Astrologia

Ciência e Educação

Que Raio Sabemos Nós? – 2

Na semana passada, terminei a dizer o seguinte:

[...] quando se ouve algum astrólogo referir-se à física quântica como a ciência que vai provar a validade da Astrologia, estão mais a pensar no facto de sabermos que tudo é energia (até a matéria mais densa) e, portanto, é legítimo pensar que a razão pela qual os astros nos influenciam não é por algum tipo de “força” ou “radiação” emitida por eles, mas sim porque todos nós, e a vida em geral, é feita do mesmo material que esses planetas: pura energia.

Muito bem, o filme “What the Bleep Do We Know? Down the Rabbit Hole“, que referi a semana passada, aborda essa ideia ainda mais em detalhe com o conceito de “Entanglement” que, em português, podemos traduzir por “Entrelaçamento”.

Em resumo, se o universo nasceu do “Big Bang“, ou seja, de um ponto originário onde tudo estava junto, então podemos presumir que ainda hoje, tudo no universo partilhe dessa ligação original. A energia dessa explosão primordial dispersou-se e tomou muitas formas mas, ao nível sub-atómico, ainda é a mesma energia, o que torna a teoria, do ser humano ser feito da mesma essência que os Planetas, muito sedutora.

Vejamos mais um excerto do filme, sobre este assunto:

Note-se, portanto, que aqueles astrólogos que há muito tempo usavam este argumento (de sermos todos um), mesmo sem saberem nada de física quântica, estavam no caminho certo! Pelo menos, aparentemente, claro.

Isto faz-me lembrar, novamente, daquela velha citação de Carl Sagan, que eu publiquei há uns meses atrás, no meu texto sobre “Cepticismo“, e que acho pertinente citá-la de novo:

[...] não conseguimos pensar em nenhum mecanismo pelo qual a Astrologia poderia funcionar. Isto é certamente um ponto relevante mas por sí só não é convincente.

Nenhum mecanismo era conhecido para o “movimento” dos continentes (agora subsumido em placas tectónicas) quando foi proposto por Alfred Wegener no primeiro quarto do século XX para explicar uma série de dados confusos em geologia e paleontologia (veias de rochas e fósseis pareciam seguir continuamente do zona Este da América do Sul até ao Oeste de África; terão os dois continentes alguma vez estado ligados e o Oceano Atlântico ser novo?).

A ideia foi redondamente desprezada por todos os grande geofísicos, que estavam certos que os continentes eram fixos, não flutuavam em nada, e logo incapazes de “movimento”.

Em vez disso, a ideia chave do século XX em geofísica acabou por ser as placas tectónicas; agora entendemos que as placas continentais de facto flutuam e “movem-se” (ou melhor, são carregadas por uma espécie de corredor móvel conduzido pelo grande motor de calor do interior da Terra), e todos aqueles grandes geofísicos estavam simplesmente errados.

Para a próxima semana há mais.

Até à próxima.

Sábado, 4 Abril 2009 Publicado por Carlos | Astrologia, Investigação, física quântica | , , , , , | Sem comentários ainda