Noel Tyl vs Linda Goodman
A semana passada dediquei o texto a responder a uma visitante deste blog a respeito de dois astrólogos populares, Liz Greene e Robert Hand. Nesse texto, acabei por fazer referências a outros astrólogos, como pontos de referência, mas isso despertou mais alguns comentários por parte de outros visitantes, e concluí que devia rematar as pontas soltas para que não ficassem mal-entendidos.
Tal como na semana passada, vou começar pelo mais fácil que, neste caso, é Linda Goodman. Quando me referi a ela, no texto anterior, disse o seguinte:
Se pensarmos em Linda Goodman como a versão americana da nossa Maya, então Liz Greene é a versão americana do nosso Paulo Cardoso.
Eu queria que a frase fosse abrangente o suficiente para não entrar na crítica directa, mas apercebi-me que exagerei e fui abrangente demais. Quando me perguntaram se isto é porque eu tenho elevada consideração pela Maya é que percebi que a frase pode, de facto, ser entendida tanto no sentido positivo como no negativo. Logo, parece-me conveniente esclarecer o que realmente quis dizer.
Em primeiro lugar, Linda Goodman era uma mulher que escrevia frequentemente previsões para publicações periódicas, e eu já escrevi um texto sobre o que penso acerca disso na entrada “Horóscopos” deste mesmo blog.
Em segundo lugar, Linda Goodman era uma mulher que, mesmo fora do contexto das previsões, praticava aquilo que alguns de nós hoje chamamos de “Astrologia Fácil”. Por outras palavras, ela focava-se na importância da posição do Sol nos doze Signos e raramente saia desse nível superficial.
Não é preciso ir muito longe para demonstrar isto. Todos os livros dela são assim, extremamente básicos, e pejados de “asneiras” astrológicas. Embora alguns fãs digam que ela foi alguém que ajudou a Astrologia a tornar-se popular (e até aqui, até pode ser verdade, pelo menos nos EUA), eu acredito que ela teve um papel igualmente relevante a tornar a imagem da Astrologia na patetice que vemos diariamente na comunicação social, e na mente da maioria das pessoas desinformadas.
Agora, temos que ser nós, astrólogos, a desmistificar tudo o que ela, e outros como ela, fizeram durante décadas. Faz lembrar, dadas as devidas distâncias, a questão da SIDA ser transmissivel pelos abraços, ou por respirar o ar de uma sala onde um sero-positivo esteve presente. Alguém lembrou-se de dizer essas coisas no princípio dos anos 80 e, apesar de já ter vindo a comunidade médica em peso dizer que não é assim, ainda há quem pense que pode mesmo acontecer. Engraçado (sem graça nenhuma) que, mesmo aqueles que dizem que acreditam na isenção e profissionalismo dos médicos, acabam por, em grande parte, ter uma reação de receio quando se vêem perante uma situação real dessas. Agora imaginem o esforço que os astrólogos têm que fazer visto que não beneficiamos sequer do mesmo nível de confiança que a comunidade médica desfruta.
Ironicamente, já depois da morte de Linda Goodman, foi lançado o livro “Linda Goodman’s Star Cards: A Divination Set Inspired by the Astrological and Numerological Teachings of Linda Goodman” que é, basicamente, um livro de Tarot, com misturas de Astrologia e Numerologia. Será que esta salada lembra-vos alguém?
Antes que alguém pegue no argumento que o livro acima está sob o nome de Crystal Bush, adianto já que, sim, eu sei disso, mas o livro apenas foi publicado por ela, com alguns acréscimos. O conteúdo, propriamente dito, foi originalmente escrito por Linda Goodman, simplemente, não tinha sido publicado enquanto estava viva.
Quem faz alguma pesquisa sobre a biografia da senhora vai encontrar muito mais por onde pegar, mas o meu objectivo aqui não era dissecar o carácter da senhora, e sim justificar porque a vejo como uma versão americana da nossa cintilante Maya. Certamente que era uma mulher com outras qualidades, aliás, dizem muito bem dela como poeta e escritora… mas, como astróloga, não, obrigado.
Passemos então a Noel Tyl.
Parece que ninguém é alheio ao facto de Noel Tyl ser um homem que dá espectáculo e, para quem já sabe um pouco sobre Astrologia, rapidamente surgem as justificações para isto – ele tem Ascendente Caranguejo, ou seja, com o seu Horóscopo regido pela Lua e esta, por sua vez, está em Leão, disposta por um Sol em Capricórnio que está na Casa 7 e em Conjunção a Júpiter, também este em Capricórnio e na mesma Casa. Traduzido de astrologês para português, poderíamos dizer que trata-se de alguém que precisa brilhar aos olhos dos outros para se sentir útil e realizado.
De qualquer forma, isto em sí, não é nenhum problema. Com configurações semelhantes existem muitos. A forma como ele tem lidado com a sua natureza é que deixa algo a desejar. Mais uma vez, não vou dissecar a vida do homem, mas vou dar alguns exemplos daquilo que me refiro.
Um dos exemplos mais prementes é o episódio do lançamento do livro “Predictions for a New Millennium” em meados dos anos 90. Nesse livro, Noel Tyl resolveu tentar ser o próximo Nostradamus e arriscou publicar uma série de previsões fantásticas que, se tivessem ocorrido, teriam sem dúvida catapultado a sua fama para níveis incomensuráveis. O problema é que, como a maioria dos pseudo-astrólogos que volta e meia aparecem a prever desastres ou outros fenómenos de grande impacto, a grande maioria das previsões dele falharam, e aquelas que “bateram certo” são, em grande parte, referidas como de fácil previsão até para quem não sabe nada de Astrologia.
É curioso reparar que se formos ao espaço oficial de Noel Tyl, este livro nem sequer é referido. Não é de surpreender, visto que foi um falhanço, e Noel Tyl tem-se esforçado bastante para meter esse erro debaixo do tapete para ninguém ver. No entanto, hoje em dia, a internet guarda registo de quase tudo e ainda podemos encontrar algumas pérolas como este comentário no espaço da Amazon americana:
Este livro não vale nem como papel higiénico. Nem UMA das suas previsões tornou-se realidade. A maioria são risíveis. Umas poucas destas previsões, baseadas em desfechos óbvios que QUALQUER UM poderia prever (como o divórcio de Carlos e a Princesa Diana) e, na verdade, foram previstas no National Enquirer ou outras revistas sensacionalistas — que parecem ser a verdadeira fonte de informação de Noel Tyl.
Reparem nisto:
- por volta de Setembro de 2000 a ONU deixará de existir.
- por volta de Novembro de 1997 o Papa João Paulo II terá uma “morte pacífica”
- o Papa João Paulo II será sucedido pelo “Papa Leão XIV”
- por volta de Agosto de 2000 o “Papa Leão XIV” terá uma “morte prematura”
- Kim John Il não irá liderar a Coreia do Norte
- por volta de Setembro de 2004 a Coreia do Norte e do Sul serão unificadas
- a Suécia, por agitação social, será completamente revitalizada (o que quer que isso signifique) em meados de 2000
- o Marco Alemão tornar-se-á a moeda padrão da União EuropeiaTêm o suficiente? Querem mais?
Vale a pena ler se quiserem dar uma boa gargalhada de um pateta a tentar ser ‘vidente’.
(Clicar AQUI para ver texto original, na íntegra)
Palavras duras, na minha opinião, mas, no fundo, merecidas.
Não contente, Noel Tyl abraçou outra tentativa de sucesso rápido e explosivo na forma de “criador de Aspectos”. Eu vou entrar em mais pormenor nisto quando escrever sobre os Aspectos (algo que já ando a falar há algumas semanas, bem sei, mas há-de vir), no entanto, muitos devem saber que existem basicamente dois tipos de Aspectos: os Maiores, também conhecidos como Ptolemaicos, e os Menores, ou Keplerianos.
Ora, Claudius Ptolemaeus e Johannes Kepler são, de facto, dois nomes de reputação intemporal no meio astrológico. São dois homens que, pelas suas contribuições à ciência, ficaram para a história e, aparentemente, Noel Tyl quis ser o terceiro nome desse pacote quando descobriu/inventou um Aspecto de 165º e chamou-o de Quindecile. O problema? Bem, vários, mas o mais fascinante é que já havia um Aspecto com esse nome proposto por Kepler, mas que tem 24º (e não 165º, como a versão de Noel Tyl).
Quando confrontado com isto (algo que, estranhamente, um astrólogo do seu “gabarito” tinha obrigação de saber), a história começou a mudar de tom. Afinal, já não tinha sido ele a descobrir (ou inventar) o Aspecto, mas sim a ressuscitá-lo de um texto que leu de um outro astrólogo alemão do princípio do século XX. Até pode ser que, afinal, Noel Tyl tenha apenas ido buscar inspiração nesse livro, mas que tal fazer alguma pesquisa sobre o que é um Quindecile antes de inventar um ângulo completamente novo? É uma ideia, não?
Contudo, a situação não se limita a uma mera confusão de nomes e números. Noel Tyl chegou mesmo ao ponto (e talvez ainda o faça hoje em dia, não sei bem) de propôr que este Aspecto era tão marcante e importante que devia fazer parte dos Aspectos Maiores. A esta altura convém dizer que, se nem os Aspectos de Kepler foram elevados a esse estatuto, o que faz o Aspecto de Noel Tyl ser melhor?
Em resumo, Noel Tyl pode ser um apaixonado por Astrologia e, como tal, tem alguns momentos de brilhantismo (admito, sem reservas), no entanto, ele é igualmente propenso a entrar em deslumbramentos e, volta e meia, faz figuras deploráveis como as acima mencionadas. Há muito mais, e quem quiser colecionar os mais de 20 livros publicados por ele vai, com certeza, encontrar muito mais pérolas, embora a um nível mais contido (felizmente).
Até à próxima.
Robert Hand vs Liz Greene
Há cerca de 8 ou 9 dias atrás, pouco antes da publicação do meu último texto, recebi um comentário de uma visitante do blog acerca das minhas três regras sugeridas na busca por um profissional de Astrologia. Nesse comentário, foi-me pedido que comentasse o facto de certos astrólogos de renome, tais como Liz Greene e Robert Hand fazerem, e cito:
[...] horóscopos de vários tipos por internet, cujo único recurso é, precisamente, os dados pessoais de quem encomenda [...]
Ora, isto quebra, efectivamente, uma das ditas regras de ouro apresentadas, mas como a resposta não é curta, optei por aprofundá-la esta semana para que todos pudessem acompanhar o assunto e beneficiar da informação.
Para quem não se lembra, fica aqui a citação da regra de ouro em questão:
2 – Nunca confiar num (pseudo-)astrólogo que dá consultas “impessoais” (linhas telefonicas/SMS de valor acrescentado, envio de interpretacões por correio/e-mail, etc). Um astrólogo sério precisa de falar em tempo real com o individuo para saber como ele está a lidar com as influências astrológicas natais, e as do momento, podendo assim orientar a pessoa no seu caso específico – ninguém é apenas uma data, hora, e local de nascimento.
Texto a negrito são ênfases minhas, não do texto original.
Primeiro, vou abordar a questão do senhor Robert Hand visto que, dos dois nomes apresentados, este é o mais fácil de dissecar. No seu espaço oficial, encontramos a seguinte apresentação:
Antes da consulta propriamente dita nós precisamos do seguinte:
Hora, data e local de nascimento mais qualquer irregularidade acerca do fuso horário que você conheça tal como o uso de horário de inverno em vez do de verão etc. Se você não sabe nada disto, provavelmente não é um problema.Nós precisamos de cinco ou MAIS datas de eventos e precisamos de saber em resumo que eventos foram esses. Estes podem ser coisas como doenças, acidentes, começos ou fins de relacionamentos ou casamentos, filhos se existirem, mudanças de emprego marcantes, mudanças de residência, ou mortes de pessoas próximas importantes se tal tiver ocorrido. Estes são usados para verificar se os dados de nascimento funcionaram com esses eventos passados. Às vezes pequenos ajustes serão feitos aos dados de nascimento com base neste trabalho. Por isso, as datas devem ser dadas pelo menos ao mês e ano, preferencialmente, dia, mês e ano. O ano sozinho não é suficiente!
Uma breve descrição de quaisquer áreas da sua vida que deseje focar-se, ou particularidades que gostaria de ouvir ou sejam feitas durante a consulta.
[...]
De momento as consultas são exclusivamente por telefone. À hora da consulta, deverá ligar-me para o número 703-758-7150.
(Clicar AQUI para ver texto original, na íntegra)
Texto a negrito são ênfases minhas, não do texto original.
Pelo que vejo acima, Robert Hand não faz consultas por internet. Quanto muito, fá-las por telefone. De facto, isto é um método bastante inferior ao contacto “cara-a-cara”, mas note-se que as consultas são em tempo real, ou seja, permitem que haja diálogo entre o astrólogo e o cliente – logo, não podemos classificar de “consultas impessoais”. Não confundir com os números de telefone para os quais se liga para se ouvir uma voz gravada a dizer o nosso “horóscopo”.
Mais do que isso, note-se que ele vai ao ponto de fazer uma rectificação da hora como parte da consulta, o que significa que ele não se limita a debitar textos previamente escritos ou gravados como acontece nos textos de computador ou chamadas de valor acrescentado (respectivamente), pelo contrário, foca-se no ser humano real que pretende consultá-lo.
Tomara nós que houvessem mais astrólogos que fizessem sempre isso. Normalmente, o comum é ter que ser o cliente a pedir por uma rectificação (algo que não é fácil para quem não sabe que isso pode sequer ser feito) e paga-se uma consulta inteira só pela rectificação para, mais tarde, já com o horóscopo rectificado numa consulta anterior, é que podemos obter uma nova consulta para abordar os temas que realmente nos interessam.
Para quem leu o texto original, irá também notar que ele não é rígido em relação ao tempo de consulta, avisando que esta varia entre 60 e 80 minutos – ao contrário de alguns astrólogos que, quando chega o tempo limite, empurram o cliente para a porta de saida e aconselham a pessoa a voltar dentro de “x” tempo se quiser continuar o tema em mãos.
É claro que deve haver limites. Um bom profissional, de qualquer área, tem um período médio de atendimento que deve ser respeitado, mas em áreas de auxílio a terceiros (Advocacia, Astrologia, Medicina, Psicologia, etc) deve haver uma margem de manobra que varia de caso para caso.
A dúvida levantada pela visitante do blog deve-se, provavelmente, ao facto do nome de Robert Hand surgir no espaço “Astrodienst”. Contudo, se formos investigar o caso, descobrimos que Robert Hand não participa neste espaço, só os textos de alguns dos seus livros é que foram cedidos para uso no espaço. Por exemplo, os Trânsitos diários que são apresentados gratuitamente são tirados ipsis litteris do seu livro “Planets in Transit“.
Aliás, o próprio espaço admite isto numa das entradas do seu FAQ:
De que forma Robert Hand está envolvido com o Astrodienst? Posso contactá-lo para questões relacionadas com o vosso serviço?
Robert Hand é o autor* de relatórios astrológicos e recursos online que oferecemos no Astrodienst. Ele não está envolvido directamente nos serviços oferecidos em www.astro.com.
Por isso nós gostariamos de lhe pedir que evitasse contactar Robert Hand para quaisquer questões ou comentários que digam respeito aos produtos e serviços do Astrodienst.
* A maioria dos textos astrológicos de Robert Hand foram escritos nos anos 70 para a empresa Astral Research. O Astrodienst adquiriu a empresa em 1998, e com ela os direitos de autor exclusivos pelos textos. O mesmo aplica-se a John Townley e Robert Pelletier.
(Clicar AQUI para ver texto original, na íntegra)
Portanto, a menos que o senhor Robert Hand ande a fazer algo que eu desconheço (e, nesse caso, agradecia que me indicassem exactamente o quê e onde), o que me parece é que não há grande razão para desconfiar da sua postura profissional.
Isto conclui a secção dedicado ao senhor Robert Hand, mas as coisas ficam um pouco mais complexas no caso de Liz Greene, pois é ela a fundadora do dito espaço Astrodienst, onde os textos dela são a fonte principal das leituras por computador apresentadas nos vários horóscopos vendidos.
Aqui, prefiro não entrar em tantos detalhes como fiz acima por uma questão de respeito e cortesia profissional, mas como me foi pedido que comentasse, e opiniões todos temos, arrisco dizer apenas o seguinte:
Se pensarmos em Linda Goodman como a versão americana da nossa Maya, então Liz Greene é a versão americana do nosso Paulo Cardoso. Ou seja, ambos são muito famosos na sua profissão, ambos sabem imenso de Astrologia, e ambos são óptimos comerciantes.
O que vale é que, mais uma vez, no FAQ do espaço Astrodienst também esta questão dos textos pré-fabricados é abordada:
Os vossos serviços levantaram um sério problema em mim – podem ajudar-me?
Se você tem problemas sérios, por favor, não dependa da informação que nós providenciamos aqui nos nossos serviços (gratuitos). Por favor, procure por aconselhamento psicológico qualificado. Um horóscopo computorizado não pode substituir aconselhamento profissional cara-a-cara.
Como é que um horóscopo de computador se compara a aconselhamento personalizado?
A Astrologia não é um sistema determinista, o que significa que o curso da sua vida não é predeterminado pelo seu mapa natal e não pode ser visto pelo astrólogo. Num diálogo pessoal é possivel analisar a sua situação de vida e circunstâncias à luz do horóscopo. Isto é impossivel para um computador que não sabe de nada fora do seu mapa natal. Apesar disso, um horóscopo computorizado pode dar pistas valiosas e expressar partes centrais da sua personalidade. Pode apontar a oportunidades e desafios que são inerentes ao seu mapa natal. Mas não é suficiente para acompanhá-lo em situações muito dificeis, e certamente que não pode substituir aconselhamento profissional se você está numa verdadeira crise.
Para mais informação detalhada, por favor leia a entrevista ao Dr. Treindl’s a respeito de horóscopos gerados por computador.É possivel ter aconselhamento personalizado por Liz Greene?
De momento e no futuro previsível Liz Greene não pode aceitar novos clientes para aconselhamento personalizado. Ela está demasiado ocupada com outros projectos e apenas recebe clientes de longa data de tempos a tempos.
(Clicar AQUI para ver texto original, na íntegra)
Penso que estes textos falam por si. Tudo o que posso acrescentar é que, de facto, não partilho da admiração que algumas pessoas sentem por alguns dos nomes populares do meio, nomeadamente Liz Greene, Noel Tyl, e mais um ou outro nome que não me ocorre agora, mas que são frequentemente referidos por estudantes de Astrologia como “grandes” referências no meio.
É óbvio que ninguém é só defeitos, nem só qualidades. Nos dois casos que acabei de referir (Liz Greene e Noel Tyl), não tenho qualquer hesitação em reconhecer que muito do que escreveram ao longo das suas carreiras é útil para qualquer estudante de Astrologia (em especial a senhora Liz Greene que, na minha opinião, é de longe superior a Noel Tyl), mas é preciso saber separar o trigo do joio.
Até à próxima.
Barack Obama vs John McCain
A semana passada, fiz uma breve referência ao “ainda presidente” George Bush, e ficou no ar a ideia de abordar então a questão do futuro presidente americano, especialmente, visto que este é o último texto a ser escrito antes da eleição oficial, portanto, se não o fizer hoje não faço mais.
Alguns poderão pensar “o Obama está tão à frente nas sondagens que não é preciso recorrer à Astrologia para saber que será ele que vai ganhar”, mas a história já provou que as sondagens falham, e nos EUA isso até acontece com alguma frequência. Mais importante do que isso, é o facto de já existirem, há algum tempo, previsões astrológicas sobre o resultado das eleições norte-americanas, e nem todas apontam para Obama, e é exactamente isso que desperta-me o interesse – ver, afinal, quem tem razão.
Vou aproveitar, também, para demonstrar como este tipo de exercício pode ser um desafio até para os melhores astrólogos do mundo, não só pelas imensas variáveis que devem ser consideradas, mas pelos problemas intrínsecos à exactidão dos dados disponíveis.
Comecemos pela apresentação dos dados de nascimento conhecidos dos dois candidatos. Antes de mais, tomem nota do facto de que é extremamente dificil conseguir a hora de nascimento exacta de pessoas que não conhecemos pessoalmente (às vezes, até mesmo daquelas que conhecemos), quer seja porque nenhum astrólogo teve contacto real com elas, ou porque essas próprias pessoas dão dados - inocente ou propositadamente - errados para ludibriar quem os questiona.
Existem espaços na internet dedicados à recolha deste tipo de dados, com o propósito de ajudar os estudantes de Astrologia (e não só, alguns profissionais também confiam nesses dados) a terem acesso aos mesmos, contudo, mesmo esses espaços não são 100% fidedignos. Vou mais longe, mesmo que a certidão de nascimento seja revelada publicamente (como é o caso dos candidatos principais, Barack Obama e John McCain), evitem dar muita importância ao posicionamento das Casas Astrológicas, e eventual posicionamento da Lua, porque os dados podem estar à mesma errados, quer seja por “arredondamentos” feitos na altura do preenchimento, ou pela falsificação dos mesmos.
Dito isto, eis as informações disponíveis para os dois candidatos a presidente dos EUA:
- Barack Hussein Obama II, nasceu a 4 de Agosto de 1961, às 19:24, em Honolulu, no estado norte-americando do Hawai, de acordo com a certidão de nascimento que a organização política de Obama revelou oficialmente a 12 de Junho de 2008:
(Clicar na imagem para aumentar)
- John Sidney McCain III, nasceu a 29 de Agosto de 1936, às 18:25, em Colon, no Panamá, de acordo com a Certidão de Nascimento que surgiu não-oficialmente na internet:
(Clicar na imagem para aumentar)
Contudo, num anúncio político onde McCain apareceu com a mãe, esta revelou que o filho teria nascido “perto das 11:00″. Outra versão, e a preferida por muitos astrólogos, também relatada oralmente, é de 09:00. Ambas em Coco Solo Naval Air Station, e ambas demasiado “redondas” para estarem 100% correctas, mas ao menos o dia parece estar certo. Na dúvida, vou usar a versão da mãe, visto que deve saber melhor do que a pessoa que preencheu a Certidão de Nascimento (nem vou discutir, portanto, se esta é oficial ou falsificada).
De qualquer das formas, parece-me lógico que, para estes dois individuos, algo tem que estar a acontecer na Casa 10, ou aos Regentes da Casa 10, etc. Convenhamos, ninguém torna-se presidente dos EUA, sem que a sua carreira e imagem social seja seriamente afectada. Logo, se isso não for visivel, é porque é altamente provável que os dados estejam incorrectos.
Olhando para o Horóscopo de Barack Obama, esta “regra” começa logo a dar que desconfiar. A Casa 10 está vazia, só Vénus é que a Transita no dia das eleições (e nos últimos graus, diga-se de passagem), e dos Regentes da Casa só Marte está a ser afectado por uma Conjunção de Saturno (que pode, de facto, representar um novo ciclo de trabalho e responsabilidade). Há, porém, um Neptuno a Transitar a Casa 1 e, por coincidência ou não, ao longo destes dias até à eleição, o Sol em Trânsito estará em Conjunção ao seu Neptuno Natal. Algo me diz que este Horóscopo não bate muito certo com aquilo que conhecemos publicamente da figura, mas se ele perder as eleições, então passarei a acreditar mais neste Mapa. Por outra perspectiva, se o Mapa estiver mesmo correcto, poderá então aquele Saturno em Trânsito a Marte representar uma descida à terra depois do sonho (se ele perder)? Fica a pergunta.
Vamos ver o Horóscopo de John McCain então. De acordo com o tal relato da sua mãe, o rebento terá vindo ao mundo com Ascendente Escorpião e o Meio-do-Céu em Leão, Sol Natal na Casa 10, e Marte em Conjunção ao MC na Casa 9, e Plutão também na 9. Para alguém que fez carreira como militar, este panorama faz sentido. Saturno na Casa 5 também ajuda a perceber a sua visão tradicionalista.
No entanto, os outros dois Horóscopos também podiam encaixar nesta visão pública que temos do senhor McCain. Em todo o caso, sem entrar em pormenores em relação a esses Mapas (têm os dados, por isso, podem ver por vocês mesmos), todos eles parecem-me muito mais favoráveis à vitória do que o Horóscopo de Barack Obama, o que me faz novamente ponderar se o dados desse senhor estarão sequer perto da realidade (mas ficaremos com uma ideia já dentro de 3 dias).
Numa situação destas, onde a Astrologia Natal é tão passível de ser inadequada por falta de elementos, talvez o melhor seja recorrer à Astrologia Mundana. Dito de outra forma, vamos ver os Horóscopo das eleições americanas propriamente ditas:
- 4 de Novembro de 2008, às 20:00 (penso ser esta a hora de encerramento das urnas, corrijam-me se estiver enganado), em Washington (estamos a falar de um novo ciclo da Casa Branca, afinal).
Com este Horóscopo, as coisas já parecem mais em comunhão com o que as sondagens observam. Contudo, mesmo aqui vê-se um equilibrio, o que me leva a crer que o resultado final vai ser bem mais renhido do que nas sondagens. A questão é: qual sai por cima? Penso que não é por acaso que Úrano, às 20:00 de Washington, esteja a Transitar a Casa 10. Por isso, a meu ver, será mesmo Barack Obama a levar a melhor. Porém, não podemos ignorar o facto deste Urano estar Retrógrado, e estar Disposto por um Júpiter que, também ele, está bem ligado a Saturno, e no fim das contas é Disposto por esse Saturno. É isto que me faz pensar num resultado muito mais “apertado”.
Podiamos também pegar na coisa de outra forma, como por exemplo, fazer o Horóscopo dos EUA e compará-lo com o Horóscopo acima, para ver como a população americana é suposto reagir a estas influências mas, sinceramente, já não tenho paciência para isso, e não dou importância suficiente a estas eleições para encontrar justificação no esforço.
Só por curiosidade, para aqueles que querem aprofundar o tema, vou incluir aqui os dados de nascimento de Hillary Clinton. Já sabemos que ela perdeu a corrida para o Obama, mas será que isso era previsivel astrologicamente? É o que seria interessante confirmar mas, infelizmente, ela é o exemplo perfeito de como estas coisas da hora de nascimentou podem ser uma dor de cabeça:
- Hillary Rodham Clinton, nasceu a 26 de Outubro de 1947, em Chicago, no estado norte-americando de Illinois, de acordo com várias fontes, incluindo a própria.
Agora a hora de nascimento é que é um calvário. Pode ser às 00:00, 02:00, 08:00, 20:00, ou ainda pequenas variantes como 08:02 e 19:58. Aparentemente, a única coisa em comum é a ideia de que terá sido numa altura em que era noite, ou quase-noite, por isso, fazer um Horóscopo para o meio-dia, como é costume quando não se sabe a hora de nascimento de alguém, não parece a melhor abordagem neste caso.
Por último, vou dar também os dados de nascimento dos potenciais vice-presidentes, visto que a sua presença também influencia a decisão eleitoral.
- Joseph Robinette Biden Junior, nasceu a 20 de Novembro de 1942, em Scranton, no estado norte-americano da Pennsylvania. Aceita-se que terá nascido por volta das 08:30, mas não há documentos oficiais ou fontes credíveis para o confirmar.
- Sarah Louise Heath Palin, nasceu a 11 de Fevereiro de 1964, em Sandpoint, no estado norte-americano do Idaho. Hora completamente desconhecida, surgindo apenas um rumor na internet acerca de uma possivel hora perto das 04:40.
Depois disto, uma forma de estudar padrões, é procurar pelos dados dos intervenientes de eleições passadas, indo ver os Horóscopos dos candidatos George Bush (6 de Julho de 1946, em New Haven, Connecticut) contra John Kerry em 2004 (11 de Dezembro de 1943, em Aurora no Colorado), ou contra Al Gore em 2000 (31 de Março de 1948, em Washington), e por aí fora. Isto é Astrologia Politica, no seu melhor, para quem gosta.
Já agora, deixo uma caixa de votação, em baixo, onde podem votar antecipadamente em quem acham que vai, de facto, ganhar a eleição (não em quem gostariam que ganhasse, vale a pena sublinhar). A votação ficará aberta apenas até à meia-noite (GMT) de dia 4 de Novembro de 2008, altura pela qual será substituida somente pelos resultados da votação.
ACTUALIZAÇÃO ( 2008/11/04 )
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Ao longo das últimas 70 horas (de 1 de Novembro de 2008, às 02:00 GMT, até 4 de Novembro de 2008, às 00:00 GMT) foram recebidos 24 votos, com os seguintes resultados:- Barack Obama / Joe Biden (Democratas) = 18 (75%)
- John McCain / Sarah Palin (Republicanos) = 6 (25%)
Dentro de algumas horas, abrem as urnas nos EUA, e ficaremos a saber se esta mini-previsão confirma-se ou não.
Até à próxima.

