Ano do Búfalo
Devo dizer, desde já, que os meus conhecimentos de Astrologia Chinesa são extremamente limitados. Contudo, num blog onde dou abertura a todo o tipo de abordagem astrológica, seria um pouco estranho não fazer uma menção especial ao começo do Ano Novo chinês, que começou esta semana, mais exactamente, no passado dia 26.
Não tenho intenção de fazer deste texto uma explicação completa das origens da Astrologia Chinesa, mas é interessante saber que, ao contrário da Astrologia Ocidental, que se inspira no nome de certas constelações para nomear os doze segmentos do Zodíaco num Horóscopo, a Astrologia Chinesa inspira-se em lendas.
A mais simples e, talvez por isso, a mais conhecida, é a que diz que Buda, quando sentiu que estava próximo do momento em que iria deixar a Terra, fez um convite a todos os animais do mundo, mas só 12 responderam para se despedirem dele, o que levou Buda a dedicar um ciclo anual a cada um deles, pela ordem de chegada, como forma de agradecimento.
A segunda lenda, um pouco mais complexa, mas mais divertida – até porque apresenta algumas das características dos Signos – é a que diz que o Imperador de Jade enviou um convite aos animais do seu reino prometendo um banquete aos 12 que chegassem primeiro. No percurso havia um rio que teria que ser atravessado. Os primeiros a chegar a esse rio foram o Rato e o Gato mas, como ambos não nadavam bem, resolveram esperar pelo próximo animal, que foi o Búfalo, para pedir boleia às costas deste. O Búfalo, sendo afável, concordou e levou-os. No entanto, o Rato, sendo traiçoeiro, resolve empurrar o Gato para a àgua, desta forma, eliminando o único que o poderia vencer em corrida.
Chegando ao outro lado do rio, o Rato, agora o mais rápido, foi o primeiro a chegar, seguido do Búfalo. Atrás deles, surge o Tigre que, com a sua grande força, também conseguiu vencer o desafio do rio sozinho, sem precisar de ajuda. Em quarto lugar chega o Gato que descreve como quase se afogou até ter encontrado um tronco de árvore ao qual se agarrou e, por sorte, levou-o até à margem oposta.
Em quinto lugar, chegou o Dragão que, apesar de ser o único a poder voar, chegou um pouco tarde porque teve que fazer chover de forma a ajudar todas as pessoas e animais do planeta e que, a caminho do banquete, reparou num gato agarrado a um tronco num rio e teve que parar para criar vento que levasse o gato para a segurança da terra.
Entretanto, chegou o Cavalo mas este, distraído, não tinha reparado que a Serpente tinha-se enrolado numa das suas patas, assusta-se, e fica em sétimo lugar, deixando a Serpente passar-lhe à frente e chegar em sexto. Pouco tempo depois, chegaram juntos a Cabra, o Macaco, e o Galo. Estes tinham vindo numa jangada que construiram juntos, tendo sido o Galo a dar a ideia, a Cabra a puxar e empurrar a madeira, e o Macaco a trazer lianas das árvores para unir os troncos. Pela dose de esforço, o Imperador dá à Cabra o oitavo lugar, seguida do Macaco em nono, e do Galo em décimo.
Por fim, em décimo-primeiro lugar, chegou o Cão que explicou ter se atrasado porque não queria aparecer frente ao Imperador de Jade sem tomar um bom banho primeiro. Em último lugar chegou o Porco, justificando a demora com o facto de ter tido fome durante o caminho e ter sentido vontade de fazer uma sesta depois de comer (está visto, é Porco à Alentejana).
Origens do Zodíaco à parte, a grande maioria das pessoas acredita que a Astrologia Chinesa é só isso, a definição de um Signo por cada ano. Ora, isso é o mesmo que acreditar que a Astrologia Ocidental é somente o Signo Solar. Aliás, pior. Na abordagem simplista à Astrologia Ocidental, dizer que somos do Signo “Carneiro” ou “Touro” remete-nos a um grupo de pessoas que nasceram no espaço de um mês (mais ou menos), enquanto na abordagem simplista à Astrologia Chinesa somos remetidos a um grupo que abrange todas as pessoas que nasceram no espaço de um ano!
Ao longo dos tempos, alguns “cromos” do Astro-Entretenimento tentaram fazer combinações destas simplificações, para criar a ilusão de maior complexidade, mas o resultado é, obviamente, decepcionante – e tinha mesmo que o ser, visto que a Astrologia Ocidental tem bases e metodologias bastante diferentes da Astrologia Chinesa, logo, não são facilmente comparáveis.
Uma das principais diferenças é a utilização de um calendário diferente, ou melhor, “calendários” porque a Astrologia Chinesa usa dois.
Primeiro, notem que no Ocidente, utilizamos o tradicional Calendário Solar, que foi inventado no ano 46AC por Júlio César, e daí ser chamado de “Calendário Juliano” que, mais tarde, foi modificado pelo Papa Gregório XIII, em 1582, daí passar a chamar-se “Calendário Gregoriano”, e que tem sido utilizado até hoje. Infelizmente, este calendário sofre de uma clara falta de exactidão, visto que o período de translação da Terra não é muito exacto (uma translação completa dura 365 dias, e 6 horas, e são estas horas extra que, ao fim de 4 anos, dão origem a um dia inteiro (4*6=24), daí a existência dos anos bissextos que servem para “acertar” o Calendário Solar).
Na Astrologia Chinesa, porém, utiliza-se uma combinação do Calendário Solar com o Calendário Lunar, onde as regras ditam que o Solstício de Inverno deve ocorrer no 11º mês do ano, e o Ano Novo deve ocorrer na 2ª Lua Nova após esse Solstício (é por isso que o Ano Novo chinês nunca tem um dia fixo para começar, variando entre o final de Janeiro e princípio de Fevereiro).
Como curiosidade, o Feng-Shui é uma disciplina que está intimamente ligada à Astrologia Chinesa, e tem o seu próprio calendário (ciclos de 180 anos, divididos em 9 períodos de 20 anos cada). Apesar disso, é curioso verificar que existem imensas tentativas de conjugar o Feng-Shui moderno com a Astrologia Ocidental. Sinceramente, não conheço muito de Feng-Shui, por isso, não sei até que ponto os seus resultados são verificáveis ou não, muito menos como conseguem juntar isso à Astrologia Ocidental, mas, de acordo com Brenda Keener, uma especialista em Feng-Shui e Astrologia Chinesa, todos os livros de Feng-Shui escritos até 2004 estão, provavelmente, obsoletos porque foi em Fevereiro de 2004 que entramos no 8º período desse calendário e, aparentemente, as sugestões auspiciosas durante o 7º período (1984-2003) já não são actuais.
De qualquer forma, para não me dispersar mais, voltemos à Astrologia. Outra diferença fundamental, é a questão dos Elementos. Na Astrologia Ocidental, os 4 Elementos são representações das energias que servem de fundação para toda a matéria. Na Astrologia Chinesa, o termo “Elemento” tem um significado bastante diferente, e alguns especialistas dizem mesmo que trata-se de um erro de tradução do símbolo chinês que devia ser “metamorfose” ou algo parecido. O impacto de um “Elemento” em Astrologia Chinesa tem portanto uma característica completamente distinta do Signo. Por exemplo, em Astrologia Ocidental, Carneiro, Leão, e Sagitário são sempre Signos de Fogo. Em Astrologia Chinesa, todos os 12 Signos têm todos os 5 Elementos (ou “Metamorfoses”), mas em períodos diferentes do calendário.
Todos os 5 Elementos, por sua vez, dividem-se nas Polaridades – Yang e Yin – ao contrário da Astrologia Ocidental onde o Fogo e Ar são sempre Masculinos, enquanto Terra e Água são sempre Femininos. É curioso notar que, hoje em dia, alguns astrólogos Ocidentais “roubaram” esta terminologia aos chineses para usar como substituto na definição das Polaridades astrológicas ocidentais (que, normalmente, chamamos de Masculino e Feminino, ou Activo e Passivo, etc).
Esta combinação de 12 Signos a multiplicar pelos 5 Elementos, dá o ciclo completo do Calendário Lunisolar (combinação do Calendário Lunar com o Calendário Solar, dividido em ciclos de 60 anos). Todos os ciclos deste calendário começam com o “Rato de Madeira Yang” e terminam com o “Porco de Água Yin”, o que significa que o ciclo actual começou em 2 de Fevereiro de 1984, e entrámos agora no 26º ano do ciclo Lunisolar – “Búfalo de Terra Yin”.
O que é que isto significa? Bem, provavelmente, nada. Tal como é ridículo afirmar que o ano vai ser de uma determinada maneira com base num Signo Solar, presumo que o mesmo possa ser dito das previsões para um Signo chinês. Para além disso, em Astrologia Chinesa, o nascimento é marcado pelo Signo, Elemento e Polaridade do Ano, do Mês, do Dia, e da Hora – o que, de facto, dá uma combinação, aparentemente, mais única e individual.
Mesmo assim, como as descrições do Signo Chinês “Búfalo” são muito parecidas às do Signo Ocidental “Touro” (especialmente, nesta versão de “Terra Yin”), poderíamos extrapolar que o ano será lento e resistente à mudança, com ênfase no materialismo e nos prazeres dos sentidos. Hmm… dado que estamos no meio de uma crise económica, à escala mundial, é dificil dizer que não a esta previsão, não é? De qualquer forma, como disse no começo deste texto, não é a minha especialidade, por isso, não me alargo mais. Talvez para o ano, quando entrarmos no ano do “Tigre de Metal Yang” eu saiba mais um bocadinho sobre Astrologia Chinesa.
Até à próxima.
Aspectos – 1
Em Astrologia, damos o nome de “Aspecto” a qualquer ligação geométrica (ângulo) entre dois Planetas, ou entre um Planeta e um Ponto Calculado. Aproveito para esclarecer que só os Planetas é que são considerados “emissores” de influências, não os Pontos Calculados. Logo, quando dois Planetas estão em Aspecto, eles afectam-se mutuamente (com algumas excepções, que indicarei mais tarde), mas se o Aspecto for entre um Planeta e um Ponto Calculado, então só este último é que é afectado.
Hoje em dia, podemos dividir os Aspectos Astrológicos em dois tipos: Ptolemaicos e Keplerianos, mais conhecidos como “Maiores” e “Menores”, respectivamente. Contudo, nos últimos anos, alguns astrólogos começaram a considerar um terceiro tipo, a que chamam Addeyanos, ou “Ternários”.
Note-se que “Maior”, “Menor” e “Ternário” são termos musicais, e não relativos à dimensão ou importância do Aspecto – como alguns astrólogos, por ignorância, afirmam quando escrevem sobre o assunto.
Os Aspectos Ptolemaicos têm este nome em homenagem a Claudius Ptolemaeus, que viveu no século II e foi – como muitos sábios da altura – uma mistura de matemático, astrónomo e, claro, astrólogo. Ele é conhecido por ter escrito vários livros científicos, sendo um deles sobre Astrologia: o Tetrabiblos.
Existem, pelo menos, dois argumentos que explicam a importância deste livro. Primeiro, temos o valor e credibilidade do autor, que ainda hoje é conhecido como um dos grandes nomes da ciência desse tempo. Segundo, como existem muito poucos registos sobreviventes de Astrologia anteriores à publicação do Tetrabiblos, este livro passou a ter um valor histórico incomparável.
Na verdade, já ouvi alguns críticos da Astrologia, utilizarem frases do género “quando Ptolemeu inventou a Astrologia…”, o que está errado, e é mais um sinal da ignorância que prevalece entre aqueles que a criticam. Claudius Ptolemaeus não inventou a Astrologia, ela já existia há milhares de anos antes de ele nascer. O que ele fez foi uma síntese do conhecimento astrológico da altura, e filtrou isso através dos seus próprios estudos e opiniões – como, aliás, fazem a maior parte dos astrólogos.
De qualquer forma, é através do trabalho dele que sabemos que já usavam Aspectos nessa altura, mas só os seguintes:
- Conjunção (0º ou 360º)
- Oposição (180º)
- Trígono (120º)
- Quadratura (90º)
- Sextil (60º)
A “lógica” dada para estes Aspectos era muito mais orgânica do que aquela que temos hoje em dia. Acreditava-se que os Planetas tinham uma espécie de “campo de visão”, tal como um ser humano, daí o Aspecto mais forte e negativo ser a Oposição porque a luz do outro Planeta está directamente à nossa frente, barrando o caminho, ou ofuscando a visão do outro Planeta. O Trígono já era um “bom” Aspecto porque está frontal o suficiente para ser facilmente visivel, mas deslocado o suficiente para não atrapalhar o caminho ou visibilidade do outro Planeta. Enquanto a Quadratura obriga o Planeta a desviar o olhar para o lado, perdendo a noção do caminho em frente, e o Sextil está tão no limite do campo de visão que não atrapalha mas ainda serve para orientar o Planeta dos limites que o rodeiam (daí ser considerado um Aspecto informativo mas relativamente fraco). A Conjunção acaba por ser o Aspecto mais “romântico”, porque é associado a dois Planetas que, juntos, olham na mesma direcção, reforçando-se um ao outro. É também por isto que a Conjunção é o único Aspecto considerado “neutro” (o efeito dependente da natureza dos Planetas), enquanto os outros são divididos entre “bons” e “maus”.
Contudo, na passagem do século XVI para XVII, surgiu um outro homem que tentou revolucionar a Astrologia, chamado Johannes Kepler, um Capricorniano alemão que era matemático, astrónomo… e astrólogo – soa familiar? Muitos apontam-no como o último astrólogo Tradicional Clássico, visto que foi exactamente no século XVII que a Astrologia Tradicional foi removida das universidades e tornou-se, oficialmente, defunta, mas podemos dizer também que Kepler foi o primeiro astrólogo moderno, pois ele colocou em causa praticamente tudo o que os astrólogos até então afirmavam, mostrando-se rebelde, contestatário, e até arrogante, pondo em causa o Zodíaco, as Casas, e muito mais.
Certos astrólogos, que seguem abordagens mais filosóficas e espirituais, propõem a teoria de que Kepler surgiu nessa altura exactamente para dar nova vida à Astrologia, e acabar com a estagnação que tinha sido criada no seio da disciplina mas, como hoje sabemos, o esforço dele não foi suficiente para actualizar a Astrologia. Apesar disso, os estudos dele induziram a muito do que hoje chamamos de “Astrologia Moderna”, e destaca-se a conclusão de que existem, pelo menos, três outros Aspectos importantes a serem considerados num Horóscopo, que são:
- Quintil (72º)
- Bi-Quintil (144º)
- Sesquiquadratura (135º)
Uma das razões para chegar a esta conclusão tem a ver com a divisão natural de uma circunferência (360º). Ora, se a Oposição é a divisão da circunferência em 2 (360/2=180), o Trígono é a divisão da circunferência em 3 (360/3=120), e a Quadratura representa a divisão da circunferência em 4 (360/4=90), porquê saltar logo para o Sextil na divisão da circunferência em 6 (360/6=60)? Por outras palavras, porque não uma divisão da circunferência em 5 (360/5=72) ou outros números? Nasceu então a teoria das “Harmónicas” (mais um termo musical, reparem bem). Se tiverem interesse em aprofundar o estudo de Kepler neste sentido, sugiro veementemente o livro “Harmonices Mundi” (traduzido para inglês como The Harmony of the World“, mas é possível que esteja disponível em outras linguas).
Desde então, quase todos os astrólogos de renome internacional como William Lilly, Michel Gauquelin, Alfred Witte, e muitos outros, desenvolveram teorias e interpretações com base no trabalho de Johannes Kepler.
Claro que Kepler não se baseou só no cálculo geométrico, mas também na observação dos Aspectos e dos resultados práticos que ficaram demonstrados, e na analogia às escalas de música. Aliás, ele propôs vários outros Aspectos mas, mais tarde, rejeitou-os porque não se encaixavam nesta teoria das harmonias musicais – o Septil (360/7=51,428571[...]), por exemplo, é dissonante.
Apesar disso, no século XX, alguns astrólogos, dos quais destaca-se o britânico John Addey, começaram a dar maior importância a alguns desses Aspectos dissonantes, pegando na teoria original das Harmónicas e expandindo-as – dando vida ao tal terceiro grupo de Aspectos, a que chamamos de “Ternários” (ou Addeyanos).
Enfim, basta de História da Astrologia. O que interessa saber é o que funciona ou não, e como. Porém, antes de começar a mandar “bitaites”, é preciso fazer uma passagem pelo Zodíaco, para que se entenda um pouco da origem das interpretações dos Aspectos.
Ao longo dos anos, já encontrei alguns livros de introdução à Astrologia que, algures na secção de “Signos”, afirmam que cada um dos 12 Signos do Zodíaco correspondem a um grupo de graus na Roda Zodiacal, ou a um grau específico dessa Roda. Contudo, em poucos casos, afirmam que é devido a isso que as Casas Astrológicas têm um significado semelhante ao Signo correspondente (o que não é bem verdade, e só faria sentido no Sistema de Casas Iguais) e, na maioria dos casos, nem sequer explicam a importância dessa associação, passando rapidamente ao capítulo seguinte.
Eis a listagem que, de uma forma ou outra, vos deve ser familiar:
- CARNEIRO = 0º ou 360º
- TOURO = 30º
- GÉMEOS = 60º
- CARANGUEJO = 90º
- LEÃO = 120º
- VIRGEM = 150º
- BALANÇA = 180º
- ESCORPIÃO = 210º
- SAGITÁRIO = 240º
- CAPRICÓRNIO = 270º
- AQUÁRIO = 300º
- PEIXES = 330º
Para alguns, este é o momento em que se acende uma lâmpada em cima da cabeça. Vamos confirmar isso.
A Conjunção é descrita como um Aspecto de começo, onde se inicia um novo ciclo, onde os dois Planetas ganham força e impulso (Carneiro). A Oposição é descrita como um Aspecto de confronto, onde dois pólos que se opõem devem encontrar um equilíbrio, e onde há quase sempre um encontro com outra pessoa que vai representar um desses pólos enquanto nós representamos o outro (Balança).
Os restantes Aspectos, porém, têm duas interpretações, dependendo de estarem em fase Crescente ou Minguante. O Trígono, por exemplo, tem a sua interpretação associada a termos como “criatividade” (fase Crescente, ou seja, Leão) ou “facilitismo” (fase Minguante, ou seja, Sagitário). Infelizmente, o que acontece com alguns astrólogos é que parecem não saber disto e então, não só não distinguem entre as duas fases do Aspecto, como tendem a extrapolar outros significados com base na experiência pessoal – o que, por sí só, não está errado, mas sem conhecer as bases, ou sem ter um método-base como ponto de partida, tende a dar resultados pouca credíveis.
Agora, isto levanta uma questão importante:
- Se cada Signo cobre 30º do Zodíaco, como diferenciamos, por exemplo, um Sextil de um Quintil, visto que ambos pertencem ao segmento Zodiacal de Gémeos, na fase Crescente?
Através dos Decanatos. Neste exemplo, um Sextil Crescente é, sem dúvida, associado a Gémeos, duas vezes, visto que o primeiro Decanato de Gémeos é regido por Mercúrio. Porém, o Quintil, está associado ao segundo Decanato de Gémeos, regido por Vénus, daí ser um Aspecto que costumamos interpretar como um “talento artístico” nos Horóscopos Natais de uma pessoa. Já agora, em fase Minguante, notem que o Quintil pertence ao segundo Decanato de Capricórnio, ou seja, regido por… Vénus (outra vez)! Surpresos?
Isto tráz-me a um assunto que eu levantei há algumas semanas atrás, quando expressei a minha opinião sobre alguns astrólogos populares, nomeadamente, Noel Tyl. Nesse texto, um dos pontos que mencionei foi a respeito desse senhor clamar que descobriu um Aspecto importante, de 165º, a que chamou de “Quindecile”. Não aprofundei muito o assunto, prometendo que o faria quando falasse de Aspectos (e estou a fazê-lo, finalmente), mas ainda disse que o principal problema é que já havia um Aspecto com o mesmo nome, mas de 24º, como representante principal da décima-quinta Harmónica (360/15=24).
Agora que estamos familiarizados com as bases de interpretação de um Aspecto, podemos ver com mais clareza que estes dois Aspectos têm muito pouco, ou nada, em comum. O Quindecile Crescente está associado ao terceiro Decanato de Carneiro (Júpiter), e Minguante está associado ao terceiro Decanato de Peixes (Marte e, possivelmente, Plutão). Por outro lado, o Aspecto de Noel Tyl (sinceramente, nem sei o que lhe hei-de chamar… “Noeltile”?) em fase Crescente está associado ao segundo Decanato de Virgem (Saturno), enquanto na fase Minguante está associado ao segundo Decanato de Balança (Saturno). Não é de admirar que Noel Tyl descreva este Aspecto como um ponto de obsessão e rigidez, visto que o perfecionismo do segundo Decanato de Virgem é levado ao extremo quando ligado a Saturno, mas parece que a fase Minguante deste Aspecto tem uma vertente mais ligada a um sentido de ordem, justiça, e equilíbrio exacerbado por alguma tendência a querer impõr esses valores no exterior.
Chegamos então ao momento em que vou partilhar de uma teoria exclusivamente minha, e que é a seguinte:
- Todos os Planetas estão em constante Aspecto.
O que muda é a forma e magnitude do Aspecto (isto pode encaixar na teoria de Ressonâncias levantada pelo astrofísico poláco, Slawomir Stachniewicz, que referi no texto “Uma Abordagem Científica“, há duas semanas atrás).
Esta teoria acaba, também, por propôr uma alternativa à teoria das Orbes. Em Astrologia, já todos percebemos que as coisas não acontecem só quando um Aspecto está em posição exacta, e justificamos isso com o conceito de “margem de acção”, mas talvez não seja por acaso que o tema das Orbes seja dos mais polémicos e varia tanto de astrólogo para astrólogo. Talvez o que aconteça seja uma configuração muito mais complexa e subtil de Ressonâncias entre Planetas que só é observada quando levamos em consideração todas as variações Harmónicas possíveis num Horóscopo.
De qualquer forma, não vou aprofundar agora este assunto. Já têm aqui muito para digerir mas, num futuro texto, continuarei a falar de Aspectos, aprofundando o assunto das Orbes, mas também abordando as Dissociações, e o efeito dos Aspectos fora dos Horóscopos Natais.
Até à próxima.
Mercúrio Retrógrado – 2
Se há coisa que detesto é ter que voltar atrás em algo que disse mas, quando o meu texto sobre Aspectos não estava a correr como eu queria, apercebi-me que seria melhor não forçar as coisas pois estamos, mais uma vez, sob os efeitos de Mercúrio Retrógrado.
Como podem ver pela hiperligação acima, eu já falei deste assunto há uns meses atrás, por isso, não vou repetir-me a respeito do significado deste período, ou em relação às formas como podemos lidar com ele, mas vou falar dos efeitos desta Retrogradação que estamos a viver agora.
Um evento importante que vai ocorrer debaixo desta influência, já no próximo dia 20, é a tomada de posse do presidente norte-americano Barack Obama. Eu disse, praticamente, tudo o que tinha a dizer sobre o assunto há umas semanas atrás, no fim-de-semana anterior à eleição oficial, mas fiquei de observar mais de perto o Horóscopo do mandato de Obama quando estivesse mais próximo desta data. Não vou dedicar um texto inteiro só a isso, porque acho aborrecido, mas penso que é pertinente referir que será um mandato marcado pela Retrogradação de Mercúrio.
Como, tradicionalmente, as tomadas de posse nos últimos anos têm sido por volta do meio-dia, podemos dizer que o Horóscopo deste evento será:
- 20 de Janeiro de 2009, às 12:00, em Washington (DC), EUA
Neste Horóscopo, os pontos importantes que saltam à vista são:
- Mercúrio a 0º41′ de Aquário
- Mercúrio Cazimi (Sol a 0º47′ de Aquário)
- Mercúrio em Conjunção a Júpiter (a 3º32′ de Aquário)
- Mercúrio em Conjunção ao Meio-do-Céu (a 26º10′ de Capricórnio)
- Saturno (Regente do MC) em Virgem (Disposto por Mercúrio)
- Saturno Retrógrado (tal como Mercúrio)
- Mercúrio, Sol, Júpiter, Nodo Lunar Norte, e Quiron todos em Múltipla-Conjunção, em Aquário, na Casa 10
- Saturno (Dispositor Principal dos Planetas em Aquário) em Oposição a Úrano (Dispositor Secundário dos Planetas em Aquário)
- Saturno em Oposição a Vénus (Regente Principal do Horóscopo).
Claro que podem haver algumas alterações se o evento ocorrer antes ou depois do meio-dia em ponto, mas a diferença não deverá ser muita.
Isto tudo, na minha óptica, traduz-se por muito trabalho e poucos avanços, pelo menos em relação àquilo que muitos esperam da liderança do senhor Obama. Se recorrermos às Progressões Primárias, eu diria que só no final do segundo ano de mandato (quase a entrar no terceiro) é que vamos ter resultados visíveis da tal mudança prometida.
Uma curiosidade em relação a esta tomada de posse de Barack Obama, é que marca também o ducentésimo aniversário de Abraham Lincoln (embora só tenha nascido, oficialmente, a 12 de Fevereiro). Portanto, é seguro dizer que 2009 é mesmo um ano histórico para os norte-americanos, a vários níveis.
De qualquer forma, para a maioria das pessoas, o que interessa saber é por onde esta Retrogradação de Mercúrio vai andar. Ela começou no dia 12 de Janeiro, em 7º45′ de Aquário, e vai Retrogradar até 21º45′ de Capricórnio, no dia 1 de Fevereiro. Como podem ver, é uma das primeiras Retrogradações de passagem do Elemento Ar para o Elemento Terra que vão ocorrer ao longo de todo o ano de 2009.
Embora alguns astrólogos considerem que Mercúrio em Aquário é uma boa posição, mesmo Retrógado, devido a ser considerado como o Signo de Exaltação deste Planeta, eu verifico que essa perspectiva teórica está bem longe da verdade. Aquário é, sem dúvida, um Signo do Elemento Ar, logo “mental”, mas é também um Signo de Modo Fixo, o que se traduz por rigidez e teimosia. Aliás, como o astrólogo José Augusto disse, em tempos, numa aula que presenciei, e cito:
Querem coisa mais teimosa do que um Aquariano?
Posso dizer que percebo-o perfeitamente, e assino em baixo. Mercúrio é um Planeta que precisa de movimento, coisa que não tem em Aquário. Lembrem-se que não é por acaso que o Regente Principal de Aquário é Saturno!
Dito isto, penso que esta Retrogradação será mais complicada que a última que tivémos, em Balança, e bem mais propensa a debates de ideias onde poucos chegam a acordo, pelo menos até terminar este período. Claro que, como sempre, a área do Horóscopo afectada é que poderá trazer mais informação e detalhe ao que estamos a analisar.
Por exemplo, se olharmos para o Horóscopo de Portugal – ou, pelo menos, o Horóscopo que se atribui a Portugal – vemos que esta Retrogradação passa em cima do Júpiter Natal. Questões de justiça? Fé? Vamos ver os resultados dentro de duas semanas.
Até à próxima.
Uma Abordagem Científica
Esta semana decidi apresentar um texto totalmente dedicado ao estudo da Astrologia numa perspectiva de ciência exacta. Faz sentido se pensarmos que eu já apresentei textos virados para o lado mais filosófico da Astrologia, por isso, é justo mostrar o lado oposto da Astrologia.
Quem me conhece, sabe que a minha visão da Astrologia recai algures no centro. Entendo a Astrologia como uma ciência social, que tem um lado “matemático” inegável, mas também um lado mais humano que a coloca ao nível da Psicologia, Sociologia, e disciplinas similares. De qualquer forma, nunca fecho os olhos ao que está “à volta” porque, nunca se sabe, pode ser útil para entender a Astrologia como um todo, sem restringí-la a um único rótulo.
Para esse efeito, decidi fazer a tradução de alguns excertos escritos pelo astrofísico polaco Slawomir Stachniewicz. Não, não é um dos grandes nomes credenciados a nível mundial, mas lembrem-se que é complicado encontrar cientistas que tenham os testículos para admitir que a Astrologia pode e deve ser investigada seriamente. Há dois motivos para eu ter escolhido traduzir os seus textos para este blog:
1 – Os testes que ele faz e propõe a nível dos Aspectos astrológicos são uma excelente introdução ao que eu tenciono escrever sobre este tema (Aspectos) já na próxima semana.
2 – Penso que fica demonstrado como a Astrologia podia dar um verdadeiro salto qualitativo se mais profissionais de outras ciências resolvessem trabalhar com os astrólogos.
Aviso que o texto pode ser um pouco “denso” para quem não está familiarizado com a os princípios básicos do estudo científico, mas eu vou fazendo alguns comentários pelo caminho para ajudar a “engolir” o conteúdo.
Nós podemos dividir os astrólogos em três tipos: teorizadores, experimentalistas e praticantes. Teorizadores criam novas teorias, experimentalistas verificam-nas e praticantes interpretam horóscopos. A grande maioria dos astrólogos são praticantes, e alguns deles são também teorizadores, mas não há quase nenhuns experimentalistas. Na minha opinião, esta é uma das maiores fraquezas da astrologia de hoje em dia – falta de verificação directa.
Este trecho é particularmente curioso para mim porque há alguns anos que eu digo que divido as saidas profissionais da Astrologia em três grupos: praticantes, professores, e pesquisadores. Não há qualquer diferença entre aquilo que eu e ele consideramos “praticantes” de Astrologia, mas há uma diferença em relação àqueles que ele chama de “experimentalistas” e eu chamo de “pesquisadores”, que é o facto de eu considerar um pesquisador alguém que teoriza e procura verificar a sua teoria ao mesmo tempo – nem me faz sentido que seja de outra forma – enquanto ele divide aqueles que criam as teorias, por um lado, e aqueles que as testam, por outro. De facto, ele tem razão, pois é um facto que, no mundo da Astrologia praticada actualmente, existem imensos astrólogos que inventam teorias, mas pouco ou nada investem em processos de verificação – alguns passando a assumir essas teorias como factos só porque “sentem” que estão correctas.
Por outro lado temos os cientistas, em especial os astrónomos – que ficam frequentemente loucos só de ouvir a palavra astrologia. Felizmente, nem todos os cientistas pensam que crenças astrológicas são criadas pela fantasia porque não têm nem podem ter qualquer substância científica. Alguns tentam verificar a astrologia estatisticamente, mas normalmente fazem-no da forma errada. Porquê? Porque pegam em astrólogos mais ou menos conhecidos e observam se fazem bons horóscopos. É errado porque isto só testa o conhecimento do astrólogo
Por acaso, nos últimos anos têm surgido alguns “testes”, supostamente, científicos feitos na base da estatística (que é o método mais adequado para demostrar a validade da Astrologia). Infelizmente, quem os faz são indivíduos que não são astrólogos, ou são daqueles pseudo-astrólogos que fazem previsões para so Signos Solares. Resultado? Concluem que ter o Sol em Carneiro, Touro, Gémeos, ou qualquer outro Signo, não determina qualquer resultado concreto. Uau… grande novidade. Infelizmente, para quem leva a sério esses testes, isso é “prova” que a Astrologia (como um todo) não passa de uma crença, ilusão, superstição, etc.
Eu não tenho ouvido falar de qualquer tentativa de criar uma teoria científica de Astrologia – talvez este artigo possa servir como contributo no sentido de criar tal teoria. Para além disso eu tento indicar o que deve ser tido em conta e o que deve ser feito prioritariamente neste tipo de pesquisa.
Aqui começamos, finalmente, a falar de Aspectos. Nesta abordagem, a Astrologia é medida através de funções trigonométricas.
Eu penso que os planetas interagem uns com os outros mas esta interacção é muito mais forte em certos valores (ressonância). Não é claro de onde vem esta ressonância – eu suponho que tem algo a ver com ondas e harmónicas (1:1 ou 360º – Conjunção, 1:2 – Oposição, 1:3 – Trígono, etc)
Agora é uma boa altura para fazer uma descrição matemática destes fenómenos. As ressonâncias podem ser apresentadas utilizando curvas de intensidade. A sua forma é normalmente uma curva de Lorentz definida pela equação
y = a / ( 1 + (x/b) ^2 )
onde a e b descrevem a intensidade e distância da curva. Outra distribuição comum é a Gaussiana definida pela equação
y = a * exp ( -1/2 (x/b) ^2 )
mas que é aplicada normalmente para descrever fenómenos aleatórios como erros de distribuição
Eis o gráfico de comparação entre a Curva de Lorentz e a Curva Gaussiana, onde x=0 y=1 e x=+/-1 y=0.5 (a mesma intensidade e a mesma distância a metade da intensidade):
(Clicar na imagem para aumentar)
Agora vamos pensar na natureza desta ressonância. A situação é um pouco complicada: não só temos a intensidade mas também aspectos considerados como bons, maus ou neutros (Eu penso que bons implicam menos dificuldades e maus mais, a melhor situação é quando existe mais ou menos um equilíbrio entre eles – demasiados bons aspectos tornam a pessoa preguiçosa, ele (ou ela) não alcança nada de significativo ao longo da vida ou desiste facilmente em caso de dificuldades). Claro, o mais forte é o de ressonância 1:1 (conjunção) e é neutro (o resultado dependa da natureza dos planetas). A ressonância 1:2 (oposição) dá efeitos negativos, 1:3 (trígono) positivos, 1:4 (duplo 1:2 ou quadratura) dá efeitos mais fracos que 1:2 mas mais negativos etc. Parece que:
- ressonância 1:2 é negativa, 1:3 é positiva, 1:4 é negativa, 1:5 é positiva, etc.
- quanta mais alta a ressonância mais fraca a influência (oposição é mais forte que o trígono mas mais fraca que a conjunção etc.)
- juntar as ressonâncias enfraquece o efeito (quadratura é mais fraca que a oposição, sextil e novil são mais fracos que o trígono)
- podemos somar e subtrair aspectos e isso afecta-os, por exemplo a inconjunção (150=180-30) é aproximadamente tão forte como um semi-sextil mas negativo, a sesquiquadratura (135=180-45=90+45) é semelhante à semi-quadratura (atenção, nesta “teoria” o biquintil seria mais fraco que o quintil e a sesquiquadratura seria aproximadamente tão forte quanto a semi-quadratura mas mais negativa etc.)
- um aspecto que represente a soma de outros é mais fraco, mas se dois ou mais aspectos distintos coexistem, a mesma operação pode afectar (fortalecendo ou enfraquecendo) a sua influência – uma oposição fica fortalecida por duas quadraturas mas três sextis ou um trígono+sextil tornam-na mais moderada etc.
Até aqui nada de novo. Todos os astrólogos decentes sabem disto tudo há séculos (literalmente), mas poucos tentaram colocá-lo em fórmulas matemáticas para estudo e análise. Convém também frisar que este texto foi publicado há cerca de treze anos atrás (1996) e, provavelmente, escrito muito antes disso. Nestes textos, o senhor Slawomir admite basear-se essencialmente no conhecimento da Astrologia Tradicional Clássica porque foi isso que Michel Gauquelin usou para provar o “Efeito de Marte” (o maior teste científco alguma vez feito, até ao presente, em relação à validade da Astrologia). Isso é óbvio quando o vemos a falar de Aspectos “bons” e “maus”. Na Astrologia Moderna, já se entende que não há nenhum tipo de julgamento de valores feito pelos Planetas, ou os seus Aspectos, porque isso são conceitos psicológicos do ser humano.
Como podemos ver, os aspectos interpenetram-se e descrever essa interacção (interferência) seria complicado. Claro que, por exemplo, a influência de uma oposição ligada a seis semi-sextis poderia ficar inalterada. Além disso, podemos adicionar e dividir aspectos sem parar e isso iria criar algum panorama – seria possivel verificar apenas os efeitos dos aspectos mais fortes, enquanto outros seriam insignificantes. Por exemplo, o binovil poderia ser tão fraco que torna-se impossivel distingui-lo do panorama. Outro efeito poderia ser que adicionar tantas combinações de aspectos poderia fazer estas curvas parecerem mais com a Gaussiana do que com a de Lorentz. É bastante complicado e mesmo que tenhamos muitos dados empíricos pode ser dificil construir uma boa teoria.
Esta é, sem dúvida, uma boa forma de exemplificar o “porquê” de ainda não haverem múltiplos testes científicos na área da Astrologia. Para a massa ignorante, não lhes ocorre que há todo um número de variáveis que têm de ser consideradas num estudo astrológico – e notem que estamos SÓ a falar de Aspectos.
É também aqui que começamos a ver que o factor humano é, de facto, o que torna a Astrologia numa ciência social e humana, não uma ciência exacta. Para além de todas as variantes possiveis, e das quais só algumas foram referidas acima, temos ainda que considerar o contexto do ser em análise. Duas pessoas podem ter, de facto, um Horóscopo igual, ao segundo, no entanto, se um nasceu na familia x e outro na familia y, logo aí, têm um contexto diferente a vários níveis: familiar, social, cultural, moral, etc.
Antes de termos uma teoria que descreva aspectos na totalidade eu sugiro a seguinte solução:
- acima de tudo, verificar estatisticamente o significado e força dos aspectos
- introduzir orbes para todos os aspectos; se o dados tradicionais são aceitáveis, então teríamos algo como: conjunção e oposição 9º, quadratura e trígono 7º, sextil 5º, etc (metade da orbe pode ser chamada de meia-distância d)
- introduzir força do aspecto s dependendo do aspecto e planetas
- influência dos aspectos poderia ser descrita como por exemplo s/(1+(dx/d)^2) onde dx é a diferença entre distância teórica (por exemplo 180º para uma oposição) e diferença real das longitudes elipticas. Claro que a fórmula pode ser um pouco diferente mas seriam necessários muitos dados para verificar isso.Claro que isto é só uma aproximação. A fórmula exacta deverá ser uma combinação de funções trigonométricas.
Agora eu preciso de fazer uma pergunta: será que os aspectos dependem mesmo das diferenças de longitudes elípticas? A elíptica é apenas o plano da órbita da Terra à volta do Sol. Talvez eles não dependam das diferenças de longitude elípticas mas das distâncias angulares reais na Esfera Celeste? Para o Sol, a Lua e os planetas até Neptuno seria quase o mesmo – eles nunca estão muito longe da elíptica (até 5º para a Lua). De facto, haveria uma diferença importante, nunca teríamos conjunções ou oposições exactas (mesmo que a longitude elíptica seja igual haveria alguma diferença nas latitudes). Plutão estaria numa situação diferente – a sua latitude pode atingir +/- 17º portanto na maioria dos casos (latitudes superiores a 10º para norte ou sul) não haveriam nunca conjunções e oposições. Ainda pior com as estrelas – só estrelas perto da elíptica seriam significativas (conjunção!), por exemplo Sirius (b=-39.6°) não seria significativa. Mas não haveriam problemas com objectos perto dos pólos da elíptica (sem longitude elíptica) – eles estariam em quadratura aos objectos na elíptica. Haveria problemas na adição tradicional de aspectos – dois sextis exactos poderiam não dar um trígono exacto (estaria tudo bem se estivessem complanares com a Terra).
Tenho que levantar algumas questões: será que a elíptica tem alguma importância para além do facto dos planetas estarem na sua vizinhança? Talvez devêssemos usar ascensões rectas em vez de longitudes elípticas? E porquê ascensões rectas e não longitudes galácticas? Qual o significado (se algum) do Ponto de Equinócio da Primavera? O que são os Signos do Zodíaco, quais são as suas verdadeiras fronteiras, qual é a distribuição da sua influência? Algumas pessoas afirmam que o Zodíaco são zonas energéticas à volta da Terra ou que os signos têm forças magnéticas. Então talvez devéssemos olhar para pólos magnéticos em vez de geográficos? E qual é a energia dessas zonas – terá alguma ligação com interacções electromagnéticas? Forte? Fraca? Gravitacional? Electrofraca? Talvez com a tal chamada quinta força? Nós podemos excluir a atração gravitacional directa (a influência da mobília seria maior e, por exemplo, a influência de Mercúrio seria 6 milhões de vezes mais fraca que a do Sol. Eu penso que não devemos falar de energias – nós simplesmente não sabemos como funciona e as especulações de alguns astrólogos só aumentam o caos existente. A resposta certa só pode ser dada através de pesquisa científica.
Isto conclui o texto sobre Aspectos. Há um ponto ou outro aqui que, à primeira vista, levaria muitos astrólogos a saltarem e dizerem algo do género “mas nós já temos resposta a isso!” Será que temos mesmo? Temos teorias… montes delas. A maioria são usadas porque fazem sentido e apresentam resultados positivos com frequência mas, ocasionalmente, há falhas e a justificação que muitos encontram, provavelmente para fugir à pesquisa aprofundada do assunto, é que foi “erro do astrólogo”. É verdade que antes de sermos astrólogos somos humanos e, como tal, passíveis de errar. Até os médicos e cientistas de todas as áreas erram, e com mais frequência do que desejaríamos, no entanto, é a nossa obrigação minimizar essa margem de erro. Especialmente numa disciplina como a Astrologia que se propõe a orientar a vida humana.
Por exemplo, errar em Meteorologia não costuma ser grave. O que importa se choveu um pouco num dia em que apenas disseram que estaria nublado? No entanto, em Medicina, Psicologia, Astrologia e áreas similares, a responsabilidade é maior. Por isso é que defendo a vinda do dia em que a Astrologia voltará a ser uma actividade praticada apenas por profissionais credenciados, mas isso é uma outra conversa para um outro dia.
Até à próxima.
