Astrologia

Ciência e Educação

A Vida num Oito

Uma das vantagens de um blog é que, à medida que surgem certas situações no dia-a-dia, surge também a oportunidade de falar sobre elas.

Não ligo muito aos Jogos Olímpicos… ok, não ligo nada aos Jogos Olímpicos. Aliás, a minha previsão para as próximas semanas é não conseguir ligar a televisão por muito tempo devido à cobertura exagerada do evento, como é apanágio da televisão portuguesa quando acontece algo do género.

No entanto, não conseguindo fugir ao assunto quando via as notícias ao longo da semana, achei curioso a escolha da data para começo do evento, ou seja, 8 do 8 de dois mil e 8, às 8 e 8 da noite. Podíamos discutir que as “8 da noite” são na verdade “20″, e que “2008″ só acaba num “8″, mas adiante.

Mesmo no lado ocidental do planeta, a data de 8 de Agosto de 2008 tem a sua importância, por exemplo, algumas religiões marcam esta data como a abertura do portão de Orion. Não vou entrar em pormenores porque, sinceramente, não domino o assunto, mas indaguei-me se seria possivel ver na posição astrológica dos astros algo que combinasse com a visão numerológica dos chineses (e não só).

Em Astrologia, é incomum que uma configuração astrológica encaixe com um evento específico, quer ele seja maravilhoso ou trágico. O que acontece, não só devido ao livre-arbítrio de cada indivíduo, mas também por causa das áreas de efeito de cada Aspecto (orbes), é que surge aquilo que eu chamo de “janela de oportunidade” para que certos eventos possam, finalmente, ocorrer com poucos ou nenhuns obstáculos – são estas “janelas” que as pessoas procuram quando consultam um astrólogo para saber qual o melhor momento para oficializar uma relação, comprar uma casa, mudar de emprego, abrir um negócio, inaugurar um projecto, etc. Nenhum astrólogo irá dar um dia específico, mas irá concerteza apresentar uma ou mais “janelas de oportunidade” para o tipo de evento pretendido.

Por exemplo, à escala mundial, a entrada de Urano em Aquário previa, entre outras coisas, grandes avanços tecnológicos, a massificação e banalização dessas mesmas tecnologias, a explosão da Astrologia, a globalização, etc. De facto, Urano entrou em Aquário em meados de 1995, ficou Retrógrado, e reentrou em Aquário definitivamente em Janeiro de 1996. Nestas datas específicas, não aconteceu muito que, na altura, pudéssemos caracterizar como evento astrológico marcante, mas passados mais de dez anos desde essa data. olhamos para trás, e observamos o seguinte:

- Os computadores deixaram de ser um objecto para empresas, ou familias ricas. Desde o estudante pré-adolescente, ao avô reformado, o computador começou nessa altura a ser tão comum dentro de um lar como um televisor ou frigorífico.

- A internet, que tinha um estatuto semelhante ao do computador, passou a ser uma das principais fontes de informação e comunicação a nível mundial, com um aumento de utilizadores explosivo na ordem dos 100% por ano entre 1995 e 1997 – mesmo depois, a média manteve-se por volta dos 100 milhões de novos utilizadores por ano.

- O mesmo aconteceu com os telemóveis, que chegaram ao ponto de ser motivo de referência em séries televisivas do princípio dos anos 90, como “Baverly Hills 90210“, onde os ricos e “todos os outros” eram diferenciados por quem tinha telemóvel (ou arma de arremesso, como chamamos hoje àqueles modelos) e quem não tinha.

- E, claro, o ressurgir da Astrologia, com novas escolas e professores a surgirem um pouco por todo o mundo, quais cogumelos, e a disseminação de software astrológico que colocou a capacidade de fazer Mapas Astrológicos nas mãos de, praticamente, qualquer um.

A “janela” torna-se mais ampla quando consideramos que Neptuno também entrou no Signo de Aquário em 1998, mas o argumento a reter aqui é que dificilmente podemos prever um evento, ou série de eventos, que tenha repercussão global, apontando exclusivamente a um dia específico.

Mesmo assim, resolvi lançar três Mapas Astrológicos, todos para 8 de Agosto de 2008, ás 20:08 da hora local, só alterando o local. O primeiro em Pequim, na China (visto que foram eles que motivaram este texto), o segundo para El Paso, no Texas (simplesmente porque fica no centro dos EUA, e tem uma diferença horária de 7 horas em relação ao meridiano de Greenwich, tal como Pequim, mas no sentido oposto), e Lisboa (porque afinal este blog é português, assim como a maioria dos meus visitantes e, como se costuma dizer, “Portugal é Lisboa, o resto é paisagem”).

Brincadeiras à parte, relembro que o evento astrológico de maior peso a acontecer nos últimos tempos foi a primeira entrada de Plutão em Capricórnio, por isso, é um bom ponto de partida para colocarmos estes Mapas em contexto. Este Plutão, no fim da Retrogradação por Sagitário, já está em Quadratura a Urano em Peixes e, neste período, completa uma Dupla Quadratura (T-Square) com o seu co-regente, Marte, em Virgem. Júpiter, por sua vez, está em Capricórnio e também está a terminar a sua Retrogradação (aliás, termina um dia antes de Plutão, a 9 e 10 de Setembro, respectivamente), e está em Trígono com o seu Dispositor, Saturno – também este em Virgem, tal como Marte acima referido.

Estas são as configurações mais marcantes mas, traduzidas para português, referem-se mais a um período de “arrumar a casa” do que propriamente começar algo de novo. Dito isto, começa a fazer sentido o facto de Neptuno (em Aquário) estar sozinho a opôr-se ao Sol e Mercúrio (ambos em Leão), afinal, há muita fantasia, imaginação, e espectáculo, à volta desta data, e a afectar grandes massas, mas nada de realmente concreto ou “real”, mas também pode significar simplesmente que os efeitos deste período são difíceis de definir e/ou sequer identificar.

Na pior das hipóteses, devido ao número de Aspectos tensos, poderíamos falar do “despertar” de um conflito que já estava adormecido há algum tempo, mas não sejamos alarmistas. Como de costume, só daqui a uns anos é que este período poderá ser visto com clareza.

Até à próxima.

Sábado, 9 Agosto 2008 - Publicado por Carlos | Astrologia, Datas Específicas, Trânsitos | , , , , , , , | 1 Comentário

1 Comentário »

  1. Carlos Garnés.
    Gostei desta sua análise sobre a teoria dos 8 nos Jogos Olimpicos de Pequim, e do seu propósito de ir pesquisar correlações eventuais.
    E faz-me recordar as previsões Astrológicas, de catástrofes ou da eclosão de maravilhosos eventos, que certos “Astrólogos” todos os anos lançam nos média ou em livros de sua autoria. Quem vai ser campeão…O partido que vai ganhar as eleições…sismos…
    Saudações

    RESPOSTA: Por vezes, é uma técnica de tentar ganhar reputação rápida, o que é particularmente comum na nossa sociedade actual. É um tiro no escuro mas, se acertassem, iria lançá-los para a fama rapidamente, como “o astrólogo que conseguiu prever aquele grande evento”, e isso é óptimo para ter filas à porta para uma consulta. O problema é que para algo ser cientificamente credível tem que apresentar resultados repetíveis, e as previsões “de peso”, pela sua natureza e raridade, são dificeis, se não mesmo impossiveis, de repetir.

    Comentário por biocrónicas | Segunda-feira, 8 Setembro 2008


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