nosso amigo sai e vai ao cinema com outra pessoa, se está mais tempo com esse indivíduo do que connosco, se não nos telefonou esta semana, etc. Aliás, o mais provável é partilharmos dessa mesma ida ao cinema, fazendo o programa a três ou quatro e, dessa forma, expandimos o nosso próprio círculo social, ganhando mais um amigo ou amiga.
No fundo, há um respeito natural pelo individualismo de cada um. O tempo é finito, e é utilizado da forma que for mais conveniente a todos os intervenientes da relação e, se houver um contratempo, “oh que pena, fica para a próxima”. Amizades assim podem durar vidas inteiras porque não se baseiam nas exigências, mas sim na compreensão, receptividade, e partilha.
Quando olhamos para outros tipos de relação, onde o factor exigência é inerente ou imposto, as coisas começam a complicar-se. Por exemplo, o tipo de relação que coloco aqui em segundo lugar, é a chamada relação profissional que, às vezes, transborda para a amizade. Aliás, é muito comum fazerem-se amigos no local de trabalho, ou na escola, apesar do surgimento de um Saturno mais proeminente na questão. Aqui é preciso fazer algo, cumprir uma obrigação, a que ambos estão ligados. É a exigência inerente deste tipo de relação, mas quando os intervenientes aprendem a lidar com isso, o resto processa-se com o mesmo à-vontade que uma amizade, e a partilha é possível (e recomendada).
Em terceiro lugar, considero a relação familiar. Do ponto de vista racional, não devia em nada ser diferente da amizade, mas ainda vivemos numa sociedade que acredita piamente que ter laços de sangue, de alguma forma, cria obrigações extra para a relação – ou seja, exigências, mas neste caso auto-impostas pelos valores culturais e morais dos intervenientes.
Racionalmente, reparamos que quase todos os seres vivos seguem um padrão familiar similar, que passa por ajudar os jovens a tornarem-se adultos independentes e, por fim, lançá-los à vida. Entre seres humanos, porém, há pais que “aprisionam” os filhos, incapacitando-os para uma potencial vida adulta saudável, irmãos que intrometem-se e assumem atitudes paternalistas sem direito ou mérito, filhos que tentam compensar a falta de preparação dos pais individualizando-se demasiado rápido, e de forma caótica, etc.
Por fim, e embora a relação acima já pareça digna do último lugar, considero as relações amorosas (que, por ironia, raramente incluem amor) como aquelas que mais chatices e preocupações criam. Porquê? Porque é exactamente aqui que o ser humano atínge o cúmulo da exigência, ao ponto de, em muitos casos, pretenderem obter um papel assinado que legalmente os permita dizer “és meu” ou “és minha”. É neste mundo que vivemos, onde compramos uma casa e assinamos a escritura, compramos um carro e exigimos que esteja em nosso nome, e compramos uma esposa ou marido e… ops… esperem, não são propriamente comprados, mas tratamo-los como se fossem, o que vai dar ao mesmo.
Notem a diferença entre a descrição de uma amizade típica para aquilo que entendemos por uma relação amorosa. Na primeira temos, tradicionalmente, uma abertura total, confiança no outro, partilha, e respeito pela individualidade mútua. Na última temos, por tradição, o ciúme e a posse. Isto é para pensar e meditar.
Não me entendam mal. Não tenho nada contra a monogamia, ou o partilhar de uma vida inteira a dois debaixo do mesmo tecto, etc. No entanto, isso só faz sentido quando feito conscientemente. A realidade é que as pessoas que pretedem ter intimidade com outra tendem, na maioria dos casos, a fazê-lo pelos motivos errados. Quer seja para preencherem um vazio que sentem na sua vida, às vezes com frases aparentemente inspiradas, mas ocas, como “tu completas-me”, ou por qualquer outro tipo de dependência (física ou emocional).
Ninguém completa ninguém. Já somos completos. Somos é inexperientes em relação a nós mesmos. As relações surgem, portanto, como uma espécie de “espelho” para nos ajudar a ser cada vez mais nós próprios. Relacionar com outras pessoas é, no mínimo, uma forma de entender o mundo através de outras experiências e perspectivas. É por isso que também não é saudável ser um “lobo solitário”, visto que isso é o equivalente a parar no tempo e desperdiçar oportunidades de elevação da consciência.
De qualquer forma, não é sobre filosofia relacional que quero aprofundar hoje. Apesar de já ter escrito um bom bocado, achei que era necessário dar esta introdução como forma de dar algumas dicas sobre a origem dos problemas relacionais do tempo presente, e que motiva a procura por ajuda astrológica. Acima de tudo, foi uma introdução necessária para tornar mais compreensível a seguinte afirmação:
- Todas as relações podem funcionar, independentemente da compatibilidade astrológica
Isto pode parecer óbvio para algumas pessoas, mas é preocupante o número de pessoas que têm receio de sequer arriscar um contacto com alguém do Signo “x” ou “y”, porque acreditam que, de alguma forma, o Horóscopo de um indivíduo é que o força a ser compatível ou incompatível consigo. No fundo, isto é uma espécie de preconceito que se criou com o tal “amaldiçoado” Astro-Entretenimento que faz afirmações bárbaras do género “Se és Carneiro procura um Leão ou Sagitário, porque são fogosos como tu, mas nem penses em trocar olhares com um Touro ou Escorpião porque o primeiro aborrece-te, e o segundo sofoca-te!”.
Para quem é ingé… digo, optimista, e ainda acha que as massas são inteligentes o suficiente para não levar estas coisas a sério, dou como exemplo um anúncio pessoal que vi há algum tempo que, entre outras coisas, dizia “só respondo a quem for do Signo Aquário ou Peixes”. Aparentemente, esta senhora leu as descrições dos 12 Signos e concluiu que quer homens assim. Acho que é escusado comentar, mas deixo a frase no ar para meditarem um pouco sobre a repercussão da mesma na vida da senhora em causa.
Alguns dirão “bem, isso é só ignorância, a senhora não estuda Astrologia”. Talvez, mas se estudasse não é seguro que mudasse de atitude. Para dar mais um exemplo, há alguns anos atrás conheci uma estudante de Astrologia de longa data (mais de 10 anos) que clamava que nunca na sua vida iria relacionar-se com alguém que tivesse Marte na Casa 7. Como às vezes sou mauzinho e gosto de ver as pessoas enterrarem-se ainda mais, perguntei singelamente porquê, e a resposta foi que pessoas com esse posicionamento astrológico são violentas nas relações, batem na mulher, etc. Admito que, pelo menos a mim, deu-me vontade de apresentar-lhe a cara a um taco de baseball, ali mesmo e naquele momento, mas enfim (estou a brincar, não se preocupem).
É preciso brincar com estas coisas, senão seriam para chorar. O preconceito, ou a forma preconceituosa com que algumas pessoas referem-se à Astrologia, porém, é muito séria e preocupante. Sim, é baseada na ignorância mental (falta de estudo sobre Astrologia) mas, às vezes, provém daquilo que chamo ignorância emocional, onde o indivíduo sabe racionalmente que ser negro, ser mulher, ser homossexual, ou ser estrangeiro (só para dar alguns exemplos típicos) não é sinónimo de ser mau, ou pior que outros mas, emotivamente, reage de forma negativa a esses indivíduos à mesma. Ter estas noções implica viver de uma forma consciente e inteligente, tanto do ponto de vista mental como emocional, e praticar Astrologia deve ser feito dentro desses mesmos parâmetros.
Saber Astrologia não é só saber qual o significado dos símbolos num Horóscopo. É, sim, saber como lidar com esse significado para poder viver aquele potencial de uma forma positiva e construtiva. Pegando no exemplo acima, de Marte na Casa 7 (e ignorando o Signo em que pudesse estar, ou os Aspectos que faz, etc), a única coisa que um astrólogo consciente pode afirmar com elevado grau de certeza é que trata-se de alguém que gosta de ter actividade nas relações. Essa actividade pode ser violenta, de facto, mas também pode ser um apetite sexual voraz, pode ser gostar de praticar desporto e querer que a sua companheira ou companheiro partilhem do mesmo hobby, etc.
Isto leva-me à questão daquilo que é importante ser observado nos Horóscopos de uma relação. Em Astrologia Relacional, a primeira coisa a ver é o Horóscopo Natal dos indivíduos em questão porque é preciso ter uma noção primária do potencial relacional de cada um. Não adianta ter um Horóscopo Composto maravilhoso, ou uma Sinastria fantástica, se os Horóscopos Natais de um, ou ambos, demonstrarem que a pessoa pode ter pouca apetência para tirar proveito disso.
Só depois é que é legítimo fazer uma Sinastria, ou seja, a comparação dos dois Horóscopos Natais, em busca de ligações. Aqui devo dizer que, ao contrário do que alguns pensam, ter só Trígonos e Sextis não é sinónimo de uma boa relação. Eu ainda não abordei a questão dos Aspectos (está na lista de espera, para um futuro próximo), mas já referi antes que nenhum Aspecto é “bom” ou “mau”. No caso, uma Sinastria que é dominada por Aspectos Passivos (Trígonos e Sextis) demonstra elevado grau de harmonia, mas pouca atração. Por isso, se estas duas pessoas, eventualmente, conhecerem-se, podem falar bem e estar bem uma com a outra, mas dificilmente vão encontrar “cola emocional” para ficarem juntos muito tempo, ou partilharem de grandes projectos a dois.
Da mesma forma, uma Sinastria que é dominada por Aspectos Activos (Conjunções, Quadraturas, e Oposições) pode indicar grande atracção, mas ao mesmo tempo uma tendência a “pisar nos calos” um do outro.
Por fim, podemos fazer o Horóscopo Composto. Este é semelhante ao Horóscopo Natal de cada indivíduo, mas é criado através do cálculo dos Pontos-Médios da Sinastria. Dito de outra forma, é o mapa da relação, como se a relação fosse um único indivíduo. Como tal, só se faz este Horóscopo para pessoas que partilham de algo juntos, quer seja uma empresa como sócios, uma casa como casal, etc.
Ainda não acabou. Depois de tudo isto, ainda podemos consultar os Trânsitos, Progressões e Direções de Arco, não só para os Horóscopos Natais, mas também ao Horóscopo Composto. Desta forma, fazem-se as previsões para os momentos de sucesso, e timings de surgimento de obstáculos na relação, ou na vida dos indivíduos que, por sua vez, podem reflectir-se na relação.
Em conclusão, não há relações perfeitas, nunca houve e, até prova em contrário, nunca haverá – pelo menos neste mundo em que vivemos. Quando entramos numa relação, não deve ser como quem joga no Euro-Milhões e ver “se é desta que acerto”. Cada relação vai ter o seu lado positivo e o seu lado negativo. A Astrologia Relacional serve, essencialmente, para detectar com antecedência os pontos fortes e fracos dessas relações, para capitalizarmos os primeiros e atenuarmos os segundos. Com ou sem esta ajuda, o objectivo é aprender a vivê-las o melhor que puderemos, sem expectativas e, acima de tudo, sem preconceitos nem exigências.
Até à próxima.
Destino vs Livre-Arbítrio
Algo que assusta algumas pessoas neste mundo é a ideia de terem pouco, ou nenhum, controlo sobre as suas vidas, e de que não passam de marionetas nas mãos de alguma entidade invisivel, quer ela seja Deus, a mãe-natureza, o destino, ou qualquer outro nome que se queira dar. Para essas pessoas, falar de Astrologia, formas de Divinação, ou previsões, tende a ser um assunto delicado e, muitas vezes, desconfortável.
Se quiséssemos abordar a questão de um ponto de vista psicológico, poderíamos levar este tema em muitas direções, incluindo se esse desejo de controlo não será, por vezes, sinónimo de insegurança, ou outro fenómeno mas, visto que o assunto é complexo, as respostas são polémicas, e nada lineares, prefiro ignorar tudo isso e restringir-me ao ponto de vista puramente astrológico da questão:
- Para um astrólogo, existe Destino ou Livre-Arbítrio?
A resposta curta é “ambos”, mas é essencial que se aprofunde um pouco a resposta, na sua versão longa.
Tal como referi há uma semana atrás, o Mapa Astrológico não determina quem somos, mas sim o nosso potencial (por outras palavras, quem podemos ser, tanto no melhor como no pior). Dito isto, é claro que aquilo que somos acabará sempre por recair dentro dos limites desse potencial. Este potencial, por sua vez, é também condicionado (ou talvez seja preferível dizer “influenciado”) por argumentos culturais, familiares, genéticos, sociais, etc.
Vamos ver um exemplo: se um bebé nasceu hoje, digamos, por volta da 1 da manhã, e na zona centro de Portugal, do ponto de vista técnico podemos dizer que é um virginiano, com Ascendente em Caranguejo, e que o regente do Horoscopo está Exaltado na Casa 11, em Trígono ao Sol, e por aí fora. Porém, na prática, o que é que isto nos diz da pessoa? Que é uma pessoa emocionalmente frágil? Com certeza. Com aquela Lua em Quadratura a Neptuno, e três Planetas Pessoais em Balança, todos em Trígono a Neptuno, isto torna-se óbvio. Esta Lua na Casa 11, juntamente com Júpiter na Casa 7, Vénus na Casa 5, e uma Casa 4 muito preenchida também indicam, sem margem para dúvida, que todo o tipo de relacionamento pessoal será de extrema importância para esta pessoa e um dos pontos centrais da sua existência. No entanto, o que está destinado a esta pessoa? Isso já depende de factores que estão para além do Mapa.
A pessoa acima pode vir a ser um crítico cinematográfico, que ficará conhecido por encontrar sempre algum defeito no trabalho dos outros ou, em alternativa, conhecido por escrever artigos longos e detalhados que abordam todas as áreas de produção de um filme, com enorme minúcia e paixão. No entanto, se estivermos a falar de alguém que tenha nascido numa familia de poucos recursos, pode vir a ser uma dona de casa que lamenta nunca ter tirado um curso, porque passou a vida a cuidar da familia, primeiro dos pais, depois dos irmãos, e mais tarde dos filhos. Para não confundir demasiado as coisas, vamos focar apenas nestes dois exemplos.
Se o primeiro (o crítico) for a uma consulta de aconselhamento astrológico, daqui a 40 anos, é bem provável que aquilo que o incentivou a procurar ajuda esteja relacionado com o seu casamento, porque Saturno terá entrado na sua Casa 7, e Plutão já estará a fazer um Sextil Aplicativo ao Descendente. o que possivelmente irá implicar uma mudança de (ou na) residência, pois Urano estará a transitar a sua Casa 3, e a aproximar-se da 4.
No entanto, se a pessoa a procurar uma consulta de Astrologia, dentro de 40 anos, for a segunda (a dona de casa), o motivo pode ser a senhora ter-se fartado de aturar a sua vida aparentemente medíocre e querer ela largar o marido, e aventurar-se nalgum projecto (Urano na Casa 3, já em Oposição ao Urano Natal, Plutão na Casa 9, Neptuno em Conjunção à Lua, etc).
Portanto, se permitem-me a analogia, o Mapa Astrológico com que nascemos é como um mapa das estradas. O mapa das estradas não diz qual é o nosso “destino”, mas mostra-nos imensos destinos possíveis, e quais os melhores caminhos para lá chegar, dependendo no nosso ponto de partida. Da mesma forma, um Mapa Astrológico não determina como a nossa vida vai decorrer, mas indica várias possibilidades, e orienta-nos sobre os melhores caminhos para chegar lá, dependendo do nosso potencial à nascença.
Antes de qualquer viagem por essas estradas do mundo, há que considerar o estado físico do veículo (em analogia à genética natural do corpo humano, e os abusos que lhe fazemos com o passar do tempo), se há dinheiro para combustivel, estadia, e alimentação (os recursos com que nascemos ou conquistámos no passado), qual a nossa bagagem (no caso da Astrologia, falamos não só de bagagem física, mas também emocional, o que inclui as pessoas que arrastamos connosco, e aquelas que deixamos para trás), e a distância em espaço e tempo (que, em Astrologia, corresponde ao esforço e tempo necessários para atíngir o objectivo pretendido).
Depois, há que considerar o timing da viagem. Nas estradas, o trânsito, as obras, os acidentes, as condições climatéricas, ou outros eventos, tendem a atrasar, alterar planos ou, nos piores casos, impôr a desistência da viagem. À sua maneira, os Trânsitos astrológicos, indicam também obstáculos, e ajudas, com a vantagem de permitir prever esses timings antes deles ocorrerem.
Em resumo, sim, há Destino, não apenas um, mas vários Destinos possíveis. Qual deles é que vamos viver, porém, depende única e exclusivamente de nós, e isso é o Livre-Arbítrio.
Agora, há uma pergunta relativa a este tema, que é também muitas vezes feita, e parece-me pertinente inclui-la:
- Podemos mudar o Destino duma criança, manipulando o dia e hora do seu nascimento?
Hoje em dia já se fala de escolher o sexo e as características das crianças através de manipulação genética, por isso, porque não encomendar também o Destino da criança por catálogo? Felizmente, ou infelizmente, não é assim tão simples.
Como expliquei na primeira parte deste texto, o nosso Destino é relativo. Voltando à analogia que fiz anteriormente, pensem que estamos todos na “estrada da vida”, podemos virar onde quisermos, e para onde quisermos, mas sempre dentro dos limites do troço da estrada em que nos encontramos.
Dando um exemplo prático, se um bebé nascer numa família pobre, não será por nascer com Júpiter na Casa 2 que vai estar destinado a ser rico. Terá é mais potencial para sustentar-se financeiramente do que outros membros da família, mas aproveitar esse potencial para alcançar um estatuto económico mais elevado dependerá sempre de como ele irá usar esse potencial. Aliás, no seu pior, Júpiter na Casa 2 dá tendência a esbanjar dinheiro, por isso, este até pode vir a ser o membro mais pobre da familia, simplesmente porque usou o seu potencial da pior maneira!
Por outras palavras, é legítimo pensar que podemos alterar o potencial da criança, mas não o seu Destino, visto que este estará dependente das escolhas do indivíduo à medida que cresce.
É por isso que um astrólogo em consulta irá sempre questionar o cliente acerca de como este tem vivido o seu potencial, e quais os seus objectivos, porque cabe ao astrólogo respeitar as pretensões do cliente, e não forçar uma forma de viver alternativa. Com essa informação, pode então o astrólogo orientar o indivíduo no caminho que este pretende, e com os melhores timings possíveis.
- O que dizer daqueles astrólogos que afirmam que temos uma “missão”, ou uma dívida kármica para pagar, etc?
Isso já vai para além da Astrologia, pura e dura. Para entender isto, permitam-me fazer mais uma analogia.
Imaginem que, numa consulta médica, foi-lhes diagnosticado um problema que exige intervenção cirúrgica. O caso é grave, podem haver complicações após a operação, mas a realidade é que tudo corre bem e, uma vez recuperados, procuram pelo cirurgião responsável para lhe agradecer pessoalmente o excelente trabalho. Nessa altura, o cirurgião vira-se para vocês e diz algo do género: “não fui eu que o salvei, mas sim Deus, que guiou as minhas mãos durante a operação”.
Isto muda alguma coisa em relação ao que é, ou deixa de ser, Medicina? Claro que não. Simplesmente, o indivíduo que pratica esta ciência, deu-lhe uma cobertura pessoal e, neste caso, religiosa. Ainda há algum tempo atrás, quando tivémos o referendo sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez até ás 10 semanas, assistimos a inúmeros exemplos de pessoas que, sendo médicos, ou trabalhando em indústrias paralelas, opinaram tanto para um lado como para o outro.
Em Astrologia, eu costumo dizer o seguinte (e perdoem-me mais uma analogia, mas hoje deu-me para isto): se a Astrologia fosse um bolo, a massa seria toda a parte técnica e de cálculo, o recheio é a qualidade da interpretação (ás vezes não há recheio nenhum), e a cobertura é a explicação pessoal, moral, e/ou ética que lhe aplicamos – ou seja, dá-lhe um sabor extra.
Não quero, nem por um momento, que fiquem com a ideia que estou a recusar a existência de karma, vidas passadas, ou uma divindade que nos criou a todos, numa magnífica sincronia cósmica. Nada disso. O que digo é que devemos saber separar as águas, e dar o nome certo ás coisas certas. Da mesma forma que muita gente ficaria incomodada com a ideia de fazer uma cirurgia se soubessem que muitos, ou todos, os cirurgiões põem a vida dos pacientes “nas mãos de Deus”, tenho a certeza que há um número igualmente grande de pessoas que não iriam a uma consulta astrológica se soubessem que iam ser “doutrinados” numa forma de viver a vida, que implique “missões” para as quais não se sentem inclinados.
Mais do que isso, como a astróloga Donna Cunningham defende, no seu livro The Consulting Astrologer’s Guidebook, é horrivel quando alguns astrólogos dizem aos clientes que a razão pela qual temos a vida que temos é porque fizemos certas coisas no passado e agora temos dívidas em relação a isso. Isto não ajuda ninguém. Já não basta a situação presente que levou o indivíduo a procurar ajuda a um astrólogo, quanto mais esfregar-lhe na cara que é tudo merecido por causa de um acto ou atitude que nem se lembra de alguma vez ter feito ou tido.
Por isso, a minha opinião sobre o assunto é a seguinte: cada um tem o grau de consciência que pode ter. Não importa se é uma “alma jovem” que tem muito para aprender nesta encarnação, ou se é uma “alma antiga” que foi braço direito de Hitler, e agora sofre mil e uma doenças por isso. O objectivo do astrólogo profissional é orientar a pessoa, como ela é no presente, de forma a tirar o máximo proveito do potencial com que nasceu. Tudo o resto pode dar um “sabor” extra ás consultas, mas é meramente teórico, e eu arriscaria mesmo a dizer “dispensável”.
Até à próxima.
Previsão vs Adivinhação
Uma das coisas que vêm à cabeça das pessoas, quando ouvem falar de Astrologia, é a capacidade desta prever o futuro. Infelizmente, parece haver alguma confusão entre o significado do verbo “prever” e o verbo “adivinhar”, e isto leva a algumas expectativas irreais, afirmações falaciosas, e desilusões.
Quantos de nós já ouvimos pessoas a perguntar “então, quais vão ser os números do Euro-Milhões para esta semana”? Algumas vezes esta pergunta é feita na brincadeira, como forma de picar os “astrólogos” que dizem saber o futuro, mas outras vezes a pergunta é feita a sério, o que é igualmente preocupante.
Não ajuda nada que os meios de comunicação social incluam a Astrologia na lista de formas de Divinação, mesmo ao lado do Tarot, Runas, Búzios, Folhas de Chá, Borras de Café, ou Entranhas de Galinha (só para dar alguns exemplos). Não estou em posição para afirmar se algumas destas técnicas têm mérito ou não, mas estou em posição para dizer que a Astrologia não faz parte dessa lista e, consequentemente, não se deve esperar o mesmo dela.
A Divinação, ou acto de adivinhar, pressupõe a aquisição de informação concreta acerca do passado, presente, ou futuro. Quando alguém pergunta se a esposa foi sempre fiel, se a Madeleine McCann está viva, ou se vai conseguir aquele emprego para o qual se candidatou, estamos a falar de questões concretas que só vão obter resposta (se possível) através de um bom detective privado ou formas de Divinação.
Previsão, ou o acto de prever, porém, pressupõe a utilização de informação passada e presente para, através de cálculos estatísticos, concluir quais são as probabilidades futuras. Todos nós vemos isso, quase diariamente, quando os comentadores de futebol prevêem que o Sporting Clube de Portugal vai ganhar contra o Futebol Clube do Porto, ou quando o meteorologista prevê que amanhã o céu vai estar nublado, com “possibilidades” de aguaceiros.
Um Mapa Astrológico não mostra quem somos, mas sim quem podemos ser, tanto no nosso melhor como no nosso pior. O objectivo de uma consulta astrológica não é fazer um espectáculo de adivinhação sobre a personalidade, vida, ou futuro da pessoa que se senta à nossa frente. A consulta profissional de Astrologia implica um diálogo aberto entre astrólogo e cliente, exactamente para saber como a pessoa está a viver esse potencial, e permitir ao astrólogo uma melhor orientação do indivíduo no sentido mais construtivo possível.
No caso, as previsões feitas por um astrólogo são baseadas nalguns elementos, dos quais destaco:
- Potencial apresentado pelo Mapa Astrológico Natal.
- Consciência deste potencial (tanto por parte do astrólogo, como do cliente).
- Janelas de oportunidade (Trânsitos, Progressões, Direções, etc).
Dito isto, levanta-se de imediato uma questão:
- Então e a Astrologia Horária?
Antes de mais, é preciso entender que a Astrologia Horária não é uma técnica de interpretação ou cálculo astrológico, mas sim uma variante de Astrologia com as suas próprias regras de funcionamento. Outros exemplos incluem a Astrologia Esotérica, que difere da Astrologia Tradicional (tanto a clássica como a moderna) em vários pontos, e a AstroCartografia, entre outras.
Posto de forma simples, a Astrologia Horária é uma variante da Astrologia que funciona como Divinação pura. Na verdade, nem sequer usa o Mapa Astrológico Natal do cliente (a base de todo o trabalho astrológico tradicional), nem aplica Trânsitos, Progressões, Sinastrias, entre muitas outras técnicas astrológicas conhecidas.
O funcionamento é muito simples. O cliente faz uma pergunta, e o astrólogo faz um Mapa do momento em que foi feita a pergunta. Com base no Mapa desse momento, o astrólogo apresenta uma resposta concreta, que pode ser tão simples como de “sim ou não”, ou um pouco mais complexa, apresentando dados como a direção geográfica de um evento, ou o espaço de tempo até o evento ocorrer.
Esta é, possivelmente, a principal fonte da crença que a Astrologia dita o nosso futuro, visto que adivinhar o futuro implica que este já esteja escrito e nada podemos fazer para alterá-lo. Isto levar-me-ia a uma outra discussão, respeitante à existência de destino ou livre-arbítrio aos olhos dos astrólogos, mas prefiro aprofundar isso num texto futuro (e não, isto não é uma adivinhação, só uma previsão mesmo).
Aqui, acho mais pertinente explorar um pouco a Astrologia Horária, para que possamos entender se há, de facto, adivinhação, previsão, ou apenas um engodo. Apesar de ser uma variante tão interessante, e potencialmente útil, a verdade é que tem sido ignorada e quase perdeu-se à medida que a Astrologia seguiu outros caminhos.
Para começar, vamos ver uma citação do astrólogo brasileiro Fernando Fernandes:
A Astrologia Horária foi muito popular na Idade Média, e não é difícil descobrir o motivo. Numa época em que, com exceção da alta nobreza, quase ninguém sabia exatamente quando havia nascido, desenvolver uma técnica que dispensasse a certeza sobre os dados de nascimento era quase uma necessidade.
[...]
A forma como uma questão é colocada é de vital importância para a interpretação. Perguntas vagas ou mal formuladas tendem a gerar respostas confusas. Aqui, objetividade é essencial. É preciso que se possa definir com clareza quem está perguntando, qual seu objetivo e quais as circunstâncias que cercam a questão.
Por outras palavras, se a resposta do astrólogo não corresponder à verdade, é possível que hajam diversas razões para isso, desde a pergunta ter sido demasiado vaga, não permitindo que o astrólogo perceba o que se pretende, ou demasiado específica, o que pode induzir o astrólogo em erro.
Para além disso, a (pouca) Astrologia Horária praticada ainda hoje em dia está limitada aos sete Planetas clássicos, ignorando por completo a descoberta de Urano, Neptuno, Plutão, e todos os asteróides que, desde então, têm vindo a ser descobertos, estudados, e integrados na prática astrológica moderna.
Como se não bastasse, alguém que faça mais do que uma pergunta na mesma altura, vai obter um Mapa quase igual, mesmo que as perguntas sejam completamente distintas.
Claro que nada disto serve de prova definitiva de que a Astrologia Horária não funciona, mas não há dúvida que é, no mínimo, uma ferramenta ultrapassada. Felizmente, alguns astrólogos (nomeadamente, o autor da citação acima) fazem esforços no sentido de actualizar a Astrologia Horária, integrando elementos da Astrologia Tradicional moderna, numa tentativa de actualizá-la.
Até à data, os resultados não têm sido brilhantes, e o rácio de adivinhações correctas vs falhadas parece manter-se intocável, até porque contam-se pelos dedos os astrólogos conhecidos por pesquisarem seriamente esta área, mas vale o esforço desses poucos que o fazem, nem que seja para provar, um dia, que a vertente Horária não tem lugar numa Astrologia séria. A confirmar-se, será então remetida para o Astro-Entretenimento, tal como os Horóscopos de jornal.
Até à próxima.