Testes à Astrologia
Regra geral, é bem sabido que a grande maioria dos testes e experiências feitas à Astrologia têm demonstrado resultados bastante inconstantes ao longo dos tempos, facto esse que leva os mais “cépticos” a concluirem as mais variadas coisas, começando pela teoria da mera coincidência ou acaso, passando pela teoria que será a “intuição” do astrólogo que lhe dá alguns dos seus bons resultados em vez de alguma suposta validade científica do seu trabalho, e acabando na teoria que os bons resultados apresentados são forjados, de alguma forma, e como tal não têm relevância.
É também sabido, pelo menos por quem estuda Astrologia seriamente, que a grande maioria desses testes, ou experiências, têm uma abordagem que merece tudo menos ser chamada de “científica” ou sequer “rigorosa”, mas o problema aí está nas pessoas que organizam esses testes porque não estudam Astrologia e, como tal, não têm conhecimento sobre o que estão a testar, logo, sobre qual a metodologia correcta para o fazer. Mais do que isso, e como alguns cientistas e cépticos, felizmente, concordam, o problema desses testes e experiências é que se focam no astrólogo e não na Astrologia – ou seja, testam a capacidade de um indivíduo (ou vários) em vez da ciência propriamente dita.
Qualquer pessoa com um pouco de senso comum irá concordar que testar o conhecimento médico do “Dr. José da Silva” não é sinónimo da relevância da medicina em geral (ou falta dela).
Apesar disso, é curioso como sempre que alguém quer desacreditar a Astrologia, fazem-no com menção a esses mesmos testes e experiências, ignorando, convenientemente, aqueles em que os astrólogos testados até demonstraram resultados positivos.
Como exemplo, selecionei um video onde o psicólogo Michael Shermer resolveu desafiar um astrólogo que se especializa em Astrologia Védica, chamado Jeffrey Armstrong.
Eis os resultados:
É só um exemplo mas, retoricamente, pergunto se me sabem indicar alguém que seja contra a Astrologia e que faça referência a estes casos. Duvido que encontrem.
Eu poderia dizer que alguma da falta de exactidão demonstrada neste video deve-se, por exemplo, ao facto da Astrologia Védica não ter evoluido ao mesmo ritmo que a Astrologia Tradicional Moderna, mas como sabemos se o problema está no método (Astrologia Védica) ou no praticante?
Certamente que a Astrologia deve ser testada, e deve sê-lo por astrólogos, não por curiosos de outras especialidades científicas (e muito menos as não-científicas). No entanto, e como já fiz alusão diversas vezes por aqui, o problema está nos seguintes pontos:
1 – Falta de bons astrólogos
2 – Falta de conhecimento sobre metodologia científica por parte desses bons astrólogos
3 – Falta de recursos para fazer testes a uma escala cientificamente relevante
O terceiro ponto até já nem é o pior, visto que nas últimas duas décadas temos tido a ajuda dos computadores para reduzir o tempo de trabalho num projecto dessa envergadura, o que me leva a crer que estamos muito melhor posicionados para avançar com algo nos próximos anos. No entanto, faltam ainda os outros dois pontos, e encontrar alguém que preencha todos os requisitos acima é muito mais difícil do que possa parecer à primeira vista.
Pensando bem, Plutão em Aquário ainda está longe, por isso, sejamos pacientes.
Até à próxima.
Vénus Retrógrada – 1
Finalmente, Vénus voltou a Movimento Directo! Para quem não estava atento, Vénus iniciou a sua Retrogradação no dia 7 de Março e durou até hoje.
Pensei se não seria melhor ter falado disto na altura ou, pelo menos, durante a Retrogradação propriamente dita, mas acho que é mais fácil analisar um período, com clareza, depois de ter passado por ele, do que enquanto se está a vivê-lo na pele.
Até hoje só tinha falado de Mercúrio Retrógrado, e de como isso afecta as comunicações e os transportes. Agora penso ser uma boa altura para falar da Retrogradação de Vénus, visto que só voltaremos a ter outra daqui a 18 meses (período entre duas Retrogradações de Vénus).
Tal como disse em relação a Mercúrio, quando um Planeta está Retrógrado, ele funciona melhor através do seu Regente Nocturno que, no caso de Mercúrio, é Virgem e remete-nos para toda a temática da auto-crítica, perfecionismo e atenção ao detalhe, entre outras coisas.
No caso de Vénus, falamos de sentimentos, e a sua Retrogradação remete-nos a Touro. Ou seja, a um período de avaliação do valor das nossas relações e dos nossos gostos. Claro que isto deve ser focado nas Casas Astrológicas que estão sob regência natural e acidental de Vénus, assim como aquela (ou aquelas) que forem transitadas pela Vénus durante o período de Retrogradação e Estação (tanto no começo como no fim).
É preciso ter em conta, também, o Signo onde a Retrogradação se dá. Neste caso, estamos a falar do Signo de Carneiro como abertura da Retrogradação, o que puxa pelas tónicas de Marte e Sol para a interpretação, mas há também um ligeiro toque em Peixes, mesmo no momento de desaceleração da Vénus ao longo da sua última semana de Movimento Retrógrado – mais exactamente, desde o último Sábado, dia 11 de Abril – que obriga-nos a considerar Marte (outre vez), Júpiter, Neptuno, e Plutão.
O que é que isto tudo significa? Obviamente que depende de pessoa para pessoa porque ninguém tem a mesma combinação de Horóscopo e situação de vida mas, em termos gerais, foi um período muito propenso a tomadas de decisão imprudentes e justificadas pelos motivos errados. Sendo assim, e para aqueles que se deixaram levar pelos “ventos” do momento, é muito provável que os próximos tempos (agora que a Vénus recuperou o seu Movimento Directo e vai acelerar) sejam em busca de corrigir o que foi mal feito, remendar o que não tem concerto, e tentar racionalizar a situação (Vénus através de Balança).
Até à próxima.
Que Raio Sabemos Nós? – 3
Bem-vindos à terceira parte da série de videos sobre Física Quântica que vos tenho apresentado como ciência paralela à Astrologia.
Uma das coisas que eu digo sempre, e penso ser do senso comum, é que é de extrema arrogância acharmos que já temos todas as respostas. Que só porque algo não nos faz sentido hoje, não possa vir a fazer amanhã. Para mim, estas “prisões mentais” que as pessoas criam – mas que preferem chamar de “realismo” – é apenas um processo de auto-bloqueio que trava e atrasa o potencial conhecimento humano.
A citação de Carl Sagan, que apresentei pela segunda vez na semana passada, fala exactamente disso. De como algumas pessoas são tão cépticas que caiem do cepticismo “saudável” para o cepticismo “doentio”, onde a única coisa que conta é aquilo que eu vejo e sei, negando a existência de qualquer outra coisa.
O filme, do qual tenho tirado alguns excertos para mostrar, aborda também essa ideia retrógrada, com um comentário muito interessante por parte da personagem do Dr. Quantum, quando ele diz “se olharmos só para aquilo que conhecemos, como é que alguém alguma vez irá ver algo de novo? O desconhecido? Como é que alguma vez iremos sair da nossa caixa?”
Eis o video, onde, como exemplo, é mostrado o que poderia acontecer se num mundo bidimensional, de repente, alguém descobrisse a tridimensionalidade (uma nova dimensão para a qual não estavamos conscientes antes):
Ok, por esta altura, alguns já estarão a pensar que isto é maluquice a mais, e que é uma afronta à lógica e bom senso estar a misturar estas coisas das múltiplas dimensões e mundos invisiveis com citações de cientistas sérios como o senhor Carl Sagan!
Pois, acontece que este video nem sequer é o primeiro a falar do assunto. Vejam a mesma história, contada por um velho amigo nosso:
Percebem agora como é redutor pensarmos que se não vemos, ou entendemos, algo, então é porque não existe? Ser realista e céptico é muito bonito, e recomenda-se, mas sempre de forma saudável, ou seja, com a capacidade de estar aberto àquilo que está para além das nossas limitações humanas.
Até à próxima.
Que Raio Sabemos Nós? – 2
Na semana passada, terminei a dizer o seguinte:
[...] quando se ouve algum astrólogo referir-se à física quântica como a ciência que vai provar a validade da Astrologia, estão mais a pensar no facto de sabermos que tudo é energia (até a matéria mais densa) e, portanto, é legítimo pensar que a razão pela qual os astros nos influenciam não é por algum tipo de “força” ou “radiação” emitida por eles, mas sim porque todos nós, e a vida em geral, é feita do mesmo material que esses planetas: pura energia.
Muito bem, o filme “What the Bleep Do We Know? Down the Rabbit Hole“, que referi a semana passada, aborda essa ideia ainda mais em detalhe com o conceito de “Entanglement” que, em português, podemos traduzir por “Entrelaçamento”.
Em resumo, se o universo nasceu do “Big Bang“, ou seja, de um ponto originário onde tudo estava junto, então podemos presumir que ainda hoje, tudo no universo partilhe dessa ligação original. A energia dessa explosão primordial dispersou-se e tomou muitas formas mas, ao nível sub-atómico, ainda é a mesma energia, o que torna a teoria, do ser humano ser feito da mesma essência que os Planetas, muito sedutora.
Vejamos mais um excerto do filme, sobre este assunto:
Note-se, portanto, que aqueles astrólogos que há muito tempo usavam este argumento (de sermos todos um), mesmo sem saberem nada de física quântica, estavam no caminho certo! Pelo menos, aparentemente, claro.
Isto faz-me lembrar, novamente, daquela velha citação de Carl Sagan, que eu publiquei há uns meses atrás, no meu texto sobre “Cepticismo“, e que acho pertinente citá-la de novo:
[...] não conseguimos pensar em nenhum mecanismo pelo qual a Astrologia poderia funcionar. Isto é certamente um ponto relevante mas por sí só não é convincente.
Nenhum mecanismo era conhecido para o “movimento” dos continentes (agora subsumido em placas tectónicas) quando foi proposto por Alfred Wegener no primeiro quarto do século XX para explicar uma série de dados confusos em geologia e paleontologia (veias de rochas e fósseis pareciam seguir continuamente do zona Este da América do Sul até ao Oeste de África; terão os dois continentes alguma vez estado ligados e o Oceano Atlântico ser novo?).
A ideia foi redondamente desprezada por todos os grande geofísicos, que estavam certos que os continentes eram fixos, não flutuavam em nada, e logo incapazes de “movimento”.
Em vez disso, a ideia chave do século XX em geofísica acabou por ser as placas tectónicas; agora entendemos que as placas continentais de facto flutuam e “movem-se” (ou melhor, são carregadas por uma espécie de corredor móvel conduzido pelo grande motor de calor do interior da Terra), e todos aqueles grandes geofísicos estavam simplesmente errados.
Para a próxima semana há mais.
Até à próxima.