Astrologia

Ciência e Educação

Que Raio Sabemos Nós? – 2

Na semana passada, terminei a dizer o seguinte:

[...] quando se ouve algum astrólogo referir-se à física quântica como a ciência que vai provar a validade da Astrologia, estão mais a pensar no facto de sabermos que tudo é energia (até a matéria mais densa) e, portanto, é legítimo pensar que a razão pela qual os astros nos influenciam não é por algum tipo de “força” ou “radiação” emitida por eles, mas sim porque todos nós, e a vida em geral, é feita do mesmo material que esses planetas: pura energia.

Muito bem, o filme “What the Bleep Do We Know? Down the Rabbit Hole“, que referi a semana passada, aborda essa ideia ainda mais em detalhe com o conceito de “Entanglement” que, em português, podemos traduzir por “Entrelaçamento”.

Em resumo, se o universo nasceu do “Big Bang“, ou seja, de um ponto originário onde tudo estava junto, então podemos presumir que ainda hoje, tudo no universo partilhe dessa ligação original. A energia dessa explosão primordial dispersou-se e tomou muitas formas mas, ao nível sub-atómico, ainda é a mesma energia, o que torna a teoria, do ser humano ser feito da mesma essência que os Planetas, muito sedutora.

Vejamos mais um excerto do filme, sobre este assunto:

Note-se, portanto, que aqueles astrólogos que há muito tempo usavam este argumento (de sermos todos um), mesmo sem saberem nada de física quântica, estavam no caminho certo! Pelo menos, aparentemente, claro.

Isto faz-me lembrar, novamente, daquela velha citação de Carl Sagan, que eu publiquei há uns meses atrás, no meu texto sobre “Cepticismo“, e que acho pertinente citá-la de novo:

[...] não conseguimos pensar em nenhum mecanismo pelo qual a Astrologia poderia funcionar. Isto é certamente um ponto relevante mas por sí só não é convincente.

Nenhum mecanismo era conhecido para o “movimento” dos continentes (agora subsumido em placas tectónicas) quando foi proposto por Alfred Wegener no primeiro quarto do século XX para explicar uma série de dados confusos em geologia e paleontologia (veias de rochas e fósseis pareciam seguir continuamente do zona Este da América do Sul até ao Oeste de África; terão os dois continentes alguma vez estado ligados e o Oceano Atlântico ser novo?).

A ideia foi redondamente desprezada por todos os grande geofísicos, que estavam certos que os continentes eram fixos, não flutuavam em nada, e logo incapazes de “movimento”.

Em vez disso, a ideia chave do século XX em geofísica acabou por ser as placas tectónicas; agora entendemos que as placas continentais de facto flutuam e “movem-se” (ou melhor, são carregadas por uma espécie de corredor móvel conduzido pelo grande motor de calor do interior da Terra), e todos aqueles grandes geofísicos estavam simplesmente errados.

Para a próxima semana há mais.

Até à próxima.

Sábado, 4 Abril 2009 Publicado por Carlos | Astrologia, Investigação, física quântica | , , , , , | Sem comentários ainda

Que Raio Sabemos Nós? – 1

Que raio sabemos nós? Esta pergunta é algo que todos deviamos fazer a nós mesmos, em tudo o que vemos e fazemos mas, ao mesmo tempo, é o título de um filme/documentário que foi lançado em Fevereiro de 2004, nos EUA, com o nome “What the Bleep do We Know?

Já há algum tempo que eu queria falar deste assunto, mas o tema é tão extenso que eu comecei a ver que teria que publicar vários textos só para conseguir cobrir um pouco daquilo que queria abordar.

A essência do filme é sobre a Física Quântica, e faz um excelente trabalho a simplificar, para os leigos, o que é esse (relativamente) novo ramo da ciência. Talvez até seja um pouco simplista demais, mas é por isso que devemos sempre pesquisar e aprofundar tudo o que nos é dito.

Antes de mais, porém, convem dizer que existem duas versões deste filme:

1 – a primeira trata-se de um filme com 120 minutos que, na verdade, é bastante desapontante porque tenta ser mais “filme” do que “documentário” – não explicando, portanto, as partes mesmo científicas e abordando muito pouco das entrevistas feitas a cientistas de várias áreas. Esta é a versão que existe legendada em português e pode, facilmente, ser encontrada em várias das principais superfícies comerciais em Portugal (não sei como será no Brasil, lamento).

2 – mais tarde (salvo o erro, em 2007), foi lançado uma espécie de “remake” do filme, mais longo (180 minutos), e com muito mais ênfase na perspectiva científica que o filme originalmente queria passar. Esta versão distingue-se da primeira pelo facto de vir num pacote de 6 DVDs, e com o nome “What the Bleep do We Know: Down the Rabbit Hole” que, infelizmente, ainda não está disponível em Portugal, nem se prevê para breve (de acordo com as últimas informações que recebi).

O filme não refere a Astrologia, em concreto, sendo até bastante neutro no que toca às implicações da física quântica face a outras ciências. Contudo, algumas das principais experiências demonstradas no filme podem ser associadas a conceitos da Astrologia e, de certa forma, é isso que vou tentar abordar neste texto, e nos próximos.

Para não me dispersar, esta semana vou apenas falar do caso chamado “Double Slit Experience” ou, traduzido para português, “Experiência da Dupla Fenda”.

Vejam este video:

Agora, isto não parece ter nada a ver com Astrologia, pois não? Se calhar, até nem tem, mas noto várias semelhanças entre o que acontece aos electrões (microcosmos) nesta experiência, e aquilo que acontece no universo (macrocosmos), onde a vida humana está incluída e é, apenas, uma das suas muitas expressões materiais.

De qualquer forma, isto sou eu a pensar demais. Normalmente, quando se ouve algum astrólogo referir-se à física quântica como a ciência que vai provar a validade da Astrologia, estão mais a pensar no facto de sabermos que tudo é energia (até a matéria mais densa) e, portanto, é legítimo pensar que a razão pela qual os astros nos influenciam não é por algum tipo de “força” ou “radiação” emitida por eles, mas sim porque todos nós, e a vida em geral, é feita do mesmo material que esses planetas: pura energia.

Se é só isso, ou muito mais, deixo ao vosso critério enquanto meditam no assunto.

Até à próxima.

Sábado, 28 Março 2009 Publicado por Carlos | Astrologia, Investigação, física quântica | , , , , , | Sem comentários ainda

Dia Internacional da Astrologia

É interessante pensar que em Fevereiro passado, falei do Dia dos Namorados porque este calhou exactamente num Sábado, ou seja, no dia de publicação dos meus textos neste blog.

Agora, pouco mais de um mês mais tarde, acontece outra data marcante num destes Sábados – o Dia Internacional da Astrologia.

Isto é ainda mais pertinente se pensarmos que, ainda há algumas semanas, quase todos os meios de comunicação social andavam a noticiar que 2009 é o “Ano Internacional da Astronomia”, e algumas pessoas que eu conheço rapidamente se lembraram que, se houvesse justiça, também haveria um “Ano Internacional da Astrologia”.

Com efeito, ainda não temos um ano inteiro dedicado à Astrologia, mas já faltou mais e, até isso acontecer, vamos celebrando o facto de termos um dia dedicado a esta ciência.

Em rigor, a data que este dia tenciona celebrar – o começo do Ano Astrológico – não é fixo. Este ano (2009), por exemplo, o Ano Astrológico (ou Ano Natural, se preferirem) começou ontem, no dia 20, quando o Sol entrou, oficialmente, no Signo de Carneiro. No entanto, como esta data pode variar entre os dias 19 e 22, e o Astro-Entretenimento popularizou a data de “21 de Março” como o começo deste Signo, foi decidido em 1993 – por uma organização de astrólogos americana – que o dia 21 seria o mais apropriado.

De qualquer forma, quer o celebrem na data em que o Sol entra, efectivamente, em Carneiro, ou na data “popular”, o importante é lembrarem-se que este fim-de-semana marca o “aniversário” da Astrologia Moderna, e isto pode ser visto como um “Retorno Solar” dela (como entidade).

Claro que, se quiserem fazer o Horóscopo do ano, os dados correctos serão os que vou dar a seguir. Caso contrário, se usarem a data “popular”, vão apenas olhar para um Horóscopo que não corresponde a nada em concreto.

Existem, pelo menos, três Horóscopos que eu considero interessantes de serem explorados. O primeiro, trata-se do primeiro “Dia Internacional da Astrologia”, e aquilo que representou para a Astrologia, na altura.

Eis os dados:

- 20 de Março de 1993, às 15:41, em Portugal

Se fizerem o Horóscopo para outro país, a hora irá mudar. De qualquer forma, o que importa aqui é a perspectiva portuguesa deste “ciclo” que nasceu nessa data.

Façam o Horóscopo e tirem as vossas próprias conclusões. Penso que mesmo quem entende pouco de Astrologia, rapidamente percebe que é um Horóscopo complicado, só de olhar para a figura!

Porém, notem algumas curiosidades, como o Regente do Horóscopo (Sol), assim como o Regente do Meio-do-Céu (Vénus), ambos em Carneiro (iniciativa e começo) e na Casa 9 (área de conhecimento). Infelizmente, a Vénus está Debilitada e Retrógrada.

Entretanto, o Dispositor destes dois astros (Marte), encontra-se na Casa 12 e seriamente mal aspectado, tendo apenas um Trígono a Mercúrio mas este último estando também seriamente Debilitado (Peixes) e Retrógrado.

É apenas uma breve observação dos pontos mais óbvios deste Horóscopo, mas notem como descreve na perfeição as dificuldades que a Astrologia tem passado aqui em Portugal (e não só, claro, mas estou a focar-me no panorama nacional de propósito).

Desde a irracionalidade demonstrada por este posicionamento de Mercúrio, passando pela crise de identidade e afirmação demonstrada por Quíron (em Leão, na Casa 1, em Conjunção ao Ascendente e Oposição a Saturno), todas as temáticas que conhecemos estão presentes.

Felizmente, para todos os problemas há saidas. Aliás, é para isso que serve o estudo da Astrologia.

O Regente do Horóscopo (Sol) dá-nos logo a primeira pista: é preciso coragem, força, e iniciativa. Propensão para desenvolver novos projectos, em vez de nos agarrarmos aos projectos de terceiros (Nodo Lunar Norte em Sagitário, na Casa 5). Eliminar os pensamentos retrógrados e que só servem para travar o avanço da ciência (Plutão em Escorpião, em Quadratura exacta a Saturno em Aquário), e em Trígono ao Sol referido no princípio. Finalmente, Úrano e Neptuno, ambos em Capricórnio (quebra radical e dissolução das estruturas), sob Oposiçao Aplicativa de Marte, como símbolos de guerra aberta.

Olhemos agora para o Horóscopo do ano que acabou (2008), como imagem simbólica do ciclo que terminou ontem, e também para o Horóscopo do novo ano (2009), como símbolo daquilo que podemos esperar para breve – e comparemo-los.

Eis os dados:

- 20 de Março de 2008, às 05:49, em Portugal.

- 20 de Março de 2009, às 11:44, em Portugal.

No primeiro Horóscopo, o mais óbvio é que Júpiter é o Regente Principal do Horóscopo e, ao mesmo tempo, do Meio-do-Céu. Assim de repente, podemos afirmar que foi um ano de clara expansão da Astrologia em Portugal e, de facto, o surgimento de novos cursos, assim como a reformulação de alguns antigos, foi bastante óbvia.

Há também toda uma nova identidade e abordagem, como demonstram os quatro Planetas na Casa 1. Contudo, Mercúrio está no “malfadado” Signo de Peixes, demonstrando o claro domínio das perspectivas esotéricas e, na maioria dos casos, irracionais. Curiosamente, repete-se o Trígono a Marte que houve também em 1993, mas não a série de Quadraturas e Oposições que havia na altura… sinal de progressos!

Outro ponto positivo é que Vénus está mais “saudável”, em Peixes, embora ainda sofra de uma Conjunção a Úrano e duas Oposições, uma da Lua e outra a Saturno.

No Horóscopo deste ano, porém, o foco passa a ser da Lua (Regente do Horóscopo), Júpiter (Regente Principal do Meio-do-Céu), e Neptuno (Regente Secundário do Meio-do-Céu).

Começando pelo fim, estes dois últimos estão em Conjunção no Signo de Aquário, e ambos na Casa 9, o que promete expansão em grande escala nesta área (até demais, visto que Neptuno não tem limites, e Quíron está no meio dos dois). No entanto, pode haver alguma compensação vinda de Saturno, visto que este é o Dispositor Principal desses dois Planetas, e está em Oposição a Úrano (Dispositor Secundário).

Para além disso, a Lua que referi está debilitada em Capricórnio, ou seja, Disposta também por Saturno. Se considerarmos que Plutão está, desta vez, em Quadratura ao Sol – e é um Plutão também Disposto por Saturno – penso que a interpretação mais correcta será a de estagnação no seio da Astrologia. Poderia ir mais longe e falar de “revezes” e “desilusões” mas acontece que Saturno está Retrógrado, por isso, não me parece que esteja com toda a “pica” que teria noutras situações.

Em síntese: um ano de manutenção… continuação e maturação de trabalhos começados antes.

Esta é, pelo menos, a minha perspectiva. Quem quiser aprofundar estes três Horóscopos apresentados, ou mesmo abordar outro de anos passados, é bem vindo a comentar (textos curtos, por favor), ou enviar-me e-mails.

Até à próxima.

Sábado, 21 Março 2009 Publicado por Carlos | Astrologia, Datas Específicas | , , , , , , , , | Sem comentários ainda

Melanie Reinhart

Fez ontem uma semana que a astróloga Melanie Reinhart esteve cá em Portugal para dar uma conferência gratuita acerca do planetóide Quíron, no local mais apropriado para isso, ou seja, o “Quíron – Centro Português de Astrologia”, em Lisboa.

No mesmo local, mas no dia seguinte, deu um Workshop (este pago) sobre o tema, que começou pela visão mitológica de Quíron e, lentamente, entrou naquilo que podemos chamar de “teorias de interpretação astrológica” do astro propriamente dito.

Não vou aprofundar o conteúdo do que foi dito porque este texto não visa falar de Quíron (isso ficará para um futuro texto, talvez), mas sim da astróloga Melanie Reinhart – e explico porquê de seguida.

Pegando nas palavras introdutórias do astrólogo Alan Oken, que também esteve presente nos dois eventos, “esta é uma verdadeira astróloga” e, de facto, é por essa razão que resolvi dedicar um texto a falar sobre ela.

Como já disse algumas vezes, são muito poucos os astrólogos sérios no mundo moderno, e ainda menos aqueles que se especializam em algo, mas Melanie Reinhart é uma dessas especialistas. Como se isto não bastasse, ela especializou-se em algo que é muito mais complexo do que o típico aprofundamento das técnicas e teorias tradicionais da Astrologia.

A sua especialidade são os Centauros, um grupo de astros que, não só representam descobertas “recentes” da humanidade, como estão fora da categoria dos Planetas, e também fora da categoria dos Pontos Calculados – que são os ingredientes principais da Astrologia, como a conhecemos.

O seu livro mais conhecido chama-se “Chiron and the Healing Journey – an Astrological and Psychological Perspective” (disponível em português do Brasil sob o nome “Quiron e a Jornada em Busca da Cura“), cuja primeira edição saiu em 1989. A segunda edição, foi publicada em 1998, e clama na capa ser uma “Updated Edition”. No entanto, tive oportunidade de privar um pouco com a Melanie no fim-de-semana e, entre outras coisas, ela revelou-me que iria lançar ainda este ano (2009) uma terceira edição deste livro, com acréscimos de toda a perspectiva astronómica que ela referiu durante o Workshop.

Portanto, não se sintam com pressa de comprar edições em segunda mão deste livro porque, muito em breve, haverá uma nova edição (falta saber é se será traduzida para português e, se sim, quando – mas isso está fora das mãos dela). Notem que há um espaço de cerca de 10 anos entre cada edição, e cada uma tráz melhoramentos e adições. Isto é o trabalho contínuo de um verdadeiro astrólogo, ao longo de uma vida dedicada a isso.

Embora durante muito tempo, a Melanie se tenha referido à Astrologia como uma “arte de cura”, ficou claro durante a nossa conversa, e também para quem ouviu com atenção o que foi dito publicamente ao longo do fim-de-semana, que ela cada vez mais vê a “ciência” de todo o trabalho que tem feito, e isto é também uma mudança importante.

Nem sempre escrevo sobre bons astrólogos, aliás, esta é apenas a segunda vez que o faço publicamente desde que lancei este blog há quase 8 meses atrás (a primeira foi sobre Robert Hand) mas, como disse antes, é extremamente dificil encontrar praticantes de Astrologia que estejam a um nível que possamos chamar de “recomendável”.

Faço menção ao que encontro e conheço dentro destes padrões de qualidade, sempre que posso, para que estes bons exemplos se tornem mais públicos e ganhem mais reconhecimento do que aqueles que não merecem a publicidade que, infelizmente, ainda têm.

Venham mais, e venham melhores – e cabe a vocês, o público, ajudar nisso também.

Até à próxima.

Sábado, 14 Março 2009 Publicado por Carlos | Astrologia, Astrólogos | , , , , , , | 2 Comentários

Colectânea de Mitos – 1

Talvez se recordem que, nos primeiros textos que escrevi aqui no blog, eu disse que tentaria abordar os vários mitos e falácias que existem por aí sob o nome da Astrologia ou, de alguma forma, relacionados com ela.

Contudo, reparei que alguns deles são tão fáceis de desmistificar que não justificam um texto exclusivo. Daí nasceu a base para o texto desta semana, ou seja, fazer um apanhado de alguns desses pequenos pontos – e penso que até faz um texto de leitura muito fácil, o que é simpático para aqueles visitantes que não gostam muito de ler aqueles longos textos que eu, por vezes, coloco aqui.

Vamos a isso, sim?

- A Lua influencia as marés, logo, é natural que afecte também o ser humano porque 75% do nosso corpo é feito de água.

Posto de forma directa e simples, este argumento é completamente falso. Aliás, é mais do que falso: é estúpido.

Isto é o que acontece quando os pseudo-astrólogos, numa tentativa desesperada de ganhar credibilidade naquilo que fazem, procuram agarrar-se a princípios científicos de outras disciplinas, sem terem conhecimento das mesmas, em vez de se esforçarem por fazer a Astrologia valer por sí mesma. O resultado é demonstrarem ainda mais que são ignorantes, e afundam com eles a (pouca) credibilidade que, até então, poderiam ter.

A Lua afecta as marés devido ao efeito da gravidade. Acontece que a gravidade da Lua só afecta GRANDES porções de água, tal como os oceanos. Notem que a Lua não tem o mesmo efeito num lago, muito menos numa piscina, e ainda menos numa banheira. Isto, aliás, é um teste que podem fazer em casa… encham a banheira de água, e esperem. Vão concluir que não há “maré alta” nem “maré baixa”. Porquê? Porque a gravidade da Lua não é suficiente para afectar uma porção tão pequena de água. Considerem agora que a água que temos no nosso corpo é ainda menor do que aquela presente numa banheira cheia.

Conclusão: o efeito da Lua sobre as marés (influência gravitacional) não tem nada a ver com o seu efeito sobre o comportamento do ser humano (influência astrológica).

Como pequeno aparte, o número “75″ que é tantas vezes referido como a percentagem de água no corpo humano está também errado. Na verdade, só nos bebés é que há uma percentagem desse nível de água. Em adulto, o ser humano tem entre 55% e 60%, tendo os homens um pouco mais do que as mulheres (o que significa que, se este mito fosse verdade, seriam os homens mais afectados pela Lua do que as mulheres). Ainda assim, isto varia imenso de pessoa para pessoa, de acordo com a sua alimentação, ambiente em que vive, etc.

- Em Astrologia, a Lua representa a mulher, e o ciclo da Lua à volta da Terra corresponde ao ciclo menstrual das mulheres.

Este é mais um mito defendido por “astrólogos” pouco informados. Simplesmente, fazem uma comparação a algo que “soa bem” ou “faz sentido” e começam a regurgitar a informação como se fosse facto.

Em primeiro lugar, a Lua tem dois ciclos: o Sideral e o Sinódico.

O ciclo Sideral (assim chamado porque corresponde ao percurso completo da Lua à volta da Terra, com as estrelas como ponto de referência) é de 27 dias, 7 horas, 43 minutos, e 11 segundos – ou 27,25 dias, para simplificar – e equivale a 13º de movimento no Zodíaco.

Porém, ao longo desses 27 dias, o Sol também avança no Zodíaco (ou melhor, a Terra é que avança mas, em termos geocêntricos, dizemos desta forma – embora o resultado prático seja o mesmo), o que significa que a Lua terá que levar mais algum tempo (cerca de 2 dias) até parecer estar na mesma Fase Lunar que estava quando começou o ciclo (de uma Lua Nova até outra Lua Nova, por exemplo). A este segundo ciclo, chamamos Sinódico.

O ciclo menstrual das mulheres, porém, não é fixo e, embora se diga que a média seja de 28 dias (que cai, de facto, no ponto intermédio entre os dois ciclos Lunares), são poucas as mulheres que, realmente, têm essa periodicidade de forma natural. Aliás, em termos médicos, só se considera, por exemplo, a Polimenorreia e a Oligomenorreia quando o ciclo menstrual da mulher é inferior a 21 dias, ou superior a 35, respectivamente (sendo qualquer período intermédio considerado “normal”, bem entendido).

Para alguns, aquele pormenor da média do ciclo menstrual calhar no ponto intermédio dos dois ciclos lunares será motivo suficiente para saltarem da cadeira a gritar “mas isso é a prova que estão ligados!!” Não… é a prova que são crédulos, só isso.

Dadas as devidas distâncias, a lógica deste mito é semelhante a dizer “a bateria do meu telemóvel vai sempre abaixo quando falo mais de 4 horas seguidas nele, mas dura vários dias quando o uso para outras coisas sem falar, logo, é o som da minha voz que gasta a bateria do telemóvel”.

Só porque algo “parece” não significa que “seja”. É por isso que tudo deve passar pelo rigor da metodologia científica, caso contrário, não passa de crença.

Nem sequer preciso abordar a questão das mulheres que, por questões de idade (e não só), não têm um ciclo menstrual de todo, pois não?

Conclusão: apesar dos períodos terem durações semelhantes, não há qualquer correspondência entre um fenómeno e outro.

- Segundo os astros, quando vou morrer?

Aquilo que se sabe hoje em dia é que este tipo de informação não tem resposta possivel, de todo.

Talvez a prova mais flagrante disso esteja no facto de pessoas que nasceram no mesmo minuto, e até no mesmo segundo, não morrem na mesma data – aliás, as mortes são até bem dispersas pelo tempo.

De uma certa forma, voltamos à velha questão do “Destino vs Livre-Arbítrio” que já abordei há alguns meses. A morte não é algo que escolhemos (na maior parte das vezes), mas é o resultado do que fizémos antes de lá chegar.

Conclusão: a menos que haja uma técnica “perdida” que não envolva o Horóscopo Natal, o que podemos dizer é que não há conhecimento de tal informação ser acessível através da Astrologia.

———

Haverão, certamente, muitos mais pequenos mitos e falácias como estas que apresentei hoje mas ficarão para outro dia. Por hoje, espero que saiam daqui bem mais esclarecidos do que quando chegaram.

Até à próxima.

Sábado, 7 Março 2009 Publicado por Carlos | Astrologia, Desmistificação | , , , , , , , , | 1 Comentário

Carnaval 2009 vs Dia dos Namorados

Tecnicamente, o dia de Carnaval será 24 de Fevereiro, mas o período festivo começa dia 21 e prolonga-se até dia 25. É verdade que algumas pessoas terão que trabalhar ao fim-de-semana mas, se pensarmos nisso, então também haverão pessoas a trabalhar no próprio dia de Carnaval. Prefiro, por isso, falar do período festivo como um todo e desejar muita paciência e coragem àqueles que não vão poder aproveitá-lo da melhor forma.

Nesse Sábado, dia 21, o dia começa logo bem com a publicação de mais um texto meu… hehe. Estou a brincar. Embora isso seja verdade, o que quero dizer é que, por volta da meia-noite (hora de Portugal Continental), a Lua estará no grau 17 de Capricórnio e, apesar de estar no seu Signo de Detrimento, estará em Trígono a Saturno e Sextil a Úrano – ambos Aspectos Aplicativos. Portanto, podemos dizer que o fim-de-semana começa devagar, mas bem, e com a promessa de melhorar. Claro que uma simples Lua não será suficiente para compensar qualquer outro Aspecto tenso que algumas pessoas estarão a passar em relação a outros Planetas mas, em termos de “ambiente geral”, este deverá ser o clima para as massas.

Domingo já é mais interessante, especialmente, a partir das duas da manhã, altura pela qual a Lua entra em Aquário. Querem melhor posição para a um Planeta em época de actividades de grupo? Como se não bastasse, aproxima-se, rapidamente, da sua Conjunção a Mercúrio, que ainda ocorre na noite deste dia, e a Júpiter, embora este último já só aconteça depois da meia-noite do dia seguinte.

Segunda-feira abre com a Conjunção exacta de Lua a Júpiter, e eu diria que será este o pico dos melhores momentos destes dias. O que vem a seguir também é divertido mas, em termos relativos, penso que perde um pouco. Por exemplo, logo perto do nascer do Sol, a Lua estará em Conjunção a Marte, o que pode representar os resultados de muita borga na noite anterior. Quem estiver a pensar em ultrapassar o limite legal da taxa de alcoolemia, sugiro que aguarde por outro dia. Nunca é boa ideia, mas hoje será particularmente estúpido.

Finalmente, o dia principal, a Terça-feira de Carnaval, abre com a Lua mesmo em cima de Quiron e Neptuno (mais exactamente, entre os dois). Dado o panorama geral dos outros Planetas, parece-me que este dia será adequado àquilo que esperamos do Carnaval – alegria, festa, actividades de grupo, etc. Pelo menos, o clima “astrológico” é propício a isso tudo. Continua, porém, a não ser um bom dia para trair a esposa com uma loira com cabeça, ou qualquer outro tipo de bejeca – especialmente, a partir da uma da tarde, quando a Lua ingressar em Peixes (embora, sejamos sinceros, quem é o bêbado que vai ler isto?).

Para acabar, dia 25 de Fevereiro, Quarta-feira, abre com uma Conjunção da Lua ao Sol, o que implica não só um bom rematar deste período, mas também o começo de um novo ciclo de Lunação sendo, portanto, uma óptima altura para dar os primeiros passos nalgum projecto que tem sido preparado nas últimas semanas.

Antes de encerrar o expediente, e fechar o estaminé, tenho ainda que falar do dia de hoje, ou seja, o famigerado Dia de São Valentim, melhor conhecido como Dia dos Namorados. Tal como o Ano Novo, e outras datas consideradas “especiais”, a verdade é que este dia não tem nada de especial mas, para os mais tradicionalistas, há sempre uma opinião menos racional que pesa mais.

Para esses, que clima astrológico nos espera nesse dia?

Começa bem, à meia-noite, com uma Lua em Balança, a fazer dois Trígonos Aplicativos, um a Neptuno, e outro ao Sol mas, ao mesmo tempo, começa a formar-se uma Quadratura a Mercúrio. Aspectos tensos da Lua a Mercúrio costumam resultar em uma de duas hipóteses:

- A pessoa segue os seus sentimentos mas, provavelmente, vai ter que quebrar alguma regra para isso (por exemplo, mentir a alguém, ou faltar a uma responsabilidade).
- A pessoa faz o que considera “correcto”, mas fica com uma sensação de insatisfação por causa disso.

Visto que Mercúrio está, ainda, em Capricórnio, um cenário possivel seria o de um dos parceiros dizer ao outro “hoje tenho que trabalhar, por isso, vemo-nos noutro dia”. Claro que pode ser trabalho, ou estudo, ou alguma responsabilidade do tipo “é Sábado e tenho que limpar a casa porque não tenho outro dia”, etc.

No entanto, como a Lua está em Balança, e isto implica alguma necessidade instintiva de ser politicamente correcto, a parte final da conversa pode acabar em algo como “para nós, dia dos namorados são todos os dias, amor, por isso, não celebrar hoje não será um problema, compensamos depois”. Os Trígonos dessa Lua, que referi acima, sugerem que, na maioria dos casos, essa conversa do bandido irá fluir facilmente, sem dramas.

De qualquer forma, isto tudo tem que ser aplicado aos Horóscopos dos casais em causa. Sei que estou a reiterar o óbvio, mas é algo que nunca é demais dizer até que fique gravado a fogo no subconsciente de todos.

Bom, resta-me desejar-vos a todos uns bons amassos para este fim-de-semana e, se não tiverem alguém para amassar… amassem-se a vocês mesmos, também faz bem à saúde.

Até à próxima.

Sábado, 14 Fevereiro 2009 Publicado por Carlos | Astrologia, Datas Específicas | , , , , , , , , , | Sem comentários ainda