Cepticismo
Recentemente, uma pessoa do meu círculo social, e que tem um interesse crescente em Astrologia, relatou-me que, numa conversa com alguém do seu próprio círculo social, o tema da Astrologia veio à superfície, e essa terceira pessoa rapidamente encerrou o assunto com algo que, parafraseando, foi mais ou menos: “a Astrologia é uma questão de crença, e eu não acredito”.
Ao ouvir isto, não pude deixar de rir e, seguidamente, abanar a cabeça ao sentir um certo sentimento de “pena”, em especial por tratar-se de alguém de uma geração mais jovem que a minha, onde seria expectável encontrar jovens adultos com uma mente mais apta para lidar com a racionalidade do que os nossos antepassados.
Bem sei que há jovens de vinte e poucos anos, e até menos, que abraçam cegamente as palavras de um livro, defendem formas de entretenimento que implicam a morte ou sofrimento de outros seres vivos, e/ou acham que “liberdade” é sinónimo de “fazer o que me apetece, doa a quem doer”, entre um sem-número de outros exemplos de falta de juízo racional e inteligente.
É um quadro negro, aquele que pintei, mas opto por olhar para a coisa de um ponto de vista mais construtivo, retirando inspiração do evento em causa, e assim delinear um texto em “homenagem” a essas mentes brilhantes que debitam tais pérolas de sabedoria acerca da Astrologia.
Antes de mais, a meu ver, existem dois tipos de Cepticismo: o “Saudável” e o “Doentio”.
No Cepticismo Saudável, temos o arquétipo da mente científica. Ou seja, a tendência para questionar tudo, não tomar nada por garantido, e nunca conformar-se com uma resposta. Mesmo quando achamos que já sabemos algo, a mente científica quer sempre testar novas teorias, novas abordagens, rever o passado com novos olhos, etc. Isto é óptimo, e é recomendável a qualquer ser humano que queira desenvolver a mente, independentemente de dedicar-se profissionalmente a uma ciência ou não. É o uso da inteligência cognitiva no seu melhor.
No Cepticismo Doentio, temos o arquétipo do dogma e do fanatismo. Ou seja, a tendência para questionar tudo, não com qualquer interesse em encontrar respostas, mas sim em arranjar formas de provar como certas as respostas que desejam ser as verdadeiras. É o pôr em causa por questões de ego. Por vezes, também, o receio de não ter capacidade para lidar com uma realidade que não é conveniente (zona de conforto). O importante passa a ser convencer o mundo que aquela é a única verdade (voltamos à questão do ego), logo, dando ênfase a defeitos e argumentos potencialmente destrutivos das verdades alternativas e, convenientemente, ignorando o que não serve este propósito. Em suma, é o Cepticismo elevado/rebaixado (como preferirem) ao estatuto de Religião.
Um típico exemplo disto é a tendência a fazer citações de cientistas que fizeram esta ou aquela afirmação em detrimento da Astrologia. A pessoa em causa pode não conhecer o contexto da afirmação, ou sequer ter qualquer conhecimento sobre o trabalho desse cientista, mas a citação é feita à mesma e apresentada como “prova” para justificar as suas crenças.
Um desses cientistas, muitas vezes citado, é Carl Sagan. Sem dúvida, um grande cientista, e é bem verdade que ele questionou sempre a Astrologia, mas ele também fez o seguinte comentário no seu livro The Demon Haunted World (Science As A Candle In The Dark) – que aqui em Portugal tem o nome Um Mundo Infestado de Demónios, da editora Gradiva – onde ele descreve como se recusou a assinar um manifesto anti-Astrologia nos anos 70 porque o tom do manifesto era autoritário (leia-se “dono da verdade”) e acrescentou:
O manifesto insistia que não conseguimos pensar em nenhum mecanismo pelo qual a Astrologia poderia funcionar. Isto é certamente um ponto relevante mas por sí só não é convincente.
Nenhum mecanismo era conhecido para o “movimento” dos continentes (agora subsumido em placas tectónicas) quando foi proposto por Alfred Wegener no primeiro quarto do século XX para explicar uma série de dados confusos em geologia e paleontologia (veias de rochas e fósseis pareciam seguir continuamente do zona Este da América do Sul até ao Oeste de África; terão os dois continentes alguma vez estado ligados e o Oceano Atlântico ser novo?).
A ideia foi redondamente desprezada por todos os grande geofísicos, que estavam certos que os continentes eram fixos, não flutuavam em nada, e logo incapazes de “movimento”.
Em vez disso, a ideia chave do século XX em geofísica acabou por ser as placas tectónicas; agora entendemos que as placas continentais de facto flutuam e “movem-se” (ou melhor, são carregadas por uma espécie de corredor móvel conduzido pelo grande motor de calor do interior da Terra), e todos aqueles grandes geofísicos estavam simplesmente errados.
Notem bem a última frase. O próprio Carl Sagan, inimigo número um da Astrologia (como alguns diriam), a dar o braço a torcer admitindo que até os grandes cientistas em massa, nas suas certezas, enganam-se, e num período tão recente como o século XX – fazendo aqui uma clara demonstração de Cepticismo Saudável.
Agora pergunto: quantas vezes viram ou ouviram alguém que despreza a Astrologia comentar a citação acima? No meu caso, nunca, e ainda estou para conhecer alguém que diga algo em contrário. Porquê? Talvez porque não seja conveniente, e talvez porque acredita-se, preconceituosamente, que os astrólogos não percebem nada de ciência, logo, nunca iriam ler estes textos. A verdade é que, para a esmagadora maioria das pessoas que não levam a Astrologia a sério, o importante é ter razão (dogma) e não saber a verdade (ciência).
É verdade que Carl Sagan também pôs a “pata na poça” algumas vezes, ou não fosse ele humano, e rodeoado de pessoas que, como ele mesmo descreveu, eram bastante autoritárias. Num mundo onde a carreira está dependente da aceitação pelos pares, fazer uma afirmação polémica sem ter a força dos números e sem provas científicas (leia-se: que correspondam aos modelos presentemente aceites pela comunidade científica) seria suicídio profissional, e Carl Sagan nunca teria tido o sucesso e popularidade que teve se tivesse personalidade para ser um rebelde.
Notem, porém, que quando falava de Astrologia, ele dava particular atenção às técnicas de Astro-Entretenimento. Alguns dos videos mais populares de Carl Sagan no YouTube, hoje em dia, e que são tão usados por alguns críticos como “provas” científicas contra a Astrologia, são exactamente aqueles onde Carl Sagan, inteligentemente, põe a nú a falsidade das previsões genéricas nos jornais e revistas, mas como já expliquei noutros textos anteriores, isso nem sequer é Astrologia, e sim um travesti da Astrologia que surgiu e ganhou proeminência somente nos últimos quatro séculos (talvez aprofunde mais isto num futuro texto, quando falar da história da Astrologia).
No contexto do que estou a querer falar esta semana, o ponto a reter aqui é que uma mente científica não faz afirmações definitivas. Tudo está aberto a ser testado múltiplas vezes ao longo dos tempos, exactamente porque, à medida que a civilização humana evolui, novas formas de testar o universo que nos rodeia vão surgindo e permitem-nos entender as coisas melhor.
Porém, desde pessoas comuns, como aquela que referi no começo deste texto, até pessoas de renome no meio científico, como o autor do tal manifesto anti-Astrologia, observamos que são pessoas que não buscam por respostas. Pelo contrário, agarram as respostas que lhes convem, e depois procuram justificar essas respostas. Chama-se a isto “manipulação dos factos”, e o mundo está pejado disto, aos mais variados níveis – como, aliás, sempre esteve.
Há algumas semanas atrás, no texto sobre Horóscopos onde tentei explicar porque é que as previsões dos Signos solares não são Astrologia, falei daquelas pessoas que, por ignorância, abraçavam vigorosamente tudo o que é popularizado nos meios de comunicação social acerca da Astrologia – chamemos a este grupo de “os crentes”. Enquanto esse grupo pode argumentar que é ignorante, e não tem meios para saber mais e melhor, o mal deste segundo grupo que refiro hoje é que, arrogantemente, não assumem qualquer tipo de ignorância e, pelo contrário, defendem os seus preconceitos alegando conhecimento de outras ciências distintas (Astronomia e Psicologia sendo as mais comuns), ou justificando a sua capacidade intelectual com o currículo que têm, mais uma vez, noutras áreas separadas da Astrologia.
Eu costumo dizer que, se houve uma coisa boa que o ainda presidente dos EUA, George Walker Bush, fez pelo mundo, foi provar que ter um curso numa universidade de renome não é sinónimo de ser uma pessoa brilhante e, ironicamente, o seu poder de argumentação é, em muitas coisas, semelhante ao da maioria dos críticos da Astrologia, onde as falhas de lógica, ocultação de informação pertinente (ou impertinente, dependendo do ponto de vista), e manipulação dos factos, são alguns dos ingredientes principais do prato do dia.
Uma mente científica questiona as coisas, põe-nas em causa, faz perguntas, e não aceita nada cegamente. Claro que não, e é uma atitude positiva, que promove a investigação, o estudo, a pesquisa, e a evolução do conhecimento. Porém, quando esta atitude de duvidar das coisas serve apenas para reduzir e minimizar o desconhecido, em vez de tentar entendê-lo, então isso é puro dogma, nada mais.
Atenção que não me estou a referir a “opiniões”. Não há mal algum em ter opiniões, desde que a pessoa admita que é só mesmo isso e, consequentemente, aceite que pode estar mal informada. O grande problema, e é esse que quis abordar esta semana, está no facto de algumas pessoas não terem a capacidade para distinguir “opinião” de “verdade”.
No fundo, alguém que critica a Astrologia como um todo, sente-se convicto de que esta não é séria, e faz afirmações infundadas sobre o tema, é como um fanático religioso que está preso no seu mundo de verdades, do qual recusa-se sequer a vir à janela ver se há um mundo mais abrangente para explorar. Esses “cépticos” podem utilizar mil e uma definições e expressões para se diferenciarem de outros fanáticos religiosos, mas a verdade é que as atitudes e actos são iguais – só as crenças que defendem é que mudam.
Até à próxima.
Compatibilidades
É um facto que tendemos a só dar atenção àquilo que funciona mal porque, quando as coisas funcionam bem, encostamo-nos e tomamos essas coisas por garantidas. Nas relações isto é particularmente verdade, mas notem que há tipos de relação que, tipicamente, trazem mais problemas que outros.
Dos quatro tipos de relação que vou abordar aqui, a amizade é aquela onde tradicionalmente somos menos exigentes em relação aos outros. Não é tão comum ter ciúmes se o nosso amigo sai e vai ao cinema com outra pessoa, se está mais tempo com esse indivíduo do que connosco, se não nos telefonou esta semana, etc. Aliás, o mais provável é partilharmos dessa mesma ida ao cinema, fazendo o programa a três ou quatro e, dessa forma, expandimos o nosso próprio círculo social, ganhando mais um amigo ou amiga.
No fundo, há um respeito natural pelo individualismo de cada um. O tempo é finito, e é utilizado da forma que for mais conveniente a todos os intervenientes da relação e, se houver um contratempo, “oh que pena, fica para a próxima”. Amizades assim podem durar vidas inteiras porque não se baseiam nas exigências, mas sim na compreensão, receptividade, e partilha.
Quando olhamos para outros tipos de relação, onde o factor exigência é inerente ou imposto, as coisas começam a complicar-se. Por exemplo, o tipo de relação que coloco aqui em segundo lugar, é a chamada relação profissional que, às vezes, transborda para a amizade. Aliás, é muito comum fazerem-se amigos no local de trabalho, ou na escola, apesar do surgimento de um Saturno mais proeminente na questão. Aqui é preciso fazer algo, cumprir uma obrigação, a que ambos estão ligados. É a exigência inerente deste tipo de relação, mas quando os intervenientes aprendem a lidar com isso, o resto processa-se com o mesmo à-vontade que uma amizade, e a partilha é possível (e recomendada).
Em terceiro lugar, considero a relação familiar. Do ponto de vista racional, não devia em nada ser diferente da amizade, mas ainda vivemos numa sociedade que acredita piamente que ter laços de sangue, de alguma forma, cria obrigações extra para a relação – ou seja, exigências, mas neste caso auto-impostas pelos valores culturais e morais dos intervenientes.
Racionalmente, reparamos que quase todos os seres vivos seguem um padrão familiar similar, que passa por ajudar os jovens a tornarem-se adultos independentes e, por fim, lançá-los à vida. Entre seres humanos, porém, há pais que “aprisionam” os filhos, incapacitando-os para uma potencial vida adulta saudável, irmãos que intrometem-se e assumem atitudes paternalistas sem direito ou mérito, filhos que tentam compensar a falta de preparação dos pais individualizando-se demasiado rápido, e de forma caótica, etc.
Por fim, e embora a relação acima já pareça digna do último lugar, considero as relações amorosas (que, por ironia, raramente incluem amor) como aquelas que mais chatices e preocupações criam. Porquê? Porque é exactamente aqui que o ser humano atínge o cúmulo da exigência, ao ponto de, em muitos casos, pretenderem obter um papel assinado que legalmente os permita dizer “és meu” ou “és minha”. É neste mundo que vivemos, onde compramos uma casa e assinamos a escritura, compramos um carro e exigimos que esteja em nosso nome, e compramos uma esposa ou marido e… ops… esperem, não são propriamente comprados, mas tratamo-los como se fossem, o que vai dar ao mesmo.
Notem a diferença entre a descrição de uma amizade típica para aquilo que entendemos por uma relação amorosa. Na primeira temos, tradicionalmente, uma abertura total, confiança no outro, partilha, e respeito pela individualidade mútua. Na última temos, por tradição, o ciúme e a posse. Isto é para pensar e meditar.
Não me entendam mal. Não tenho nada contra a monogamia, ou o partilhar de uma vida inteira a dois debaixo do mesmo tecto, etc. No entanto, isso só faz sentido quando feito conscientemente. A realidade é que as pessoas que pretedem ter intimidade com outra tendem, na maioria dos casos, a fazê-lo pelos motivos errados. Quer seja para preencherem um vazio que sentem na sua vida, às vezes com frases aparentemente inspiradas, mas ocas, como “tu completas-me”, ou por qualquer outro tipo de dependência (física ou emocional).
Ninguém completa ninguém. Já somos completos. Somos é inexperientes em relação a nós mesmos. As relações surgem, portanto, como uma espécie de “espelho” para nos ajudar a ser cada vez mais nós próprios. Relacionar com outras pessoas é, no mínimo, uma forma de entender o mundo através de outras experiências e perspectivas. É por isso que também não é saudável ser um “lobo solitário”, visto que isso é o equivalente a parar no tempo e desperdiçar oportunidades de elevação da consciência.
De qualquer forma, não é sobre filosofia relacional que quero aprofundar hoje. Apesar de já ter escrito um bom bocado, achei que era necessário dar esta introdução como forma de dar algumas dicas sobre a origem dos problemas relacionais do tempo presente, e que motiva a procura por ajuda astrológica. Acima de tudo, foi uma introdução necessária para tornar mais compreensível a seguinte afirmação:
- Todas as relações podem funcionar, independentemente da compatibilidade astrológica
Isto pode parecer óbvio para algumas pessoas, mas é preocupante o número de pessoas que têm receio de sequer arriscar um contacto com alguém do Signo “x” ou “y”, porque acreditam que, de alguma forma, o Horóscopo de um indivíduo é que o força a ser compatível ou incompatível consigo. No fundo, isto é uma espécie de preconceito que se criou com o tal “amaldiçoado” Astro-Entretenimento que faz afirmações bárbaras do género “Se és Carneiro procura um Leão ou Sagitário, porque são fogosos como tu, mas nem penses em trocar olhares com um Touro ou Escorpião porque o primeiro aborrece-te, e o segundo sofoca-te!”.
Para quem é ingé… digo, optimista, e ainda acha que as massas são inteligentes o suficiente para não levar estas coisas a sério, dou como exemplo um anúncio pessoal que vi há algum tempo que, entre outras coisas, dizia “só respondo a quem for do Signo Aquário ou Peixes”. Aparentemente, esta senhora leu as descrições dos 12 Signos e concluiu que quer homens assim. Acho que é escusado comentar, mas deixo a frase no ar para meditarem um pouco sobre a repercussão da mesma na vida da senhora em causa.
Alguns dirão “bem, isso é só ignorância, a senhora não estuda Astrologia”. Talvez, mas se estudasse não é seguro que mudasse de atitude. Para dar mais um exemplo, há alguns anos atrás conheci uma estudante de Astrologia de longa data (mais de 10 anos) que clamava que nunca na sua vida iria relacionar-se com alguém que tivesse Marte na Casa 7. Como às vezes sou mauzinho e gosto de ver as pessoas enterrarem-se ainda mais, perguntei singelamente porquê, e a resposta foi que pessoas com esse posicionamento astrológico são violentas nas relações, batem na mulher, etc. Admito que, pelo menos a mim, deu-me vontade de apresentar-lhe a cara a um taco de baseball, ali mesmo e naquele momento, mas enfim (estou a brincar, não se preocupem).
É preciso brincar com estas coisas, senão seriam para chorar. O preconceito, ou a forma preconceituosa com que algumas pessoas referem-se à Astrologia, porém, é muito séria e preocupante. Sim, é baseada na ignorância mental (falta de estudo sobre Astrologia) mas, às vezes, provém daquilo que chamo ignorância emocional, onde o indivíduo sabe racionalmente que ser negro, ser mulher, ser homossexual, ou ser estrangeiro (só para dar alguns exemplos típicos) não é sinónimo de ser mau, ou pior que outros mas, emotivamente, reage de forma negativa a esses indivíduos à mesma. Ter estas noções implica viver de uma forma consciente e inteligente, tanto do ponto de vista mental como emocional, e praticar Astrologia deve ser feito dentro desses mesmos parâmetros.
Saber Astrologia não é só saber qual o significado dos símbolos num Horóscopo. É, sim, saber como lidar com esse significado para poder viver aquele potencial de uma forma positiva e construtiva. Pegando no exemplo acima, de Marte na Casa 7 (e ignorando o Signo em que pudesse estar, ou os Aspectos que faz, etc), a única coisa que um astrólogo consciente pode afirmar com elevado grau de certeza é que trata-se de alguém que gosta de ter actividade nas relações. Essa actividade pode ser violenta, de facto, mas também pode ser um apetite sexual voraz, pode ser gostar de praticar desporto e querer que a sua companheira ou companheiro partilhem do mesmo hobby, etc.
Isto leva-me à questão daquilo que é importante ser observado nos Horóscopos de uma relação. Em Astrologia Relacional, a primeira coisa a ver é o Horóscopo Natal dos indivíduos em questão porque é preciso ter uma noção primária do potencial relacional de cada um. Não adianta ter um Horóscopo Composto maravilhoso, ou uma Sinastria fantástica, se os Horóscopos Natais de um, ou ambos, demonstrarem que a pessoa pode ter pouca apetência para tirar proveito disso.
Só depois é que é legítimo fazer uma Sinastria, ou seja, a comparação dos dois Horóscopos Natais, em busca de ligações. Aqui devo dizer que, ao contrário do que alguns pensam, ter só Trígonos e Sextis não é sinónimo de uma boa relação. Eu ainda não abordei a questão dos Aspectos (está na lista de espera, para um futuro próximo), mas já referi antes que nenhum Aspecto é “bom” ou “mau”. No caso, uma Sinastria que é dominada por Aspectos Passivos (Trígonos e Sextis) demonstra elevado grau de harmonia, mas pouca atração. Por isso, se estas duas pessoas, eventualmente, conhecerem-se, podem falar bem e estar bem uma com a outra, mas dificilmente vão encontrar “cola emocional” para ficarem juntos muito tempo, ou partilharem de grandes projectos a dois.
Da mesma forma, uma Sinastria que é dominada por Aspectos Activos (Conjunções, Quadraturas, e Oposições) pode indicar grande atracção, mas ao mesmo tempo uma tendência a “pisar nos calos” um do outro.
Por fim, podemos fazer o Horóscopo Composto. Este é semelhante ao Horóscopo Natal de cada indivíduo, mas é criado através do cálculo dos Pontos-Médios da Sinastria. Dito de outra forma, é o mapa da relação, como se a relação fosse um único indivíduo. Como tal, só se faz este Horóscopo para pessoas que partilham de algo juntos, quer seja uma empresa como sócios, uma casa como casal, etc.
Ainda não acabou. Depois de tudo isto, ainda podemos consultar os Trânsitos, Progressões e Direções de Arco, não só para os Horóscopos Natais, mas também ao Horóscopo Composto. Desta forma, fazem-se as previsões para os momentos de sucesso, e timings de surgimento de obstáculos na relação, ou na vida dos indivíduos que, por sua vez, podem reflectir-se na relação.
Em conclusão, não há relações perfeitas, nunca houve e, até prova em contrário, nunca haverá – pelo menos neste mundo em que vivemos. Quando entramos numa relação, não deve ser como quem joga no Euro-Milhões e ver “se é desta que acerto”. Cada relação vai ter o seu lado positivo e o seu lado negativo. A Astrologia Relacional serve, essencialmente, para detectar com antecedência os pontos fortes e fracos dessas relações, para capitalizarmos os primeiros e atenuarmos os segundos. Com ou sem esta ajuda, o objectivo é aprender a vivê-las o melhor que puderemos, sem expectativas e, acima de tudo, sem preconceitos nem exigências.
Até à próxima.
Astrologias
Algumas pessoas já me questionaram sobre a razão da morada de acesso a este blog estar no plural. Bom, em grande parte porque o nome “astrologia”, no singular, já foi tomado por alguém que, por volta de Fevereiro de 2007, lembrou-se de criar um blog com esse nome, mas depois não fez absolutamente nada com ele e, infelizmente, aqui no WordPress, quando um nome é tomado, desaparece para sempre, mesmo que o dono abandone o blog – como parece ter sido o caso.
De qualquer forma, “astrologias”, no plural, acaba por encaixar bem no conteúdo deste blog visto que eu faço referência a todo o tipo de Astrologia praticada, tanto no passado como no presente, e desde aquelas que são cientificamente comprováveis, àquelas que são inventadas, passando pelas teóricas que ainda não tiveram tempo, ou interesse geral, para se definirem.
De facto, existem muitas Astrologias, ou formas de Astrologia, e achei que seria interessante listá-las para mostrar mais uma perspectiva de como a Astrologia, no seu todo, pode ser abrangente e, consequentemente, muito mais complexa do que parece à primeira vista.
Neste aspecto, podemos comparar a Astrologia à Medicina. Um astrólogo é, por norma, um pouco o equivalente ao médico de Clínica Geral, que não sabe tudo mas encaminha o paciente para especialistas quando necessário. O mesmo acontece na Astrologia onde, muitas vezes, o astrólogo encaminha o cliente para outros astrólogos que especializam-se em um ou mais tipos de Astrologia, ou ainda para profissionais de outras actividades, se for caso para isso.
No fundo, tentar encontrar um astrólogo “perfeito”, que saiba tudo, e responda a todas as nossas necessidades, é um pouco como querer encontrar um único médico que também faça tudo – esqueçam, simplesmente, não vai acontecer.
É claro que, uma pessoa saudável também não precisa de ir muitas vezes a especialistas. Pode mesmo passar a maior parte da sua vida apenas com exames de rotina, e raramente algo mais (só a partir dos 40 anos é que a coisa já não é bem assim). O mesmo é com a Astrologia, alguém que saiba lidar com a sua vida de uma forma equilibrada, dificilmente precisará de mais que a típica consulta anual recomendada pelo seu astrólogo de confiança.
Alguns tipos de Astrologia, porém, não são compatíveis entre sí, como é o caso da Astrologia Chinesa, por exemplo. Estas astrologias utilizam um sistema próprio e técnicas que não lhes permite uma comparação directa com aquela que está mais popularizada no mundo actual, que é a Astrologia Ocidental.
Para explicar melhor isto, vou recorrer a uma analogia. Imaginem que a Astrologia é como uma árvore, as bases dessa Astrologia são o tronco da árvore, e as suas especializações são os ramos (aliás, podemos mesmo chamar a essas especializações de “ramos da Astrologia”, tal como a Cardiologia é um “ramo da Medicina”).
A Astrologia Ocidental é uma árvore em sí mesma, mas a Astrologia Chinesa é uma árvore distinta. Podem até ser da mesma “espécie”, mas são claramente árvores diferentes, com raízes distintas.
Alguns pseudo-astrólogos ignoram este facto e tentam fazer comparações ou, pior ainda, combinações entre Signos Ocidentais com Signos Chineses. É comum encontrar livros de Astrologia Chinesa que, algures no seu interior, listam essas combinações, sem realmente aprofundar nenhum dos sistemas, mas isto é puro Astro-Entretenimento, e tem o mesmo valor que os Horóscopos periódicos das revistas e jornais que referi há algumas semanas atrás.
Muito podia ser dito só da Astrologia Chinesa, da Astrologia Maia, ou da Astrologia Védica, e muitas outras mas, neste texto, vou só aprofundar o assunto na Astrologia Ocidental porque, como vão ver, já dá muito que falar.
Dentro da Astrologia Ocidental, podemos então observar as suas ramificações de base, que são:
- Astrologia Electiva
- Astrologia Mundana
- Astrologia Natal
- Astrologia Natural
Há quem inclua nesta lista uma quinta ramificação, a Astrologia Horária, mas devido à sua eficácia dúbia no tempo presente, opto por referi-la apenas como curiosidade histórica.
A Astrologia Electiva é a ramificação que se dedica ao estudo dos melhores momentos para tomar uma acção, tais como: investir na bolsa, fazer uma viagem, etc. Requer, essencialmente, que o astrólogo tenha bom senso e um bom conhecimento do que é preferencial para o caso em mãos. Por exemplo, Mercúrio será particularmente importante quando se procura eleger uma boa altura para enviar curriculos a um potencial empregador.
A Astrologia Mundana, também conhecida hoje em dia como Astrologia Mundial, ou Astrologia Politica, é a ramificação que se dedica ao estudo das nações, dos ciclos económicos, políticos, etc. Requer do astrólogo alguns conhecimentos dentro destas áreas, para que possa acompanhar esses ciclos de forma minimamente competente.
A Astrologia Natal, claramente a mais conhecida, é a que foca o ser humano como indivíduo, e as suas relações com outros. Requer do astrólogo algum conhecimento nas áreas das ciências sociais e humanas, e alguma capacidade de empatizar com o indivíduo, ou indivíduos, em causa.
A Astrologia Natural, também conhecida hoje em dia por Astrologia Meteorológica, ou Astro-Meteorologia, tem como objectivo estudar o clima, as marés, terramotos, efeitos da natureza em geral, etc. É muito pouco estudada, e ainda menos utilizada, na prática astrológica contemporânea.
Depois destas ramificações, existem aquelas que podemos chamar de sub-ramificações ou, nalguns casos, ervas daninhas e cogumelos que despontaram junto da dita “árvore” astrológica:
- Astrologia Esotérica (sistema distinto, com regras próprias)
- Astrologia Financeira (também conhecida como Astrologia Económica, ou Astro-Economia)
- Astrologia Kármica (Essencialmente, uma versão filosófica da Astrologia Natal)
- Astrologia Locacional (onde inclui-se a Astro-Geografia, também conhecida por Astro-Cartografia)
- Astrologia Médica (inclui-se aqui a Astrologia Pediátrica)
- Astrologia Psicológica (também conhecida como Psicologia Astrológica, ou Astro-Psicologia)
- Astrologia Relacional (principal ramificação da Astrologia Natal)
- Astrologia Vocacional (apesar de menos popular, é também uma das principais ramificações da Astrologia Natal)
É curioso notar que, por exemplo, a Astrologia Psicológica divide-se ainda mais em três variações, a Astrologia Psicológica Humanista, a Astrologia Psicológica Profunda, e a Astrologia Psicológica Transpessoal. No fundo, o que isto quer dizer é que a Astrologia está, progressivamente, a deixar de ser um centro de conhecimento íntegro e completo, como era nas suas origens, para “partir-se” em especializações, um pouco como todas as outras ciências acabam por fazer hoje em dia. Um sinal dos tempos, ou simplesmente o facto de haver presentemente um excesso de informação que precisa ser dividido? É uma questão polémica, mas é também um debate para outro dia.
Certamente que esqueci-me de listar alguns tipos de Astrologia que ainda se ouvem falar, tanto na internet como em livros especializados, mas penso que cobri a grande maioria. Não referi, propositadamente, a Astrologia Sideral e Astrologia Tropical pelos motivos que apresentei num dos meus textos de Agosto passado (ver Arquivos). Fora isto, se alguém se lembrar de algo que me tenha escapado, agradeço que indiquem.
Até à próxima.
Crise Financeira
Nesta altura do campeonato, haverá tema mais pertinente do que a crise financeira que é anunciada em todos os noticiários, todos os dias, desde há um mês atrás, e com promessa de continuar? Sim, mas mesmo assim apetece-me falar deste assunto esta semana.
Tenho ouvido alguns colegas fazerem muitos comentários sobre o assunto, e a maioria parece apontar que isto são sinais de Plutão a entrar em Capricórnio. Não nego que também penso assim mas, como às vezes digo, “o buraco é mais em baixo”.
Os economistas afirmam que a crise nasceu há já algum tempo, pelo menos desde 2007, mas a mim parece-me que esse foi o período de concepção da crise, e não o seu nascimento propriamente dito, visto que o “choque” que acordou o mundo para a situação foi o escândalo das empresas Fannie Mae e Freddie Mac, que ocorreu há cerca de um mês atrás, mais exactamente a 7 de Setembro de 2008.
Devo dizer, desde já, que Astrologia Financeira não é a minha especialidade, mas não resisti à tentação e criei um Mapa Astrológico para esta data e verifiquei alguns pormenores curiosos. Para quem não sabe, a primeira coisa que devemos observar, nestes casos, é o posicionamento de Júpiter e Saturno, visto que é o ciclo que estes dois Planetas fazem entre sí que mexe com a economia e finanças do mundo e, nesta data, Júpiter estava no grau 12º32 de Capricórnio, Estacionário (retomaria o movimento Directo dois dias depois), e Saturno estava no grau 12º23 de Virgem – ou seja, um Trígono praticamente perfeito.
Agora, alguns perguntarão:
- Mas é um Trígono, não devia ser bom?
Isto é uma questão que pretendo abordar num futuro texto. Os Trígonos e Sextis não são necessariamente bons nem maus. Da mesma forma, as Quadraturas e Oposições não são necessariamente boas nem más. Tudo o que um Aspecto indica é que os dois Planetas estão ligados, mas a forma como essa ligação se define depende de vários factores, nomeadamente do tal livre-arbítrio que falei há duas semanas atrás.
Adiante com o tema desta semana, note-se que neste Mapa é Saturno, o Planeta da contenção e responsabilidade, que está a dominar. Aprofundando o que comecei por dizer um pouco acima, Júpiter está em Queda (12º32 de Capricórnio), Estacionário, e em Quadratura ao Dispositor de Saturno (Mercúrio), que está no mesmo grau dos Planetas Sociais (12º05, mas de Balança). Só isto já basta para verificar que é um período desafiante, mas Marte também está no mesmo grau (12º29) do seu Signo de Detrimento (Balança), em Quadratura a Júpiter, e em Conjunção a Mercúrio (Dispositor de Saturno). Como se não bastasse, Vénus (Dispositor de Mercúrio e Marte) está também em Quadratura a Júpiter, embora a dois graus de distância (10º02), e no seu Signo de Regência (Balança).
Claro que, quando falamos de “choque repentino”, lembramo-nos logo de Úrano, e também esse está no cenário aqui apresentado. Júpiter que, como vimos acima, está bastante enfraquecido, é o Dispositor de Úrano que, por sua vez, está Retrógrado e em Oposição a Saturno. Como o engenheiro António Guterres diria, “é só fazer as contas”.
Acrescentem a isto a informação que referi na semana passada, sobre Mercúrio Retrógrado no Elemento Ar, desde final de 2007, e o quebra-cabeças começa a fazer sentido – e, a propósito, observe-se que não é nenhuma surpresa que o plano de injectar 700 mil milhões de dólares no mercado monetário (Plano Paulson) não tenha passado à primeira.
Apesar de tudo, é verdade que está lá um Trígono Crescente, o que significa que existem oportunidades de lidar com a situação de uma forma criativa, com bons exemplos, ou com uma liderança forte (isto são apenas alguns exemplos) mas, sendo o Trígono um Aspecto Passivo, essa criatividade está dependente do poder de iniciativa de cada individuo – e sim, isto pode ser visto a nível pessoal no Mapa Natal de qualquer um de nós.
A Vénus em Regência, como Dispositora de Mercúrio e Marte também é um sinal positivo, em especial no sentido de encontrar soluções em parceria com terceiros, apesar da Quadratura a Júpiter, que pode indicar algum conflicto com o fundamentalismo de alguns (por exemplo).
Dito isto, a questão que fica é:
- A situação vai melhorar?
Bem, olhando só para o Mapa, visto que não temos outra fonte de informação, eu não esperaria uma melhoria, pelo menos marcante, nos próximos anos. Por Progressão Primária, tanto Vénus como Saturno vão levar 2 a 3 anos até encontrarem-se com Mercúrio e Sol, respectivamente. Fazendo um Mapa para daqui a 2 anos e meio, de facto, verificamos que é quando Júpiter e Saturno vão encontrar-se no seu próximo grande estágio do ciclo, o que implica um período igualmente complexo, senão mais, visto que Júpiter estará em Conjunção a Úrano, no final de Peixes, e tanto Júpiter como Saturno, ambos, estarão prestes a fazer um Dupla-Quadratura a Plutão (este já bem lançado nos primeiros graus de Capricórnio) à entrada dos Signos Equinociais.
Penso que talvez surja alguma esperança e idealismo nos meses que antecedem este período devido a Júpiter estar em Peixes (Signo de Regência), e Saturno estar Retrógrado nessa altura mas, pouco depois (por altura da Dupla-Quadratura que referi), Saturno passará a estar no seu Signo de Exaltação (Balança), e tanto Júpiter como Úrano estarão “nas mãos” (em Carneiro) de Plutão em Capricórnio (Disposto por Saturno).
Mais informações e previsões financeiras só com a ajuda do Camilo Lourenço. Quanto a mim, fico-me por aqui.
Até à próxima.