Astrologia

Ciência e Educação

Quadraturas de Neptuno

Hoje resolvi falar sobre algo um pouco específico. Resolvi fazê-lo porque é algo que está relacionado com algumas situações que tenho observado incessantemente ao longo dos anos, e em particular, nas últimas semanas, e acho que devo aproveitar a onda (passo a expressão).

Trata-se do efeito “nebulado” de Neptuno, quando em conflito (Quadratura) com outros pontos do nosso Horóscopo.

Como alguém em tempos me disse: “depois de um trânsito de Neptuno, bem podem vir os Plutões todos”. De facto, Neptuno é, provavelmente, o Planeta mais dificil de lidar porque desafia qualquer lógica ou razão.

Algumas pessoas já nasceram com Quadraturas de Neptuno e, sinceramente, penso que são essas que têm alguma “sorte” em relação aos outros. Dentro da “desgraça” (perdoem-me novamente a expressão), ao menos estes cresceram com o problema e, de uma certa forma, acabam por aprender a viver com ele. Quem não tem estes Aspectos de nascença, mas vai vivê-los sob um Trânsito, é mais complicado, pois apanha o indivíduo sem qualquer preparação.

Ok, talvez esteja a exagerar um pouco. Nem todas as Quadraturas de Neptuno são más (ou tão más), mas são perigosas quando não nos preparamos, e vou dar alguns exemplos.

- Neptuno em Quadratura a Vénus

Lembro-me de três casos que, recentemente, passaram por isto. Dois tinham Vénus em Touro, e o restante Vénus em Escorpião. Em todos eles, Neptuno em Aquário criou a mesma situação, ou seja, paixões avassaladoras que levaram estes indivíduos a sofrer e, nalguns casos, chorar baba e ranho por alguém que conheceram durante este mesmo Trânsito.

Caso 1: Mulher casada conhece homem fantástico. Separa-se para ficar com esse outro homem, apenas para ser vítima de violência física e psicológica, descobrindo assim que ele, afinal, não era tão maravilhoso. Tenta voltar para o marido, mas este já não a queria. No entanto, dava sinais confusos de ainda ter algum interesse. Nestas “marés” de ir e vir, ter interesse e já não ter, o Trânsito passou e a mulher seguiu a sua vida.

Caso 2: Homem em união de facto há cerca de 4 anos apaixona-se por uma mulher que, para todos os efeitos, parecia um anjo. Separa-se da companheira para iniciar uma nova relação com a “anja”. Durante a curta relação, é avisado pelo seu círculo social que seria melhor ir com calma, mas preferiu ignorar os avisos. Descobre, ao fim de poucos meses, que o ser “celestial” tem por hábito mudar de homem como quem muda de camisa e, no espaço de um ano, já tinha andado com pelo menos 3 homens diferentes (confirmados, fora os desconhecidos). Quase um ano depois, já com o Trânsito em movimento Separativo, recuperou do choque e encontrou uma terceira pessoa que, até ver, parece estar a correr bem.

Caso 3: Mulher com namorado há mais de 2 anos, conhece um colega de trabalho muito sedutor. Não resiste, e cede aos encantos desse colega. Repleta de sentimentos de culpa, acaba mesmo por se separar do namorado oficial mas, aí, o colega começa também a se mostrar instável. Passa vários meses a oscilar sobre para que lado se virar, se deve voltar para o ex, ou tentar entender a maneira de ser do colega. Apesar de ter a iniciativa de pedir conselho a, literalmente, todas as pessoas que confiava, nenhum dos conselhos parecia fazer sentido na sua cabeça. Pelas últimas informações que tenho, ainda não se resolveu completamente.

- Neptuno em Quadratura a Saturno

Só vou relatar um caso aqui porque acho-o suficiententemente exemplificativo.

Homem com Saturno em Touro, casado, com uma criança recém-nascida, perde o emprego. A mulher já há algum tempo decidiu abandonar o emprego dela por razões de stress. A casa onde vivem está ainda a ser paga a prestações, por isso, arranjar uma fonte de rendimento é crucial.

Talvez a maior parte das pessoas (pelo menos as não afectadas por Neptuno, neste caso) diriam algo como “bem, então os dois pais têm que arranjar um emprego rápido e deixar a bebé ao cuidado dos avós” ou algo parecido. No entanto, para este homem, isso não é solução porque, e parafraseando “tudo o que for menos de “x” euros por mês não me permite ter o nível de vida que eu quero para mim e para a minha familia”.

A mulher ainda recebe algum por parte de um subsídio, o que cobre metade desse valor mas o homem, que trabalhava por conta própria, não tem os mesmos benefícios e, em tempo de crise, arranjar um emprego que pague o que deseja não é propriamente fácil.

A solução aqui parece óbvia. Reduzir os custos (leia-se “luxos”) ao máximo e arranjar um emprego que pague, nem que seja, o ordenado mínimo pois, certamente, seria melhor que nada – até surgirem novas oportunidades, e um timing melhor. Porém, para este homem, ou é para manter uma boa vida, ou nada.

Aliás, muito “neptunianamente”, o “nada” aqui nem entra na equação porque este homem é apologista dos princípios do pensamento positivo, e acredita piamente que se ele programar a mente para ser um vencedor, então tudo o que fizer vai dar certo, citando algumas celebridades que, apesar das dificuldades, arriscaram e foram um sucesso nos seus projectos.

Quando confrontado com o facto de que só se escrevem biografias daqueles que foram bem sucedidos (e têm histórias emocionantes para contar) e não dos milhões que também arriscaram e falharam, a resposta é que isso é o pensamento de um perdedor, e que essas pessoas só falham porque não acreditavam verdadeiramente nelas próprias.

Resultado, endividou-se ainda mais para poder ter alguns milhares de euros com que abrir um negócio inovador, nunca visto em Portugal. Penso que mais não é preciso dizer.

Sinceramente, para seu bem, e da criança, espero que seja bem sucedido, mas eu cá tenho demasiados anos de Astrologia em cima para ignorar que os Trânsitos deste senhor até 2010 (pelo menos, não vi para além disso) não são os que eu gostaria de ter para mim.

No fim, qual a conclusão destes exemplos todos?

Para mim, a conclusão é que é inútil tentar racionalizar com alguém que esteja sob um Aspecto destes. Simplesmente, eles não ouvem. Não ouvem, não vêem, não têm qualquer percepção da realidade, e qualquer pessoa que tente mostrar-lhes isso será visto como um obstáculo ou, simplesmente, ignorado (dependendo da natureza do indíviduo, se for agressivo ou passivo, respectivamente).

É doloroso, por vezes, para quem está de fora e vê com maior clareza a situação – em especial família e amigos. A tentação é ir lá e ajudar, mas não adianta. A melhor ajuda que podemos dar a estas pessoas – se estiver ao nosso alcance – é preparar um colchão perto da “zona” onde sabemos que eles vão cair.

Penso que esta imagem de Ícaro diz o resto.

Ícaro

(Clicar na imagem para aumentar)

Claro que este texto não estaria completo se eu ficasse somente pelos exemplos dos perigos das Quadraturas de Neptuno. É preciso entender o seu propósito, e não temê-las.

É complicado descrever Neptuno, e os seus propósitos, por palavras. Como disse no princípio, é o Planeta por excelência a desafiar qualquer lógica ou racionalidade. No entanto, eis a minha tentativa.

Neptuno quer que se abram os braços e se largue tudo o que temos. Quer que vejamos a vida como um rio, e que aceitemos o fluxo natural das coisas, sem tentar controlar ou impôr a nossa vontade. Tudo está como deve ser, mesmo que a sua “lógica” ou “sentido” escape à mente humana.

Como tal, se perdemos o emprego, é porque não estavamos lá a fazer nada. Se perdemos a parceira amorosa, é porque essa pessoa já não era o espelho que precisamos para continuar a nos auto-descobrir. Se perdemos a nossa antiga forma de viver, é porque temos algo a ganhar com uma nova forma de viver.

Acima de tudo, Neptuno tráz uma lição de humildade. As “perdas”, na verdade, são apenas coisas que, realmente, não precisávamos mais. Apenas nos agarrámos a elas por conforto e hábito.

Pegando em dois dos exemplos acima referidos, um bem lidado, e o outro não:

- notem o Caso 2 de “Neptuno em Quadratura a Vénus” eliminou uma relação de longa data que, de facto, já não fazia sentido para nenhum dos dois, e o lucro veio na forma de uma terceira mulher, quando o Trânsito terminou e a pessoa mostrou-se aberta às dádivas da vida.

- no caso de “Neptuno em Quadratura a Saturno” temos alguém que, claramente, tem que aprender a viver com menos do que julga merecer, contudo, sendo uma pessoa que carece de humildade, a tendência é para lutar.

Não há maldade em Neptuno. Não é preciso temê-lo, mas sim entendê-lo, e respeitá-lo. O resto encaixa naturalmente, sem que tenhamos que nos esforçar muito.

Até à próxima.

Sábado, 16 Maio 2009 Publicado por Carlos | Aspectos, Astrologia, Neptuno, Trânsitos | , , , , , | 5 Comentários

Aspectos – 1

Em Astrologia, damos o nome de “Aspecto” a qualquer ligação geométrica (ângulo) entre dois Planetas, ou entre um Planeta e um Ponto Calculado. Aproveito para esclarecer que só os Planetas é que são considerados “emissores” de influências, não os Pontos Calculados. Logo, quando dois Planetas estão em Aspecto, eles afectam-se mutuamente (com algumas excepções, que indicarei mais tarde), mas se o Aspecto for entre um Planeta e um Ponto Calculado, então só este último é que é afectado.

Hoje em dia, podemos dividir os Aspectos Astrológicos em dois tipos: Ptolemaicos e Keplerianos, mais conhecidos como “Maiores” e “Menores”, respectivamente. Contudo, nos últimos anos, alguns astrólogos começaram a considerar um terceiro tipo, a que chamam Addeyanos, ou “Ternários”.

Note-se que “Maior”, “Menor” e “Ternário” são termos musicais, e não relativos à dimensão ou importância do Aspecto – como alguns astrólogos, por ignorância, afirmam quando escrevem sobre o assunto.

Os Aspectos Ptolemaicos têm este nome em homenagem a Claudius Ptolemaeus, que viveu no século II e foi – como muitos sábios da altura – uma mistura de matemático, astrónomo e, claro, astrólogo. Ele é conhecido por ter escrito vários livros científicos, sendo um deles sobre Astrologia: o Tetrabiblos.

Existem, pelo menos, dois argumentos que explicam a importância deste livro. Primeiro, temos o valor e credibilidade do autor, que ainda hoje é conhecido como um dos grandes nomes da ciência desse tempo. Segundo, como existem muito poucos registos sobreviventes de Astrologia anteriores à publicação do Tetrabiblos, este livro passou a ter um valor histórico incomparável.

Na verdade, já ouvi alguns críticos da Astrologia, utilizarem frases do género “quando Ptolemeu inventou a Astrologia…”, o que está errado, e é mais um sinal da ignorância que prevalece entre aqueles que a criticam. Claudius Ptolemaeus não inventou a Astrologia, ela já existia há milhares de anos antes de ele nascer. O que ele fez foi uma síntese do conhecimento astrológico da altura, e filtrou isso através dos seus próprios estudos e opiniões – como, aliás, fazem a maior parte dos astrólogos.

De qualquer forma, é através do trabalho dele que sabemos que já usavam Aspectos nessa altura, mas só os seguintes:

- Conjunção (0º ou 360º)
- Oposição (180º)
- Trígono (120º)
- Quadratura (90º)
- Sextil (60º)

A “lógica” dada para estes Aspectos era muito mais orgânica do que aquela que temos hoje em dia. Acreditava-se que os Planetas tinham uma espécie de “campo de visão”, tal como um ser humano, daí o Aspecto mais forte e negativo ser a Oposição porque a luz do outro Planeta está directamente à nossa frente, barrando o caminho, ou ofuscando a visão do outro Planeta. O Trígono já era um “bom” Aspecto porque está frontal o suficiente para ser facilmente visivel, mas deslocado o suficiente para não atrapalhar o caminho ou visibilidade do outro Planeta. Enquanto a Quadratura obriga o Planeta a desviar o olhar para o lado, perdendo a noção do caminho em frente, e o Sextil está tão no limite do campo de visão que não atrapalha mas ainda serve para orientar o Planeta dos limites que o rodeiam (daí ser considerado um Aspecto informativo mas relativamente fraco). A Conjunção acaba por ser o Aspecto mais “romântico”, porque é associado a dois Planetas que, juntos, olham na mesma direcção, reforçando-se um ao outro. É também por isto que a Conjunção é o único Aspecto considerado “neutro” (o efeito dependente da natureza dos Planetas), enquanto os outros são divididos entre “bons” e “maus”.

Contudo, na passagem do século XVI para XVII, surgiu um outro homem que tentou revolucionar a Astrologia, chamado Johannes Kepler, um Capricorniano alemão que era matemático, astrónomo… e astrólogo – soa familiar? Muitos apontam-no como o último astrólogo Tradicional Clássico, visto que foi exactamente no século XVII que a Astrologia Tradicional foi removida das universidades e tornou-se, oficialmente, defunta, mas podemos dizer também que Kepler foi o primeiro astrólogo moderno, pois ele colocou em causa praticamente tudo o que os astrólogos até então afirmavam, mostrando-se rebelde, contestatário, e até arrogante, pondo em causa o Zodíaco, as Casas, e muito mais.

Certos astrólogos, que seguem abordagens mais filosóficas e espirituais, propõem a teoria de que Kepler surgiu nessa altura exactamente para dar nova vida à Astrologia, e acabar com a estagnação que tinha sido criada no seio da disciplina mas, como hoje sabemos, o esforço dele não foi suficiente para actualizar a Astrologia. Apesar disso, os estudos dele induziram a muito do que hoje chamamos de “Astrologia Moderna”, e destaca-se a conclusão de que existem, pelo menos, três outros Aspectos importantes a serem considerados num Horóscopo, que são:

- Quintil (72º)
- Bi-Quintil (144º)
- Sesquiquadratura (135º)

Uma das razões para chegar a esta conclusão tem a ver com a divisão natural de uma circunferência (360º). Ora, se a Oposição é a divisão da circunferência em 2 (360/2=180), o Trígono é a divisão da circunferência em 3 (360/3=120), e a Quadratura representa a divisão da circunferência em 4 (360/4=90), porquê saltar logo para o Sextil na divisão da circunferência em 6 (360/6=60)? Por outras palavras, porque não uma divisão da circunferência em 5 (360/5=72) ou outros números? Nasceu então a teoria das “Harmónicas” (mais um termo musical, reparem bem). Se tiverem interesse em aprofundar o estudo de Kepler neste sentido, sugiro veementemente o livro “Harmonices Mundi” (traduzido para inglês como The Harmony of the World“, mas é possível que esteja disponível em outras linguas).

Desde então, quase todos os astrólogos de renome internacional como William Lilly, Michel Gauquelin, Alfred Witte, e muitos outros, desenvolveram teorias e interpretações com base no trabalho de Johannes Kepler.

Claro que Kepler não se baseou só no cálculo geométrico, mas também na observação dos Aspectos e dos resultados práticos que ficaram demonstrados, e na analogia às escalas de música. Aliás, ele propôs vários outros Aspectos mas, mais tarde, rejeitou-os porque não se encaixavam nesta teoria das harmonias musicais – o Septil (360/7=51,428571[...]), por exemplo, é dissonante.

Apesar disso, no século XX, alguns astrólogos, dos quais destaca-se o britânico John Addey, começaram a dar maior importância a alguns desses Aspectos dissonantes, pegando na teoria original das Harmónicas e expandindo-as – dando vida ao tal terceiro grupo de Aspectos, a que chamamos de “Ternários” (ou Addeyanos).

Enfim, basta de História da Astrologia. O que interessa saber é o que funciona ou não, e como. Porém, antes de começar a mandar “bitaites”, é preciso fazer uma passagem pelo Zodíaco, para que se entenda um pouco da origem das interpretações dos Aspectos.

Ao longo dos anos, já encontrei alguns livros de introdução à Astrologia que, algures na secção de “Signos”, afirmam que cada um dos 12 Signos do Zodíaco correspondem a um grupo de graus na Roda Zodiacal, ou a um grau específico dessa Roda. Contudo, em poucos casos, afirmam que é devido a isso que as Casas Astrológicas têm um significado semelhante ao Signo correspondente (o que não é bem verdade, e só faria sentido no Sistema de Casas Iguais) e, na maioria dos casos, nem sequer explicam a importância dessa associação, passando rapidamente ao capítulo seguinte.

Eis a listagem que, de uma forma ou outra, vos deve ser familiar:

- CARNEIRO = 0º ou 360º
- TOURO = 30º
- GÉMEOS = 60º
- CARANGUEJO = 90º
- LEÃO = 120º
- VIRGEM = 150º
- BALANÇA = 180º
- ESCORPIÃO = 210º
- SAGITÁRIO = 240º
- CAPRICÓRNIO = 270º
- AQUÁRIO = 300º
- PEIXES = 330º

Para alguns, este é o momento em que se acende uma lâmpada em cima da cabeça. Vamos confirmar isso.

A Conjunção é descrita como um Aspecto de começo, onde se inicia um novo ciclo, onde os dois Planetas ganham força e impulso (Carneiro). A Oposição é descrita como um Aspecto de confronto, onde dois pólos que se opõem devem encontrar um equilíbrio, e onde há quase sempre um encontro com outra pessoa que vai representar um desses pólos enquanto nós representamos o outro (Balança).

Os restantes Aspectos, porém, têm duas interpretações, dependendo de estarem em fase Crescente ou Minguante. O Trígono, por exemplo, tem a sua interpretação associada a termos como “criatividade” (fase Crescente, ou seja, Leão) ou “facilitismo” (fase Minguante, ou seja, Sagitário). Infelizmente, o que acontece com alguns astrólogos é que parecem não saber disto e então, não só não distinguem entre as duas fases do Aspecto, como tendem a extrapolar outros significados com base na experiência pessoal – o que, por sí só, não está errado, mas sem conhecer as bases, ou sem ter um método-base como ponto de partida, tende a dar resultados pouca credíveis.

Agora, isto levanta uma questão importante:

- Se cada Signo cobre 30º do Zodíaco, como diferenciamos, por exemplo, um Sextil de um Quintil, visto que ambos pertencem ao segmento Zodiacal de Gémeos, na fase Crescente?

Através dos Decanatos. Neste exemplo, um Sextil Crescente é, sem dúvida, associado a Gémeos, duas vezes, visto que o primeiro Decanato de Gémeos é regido por Mercúrio. Porém, o Quintil, está associado ao segundo Decanato de Gémeos, regido por Vénus, daí ser um Aspecto que costumamos interpretar como um “talento artístico” nos Horóscopos Natais de uma pessoa. Já agora, em fase Minguante, notem que o Quintil pertence ao segundo Decanato de Capricórnio, ou seja, regido por… Vénus (outra vez)! Surpresos?

Isto tráz-me a um assunto que eu levantei há algumas semanas atrás, quando expressei a minha opinião sobre alguns astrólogos populares, nomeadamente, Noel Tyl. Nesse texto, um dos pontos que mencionei foi a respeito desse senhor clamar que descobriu um Aspecto importante, de 165º, a que chamou de “Quindecile”. Não aprofundei muito o assunto, prometendo que o faria quando falasse de Aspectos (e estou a fazê-lo, finalmente), mas ainda disse que o principal problema é que já havia um Aspecto com o mesmo nome, mas de 24º, como representante principal da décima-quinta Harmónica (360/15=24).

Agora que estamos familiarizados com as bases de interpretação de um Aspecto, podemos ver com mais clareza que estes dois Aspectos têm muito pouco, ou nada, em comum. O Quindecile Crescente está associado ao terceiro Decanato de Carneiro (Júpiter), e Minguante está associado ao terceiro Decanato de Peixes (Marte e, possivelmente, Plutão). Por outro lado, o Aspecto de Noel Tyl (sinceramente, nem sei o que lhe hei-de chamar… “Noeltile”?) em fase Crescente está associado ao segundo Decanato de Virgem (Saturno), enquanto na fase Minguante está associado ao segundo Decanato de Balança (Saturno). Não é de admirar que Noel Tyl descreva este Aspecto como um ponto de obsessão e rigidez, visto que o perfecionismo do segundo Decanato de Virgem é levado ao extremo quando ligado a Saturno, mas parece que a fase Minguante deste Aspecto tem uma vertente mais ligada a um sentido de ordem, justiça, e equilíbrio exacerbado por alguma tendência a querer impõr esses valores no exterior.

Chegamos então ao momento em que vou partilhar de uma teoria exclusivamente minha, e que é a seguinte:

- Todos os Planetas estão em constante Aspecto.

O que muda é a forma e magnitude do Aspecto (isto pode encaixar na teoria de Ressonâncias levantada pelo astrofísico poláco, Slawomir Stachniewicz, que referi no texto “Uma Abordagem Científica“, há duas semanas atrás).

Esta teoria acaba, também, por propôr uma alternativa à teoria das Orbes. Em Astrologia, já todos percebemos que as coisas não acontecem só quando um Aspecto está em posição exacta, e justificamos isso com o conceito de “margem de acção”, mas talvez não seja por acaso que o tema das Orbes seja dos mais polémicos e varia tanto de astrólogo para astrólogo. Talvez o que aconteça seja uma configuração muito mais complexa e subtil de Ressonâncias entre Planetas que só é observada quando levamos em consideração todas as variações Harmónicas possíveis num Horóscopo.

De qualquer forma, não vou aprofundar agora este assunto. Já têm aqui muito para digerir mas, num futuro texto, continuarei a falar de Aspectos, aprofundando o assunto das Orbes, mas também abordando as Dissociações, e o efeito dos Aspectos fora dos Horóscopos Natais.

Até à próxima.

Sábado, 24 Janeiro 2009 Publicado por Carlos | Aspectos, Astrologia | , , , , , , , | Sem comentários ainda