Sistemas de Casas
Na semana passada, quando falei do “Geocentrismo vs Heliocentrismo“, evitei falar, propositadamente, do termo “Topocentrismo” porque, quem lê ou ouve pela primeira vez, tende a fazer a associação directa ao “Geocentrismo” e “Heliocentrismo”, pensando que é outro tipo de centralização do Horóscopo.
De uma certa forma, é, no sentido que o ponto central do Horóscopo passa a ser o local de nascimento à superfície da Terra, o que é um pouco diferente do método Geocêntrico onde o centro da Terra é o centro do Horóscopo. No entanto, o Topocentrismo funciona, também, como um Sistema de Casas, por isso, faz mais sentido falar dele agora, fazendo a ponte entre o tema da semana passada e o desta semana.
É possivel escrever livros inteiros sobre cada um dos Sistemas, e eu podia dedicar pelo menos um artigo a cada um deles mas, sintetizando, podemos dizer que existem três tipos populares de divisão das Casas Astrológicas:
- Sistemas Elípticos
Dentro desta categoria, alguns dos Sistemas mais conhecidos são o “Sistema de Casas Iguais”, o “Sistema de Signos Inteiros” (também conhecido por outros nomes como “Sistema Casa-Signo” ou “Sistema Casa-por-Signo” e variantes similares), e o “Porphyry”.
- Sistemas Espaciais
Dentro desta categoria, alguns dos Sistemas mais conhecidos são o “Campanus”, “Morinus”, e “Regiomontanus”.
- Sistemas Temporais
Dentro desta categoria, alguns dos Sistemas mais conhecidos são o “Alcabitus”, “Koch”, e “Placidus”.
De todos os Sistemas referidos acima, aquele que domina sobre todos hoje em dia é o Placidus, e é este que é usado pela grande maioria dos astrólogos a nível mundial, em especial no mundo ocidental.
- Será que o Sistema Placidus é tão popular por ser mesmo o melhor? Se sim, porque é que ainda existe polémica sobre qual o melhor Sistema a usar em Astrologia? E porque subsistem os outros, mesmo os mais antigos e ultrapassados?
Como Jack, o Estripador diria, “vamos por partes”. No que diz respeito ao presente domínio do Sistema Placidus, a resposta mais comum, e que alguns indivíduos acataram como facto determinante, é que o Sistema Placidus, quando surgiu, tornou-se o mais acessível a nível das tabelas que são usadas para determinar a posição dos Planetas. Eu, porém, não fico tão facilmente convencido. É verdade que esse facto pode ter tido peso na explosão de popularidade do Sistema, mas não é coerente com outros dois factos:
- Primeiro, o facto do Sistema de Casas Iguais ser mais antigo (e, logo, o mais popular antes do surgimento do Placidus), mais fácil de usar (basta definir o Ascendente, e todas as Casas seguintes são iguais, com 30º cada) e, nalguns casos, mais correcto (devido à forma como o Sistema Placidus é calculado, quanto maior a latitude do local de nascimento, maior o grau de imprecisão do Mapa, e o Sistema de Casas Iguais nunca sofre disto).
- Segundo, com o surgimento da informática como ferramenta no âmbito da Astrologia, ao longo da segunda metade do século XX, a questão da “facilidade” em aceder aos outros Sistemas praticamente desapareceu e, contudo, o Placidus continua a manter-se como favorito, ao contrário do que aconteceu com o Sistema de Casas Iguais.
Podemos teorizar que os astrólogos actuais (ou, pelo menos, aqueles que se intitulam de “astrólogos”) são mais preguiçosos que os investigadores de alguns séculos atrás mas, mesmo assim, isso não explica como quase todos os grandes nomes da Astrologia moderna não mudaram de Sistema, e os poucos que mudaram não apresentaram grandes estudos, ou pesquisas, para justificar a sua escolha – para além da simples afirmação “na minha experiência pessoal, funciona melhor”.
É curioso referir que, há alguns anos atrás, quando questionei uma das astrólogas mais conceituadas em Portugal, Maria Flávia de Monsaraz, sobre qual o melhor Sistema de Casas na opinião dela, a resposta foi “sempre usei o Placidus, e nunca me enganou”. Ainda insisti ao perguntar se, ao menos, tinha experimentado outros Sistemas, mas a resposta foi que não havia necessidade disso visto que o Placidus funciona tão bem.
De facto, o Placidus tem mérito nos resultados que apresenta, no entano, não é perfeito, nem nunca o foi, e é isso que tem motivado diversos astrólogos a tentarem encontrar outros Sistemas – respondendo assim à questão do porquê de ainda hoje haver polémica sobre qual o melhor Sistema de Casas.
Felizmente, há algumas décadas atrás, um desses estudos mais aprofundados deu frutos. Conduzido por Wendel Polich e Nelson Page, e oficialmente publicado em Dezembro de 1963, o estudo destes dois astrólogos começou por fazerem aquilo que em inglês chama-se de “reversed engineering“, ou seja, em vez de criar um Sistema e depois verificar se ele funciona, inverteram o processo. Listaram vários acontecimentos, e depois procuraram em todos os Sistemas de Casas conhecidos qual é que “encaixava” nos eventos em causa, de forma a saber qual deles era o mais preciso e o “correcto”. Para frustração de ambos, nenhum dos Sistemas conhecidos correspondia às expectativas (o que explica porque é que há tantos astrólogos, ainda hoje, a demonstrarem alguma inconsistência, em especial no que toca ao trabalho preditivo), embora o Placidus fosse, de facto, o mais preciso.
No entanto, devido a este processo, acidentalmente, descobriram aquilo a que resolveram chamar de Sistema Topocêntrico, que não se baseia em nenhum dos três grupos referidos no princípio deste texto, mas sim num cálculo matemático muito mais complexo que leva em consideração a posição dos Planetas como observada do ponto exacto de nascimento (daí a denominação “Topocêntrico”, ou seja, com o local de nascimento, na superfície da Terra, como ponto central do Horóscopo).
- Porque é que esta descoberta é tão relevante? Ou, pelo menos, mais relevante que outras dentro da mesma área?
Porque no Sistema Topocêntrico, apesar das diferenças de cálculo, o Horóscopo é muito parecido com o de Placidus. Isto sugere que tem todas as vantagens que conhecemos do Placidus, mas acrescenta um novo nível de precisão.
Resta a terceira questão, acerca da sobrevivência de tantos Sistemas, mesmo aqueles que há muito foram ultrapassados. A resposta aqui deve-se, essencialmente, a três factores:
- Primeiro, a tradição. Por motivos que não vou explorar aqui neste texto – até porque já está com quase o dobro do tamanho daquilo que costumo escrever – algumas pessoas recusam-se a ver a Astrologia como ciência e, como tal, não acreditam que a Astrologia possa evoluir com o tempo. Preferem antes agarrar-se a conceitos antigos, argumentando que “se funcionava na altura, também funciona agora”. A falta de lógica gritante é tal que penso não ser necessário comentá-la.
- Segundo, a ignorância. Pura e simplesmente, o facto de não ser necessário tirar um curso, ou sequer estudar, para ser astrólogo, originou a invasão de pessoas sem cultura ou inteligência neste meio. Como tal, são pessoas que limitam-se a olhar para a Astrologia como uma mera linguagem de símbolos, mas sem entender a lógica e construção dessa mesma linguagem. Pior ainda, apesar de hoje em dia haverem várias escolas de Astrologia, a maioria nem toca nestes aspectos mais técnicos da Astrologia, e as poucas que o fazem têm um ensino, na melhor das hipóteses, mediocre. Logo, um grande número dos estudantes de Astrologia que começam a dar consultas com base naquilo que lhes foi ensinado, e confiantes na afirmação “tenho um curso”, sofrem da mesma ignorância que os seus respectivos professores.
- Terceiro, a simplificação. Talvez como consequência do segundo factor mencionado acima, ou simplesmente porque vivemos numa época onde tudo tem que ser tipo “comida-rápida”, muitos indivíduos que trabalham como “astrólogos” não têm a capacidade e/ou paciência para explorar, estudar, e investigar em busca de mais e melhores soluções. Em vez disso, optam pela via fácil. Por exemplo, alguns revertem ao Sistema de Casas Iguais porque, apesar de ultrapassado, não permitindo sequer aplicar a regra das Intercepções, é um Sistema de cálculo fácil e que não sofre alterações derivadas do local de nascimento. Este terceiro factor é mais grave do que parece porque a tendência é a cada nova geração de “astrólogos” fazerem simplificações das simplificações já feitas.
Outros astrólogos tomam a via politicamente correcta e afirmam que “todos os Sistemas estão certos, é uma questão de adaptar à situação ou ao gosto pessoal”, mas uma resposta dessas não tem um pingo de credibilidade, e não ajuda em nada aqueles que querem ser profissionais de Astrologia e, consequentemente, prejudica aqueles que consultam um astrólogo.
Tal como o Sistema Placidus tornou-se o mais popular, porque era uma evolução dos anteriores, e demonstrou maior precisão nos testes que lhe foram aplicados, o Sistema Topocêntrico poderá ser a evolução do Placidus. Infelizmente, ainda não é comum ver este Sistema a uso. Em parte porque alguns dos astrólogos actuais têm medo de admitir que todo o seu trabalho até ao presente tem sido “defeituoso”. Para além disso, as empresas responsáveis por incluir o Sistema Topocêntrico no software informático de criação de Mapas, sabem pouco sobre este Sistema e cometem alguns erros de cálculo, o que torna a sua utilização um pouco dificil. O mesmo podemos dizer da literatura disponível sobre Astrologia que precisa de ser seriamente revista e actualizada.
Quem ganha com esta informação são os actuais estudantes de Astrologia, ou seja, aqueles que possivelmente estão a ler esta mensagem com mais interesse, porque têm a oportunidade de começar a sua carreira como uma nova geração de astrólogos, muito mais bem equipada que as anteriores.
Estamos, portanto, a falar de uma questão de tempo. O software informático vai melhorar, e as novas gerações de astrólogos irão sentir a obrigação de serem mais precisas e profissionais na sua abordagem ao trabalho que fazem. Talvez quando Plutão vier revolucionar com o filtro de Aquário mas, como se costuma dizer, “todas as viagens começam com um simples passo”.
Até à próxima.
Geocentrismo vs Heliocentrismo
Para fazer contraste com a entrada mais light da semana passada, esta semana vou abordar um assunto que pode ser classificado de Astrologia “avançada” – tanto, que mesmo alguns profissionais de décadas ficam “às aranhas” com o assunto.
Quando se fala de um Horóscopo, o comum é pensar-se em termos deste ser Geocêntrico (com a Terra como ponto central do Mapa) ou Heliocêntrico (com o Sol como ponto central do Mapa). Do ponto de vista da comunidade científica actual e, portanto, do ponto de vista astronómico, a segunda opção é a única que considera-se minimamente lógica e viável, mas só para quem não percebe que as técnicas astrológicas seguem uma outra metodologia.
O ponto central de um Horoscopo é o seu ponto de origem – ou de nascimento, se preferirem – e, como alguém em tempos disse (lamento, mas não me ocorre o autor) “ainda ninguém nasceu no Sol”. Isto parece levar à conclusão que o método Geocêntrico, afinal, sempre esteve certo, e a visão astronómica de que o Sol é o centro do Sistema Solar não muda nada a nível astrológico (para variar). Contudo, alguns astrólogos usam mesmo o método Heliocêntrico, embora a maioria não o faça em exclusivo, o que confunde mais as coisas.
A razão do método Geocêntrico baseia-se, essencialmente, na experiência adquirida ao longo de milhares de anos, e não é por acaso que é o método mais usado pela maioria dos astrólogos em todo o mundo – quer tenham noção disso, quer não.
Por outro lado, quando aprofundamos as razões do método Heliocêntrico, encontramos algo interessante. De acordo com as teorias dos investigadores deste método, o ponto central do Horóscopo Geocêntrico diz respeito ao indivíduo a nível pessoal, psicológico, e emocional – daí usar a Terra como ponto central, visto que a Terra está associada ao Signo Caranguejo (mãe-Terra, berço da humanidade, etc).
Para entender esta definição, convém saber que, embora ainda não hajam bebés nascidos fora da Terra (numa estação espacial, por exemplo), dizem as actuais teorias que no dia que isso acontecer, a Terra substituirá a Lua, astrologicamente – o que faz sentido, visto que em Astrologia não são considerados nenhums dos satélites dos outros Planetas, já que estes partilham quase sempre do mesmo grau de localização no Zodíaco dos Planetas que orbitam.
Seguindo esta mesma linha de pensamento, o método Heliocêntrico, tendo o Sol como ponto central, passa a estar associado ao Signo Leão, dizendo respeito ao indivíduo a nível de imagem, reputação, presença, ego, e impacto social. É curioso comparar os dois Mapas, e ver o primeiro (Geocêntrico) como uma representação daquilo que somos na intimidade, e o segundo (Heliocêntrico) como uma representação daquilo que somos em público.
De notar que, no método Heliocêntrico, não há Retrogradações, nem Sistema de Casas – ou seja, não afecta-nos a nível do nosso “interior”, nem afecta áreas especificas da nossa vida. Porém, estas duas falhas são também alguns dos motivos pelos quais alguns astrólogos recusam usar o método Heliocêntrico, visto que é, claramente, mais “despido” de detalhe que o Geocêntrico.
Claro que, como sempre, é preciso fazer a pergunta base: funciona ou não? Esta é a grande questão. Pessoalmente, no que diz respeito a este tema, ainda não tenho elementos suficientes para afirmar algo com certeza – aliás, se tivesse, apresentava-os já aqui – mas o que tenho observado parece promissor.
Independentemente disto, há outra pergunta que parece-me pertinente:
- Se colocar a Terra e Sol como pontos centrais do Mapa produz abordagens viáveis de interpretação astrológica, não se pode fazer o mesmo com outros Planetas?
A lógica diz que “sim” mas, aparentemente, ainda ninguém se preocupou em fazer um Horóscopo “Hermecêntrico” (Mercúrio) ou “Cronocêntrico” (Saturno), e a falta de opções para o fazer no software informático disponível hoje em dia limita o número de astrólogos dispostos a testar estas teorias.
De qualquer das formas, o que é preciso ter em mente é que, até à data, o método Geocêntrico é o único que está testado e confirmado como “correcto”. Não há dúvidas que, um dia, se for possível um bebé nascer fora da Terra, então terá que haver um método de recentralização do Horóscopo mas, neste momento, só podemos teorizar sobre o assunto, visto que não há nenhum ser humano nascido nessas condições para comparar as teorias à prática.
Na melhor das hipóteses, poderíamos estudar o “nascimento” de um objecto no espaço, como a inauguração de uma estação espacial propriamente dita mas, mesmo isso, é muito mais limitativo, e temo que os resultados seriam pouco ou nada conclusivos.
Quanto ao método Heliocêntrico, ou hipotéticas centralizações noutros Planetas, é algo que deve ficar em aberto. Existem algumas teorias interessantes, mas falta muito trabalho de pesquisa e testes, ainda, para que alguém possa pronunciar-se com certezas.
Até à próxima.
Música dos Signos I
Recentemente, recebi uma crítica ao meu blog, por parte de uma, geminiana com ascendente sagitário, no sentido deste ser “muito técnico”. Pois, não dá para agradar a Gregos e a Troianos, mas esta semana resolvi escrever algo mais “light“, em nome dos fãs de Astrologia que não estão interessados em aprofundar tanto o tema. Para quem gosta do lado mais técnico do blog, não se preocupem, não vou deixar de escrever sobre temas mais complexos, simplesmente, vou passar a misturar um pouco as coisas, de vez em quando.
Dito isto… já alguma vez ouviram uma música, leram um livro, ou viram um filme que lhes fizesse lembrar de um Signo ou Planeta em particular? Se sim, o que se segue será familiar. Se não, experimentem. O que proponho a seguir é uma lista de sugestões musicais que, de uma forma ou outra, associo a um dos 12 Signos Astrológicos. Vejam se há uma, ou mais, com qual se identificam, pois é bem possível que o Signo correspondente seja proeminente no vosso Mapa Astrológico, ou esteja em ângulo tenso aos vossos Planetas Pessoais.
Se clicarem nos nomes das músicas, serão levados a um videoclip do tema (se o video tiver desaparecido, contactem-me para eu actualizar a lista com uma versão funcional do mesmo video, obrigado). Eis a lista:
CARNEIRO
- “Girlfriend” — Avril Lavigne
- “Song 2″ — Blur
TOURO
- “I Belong to You” — Anastacia & Eros Ramazzotti
- “Summer Wine” — Lee Hazlewood & Nancy Sinatra
GÉMEOS
- “LDN” — Lily Allen
- “Young Folks” — Peter, Bjorn & John
CARANGUEJO
- “I Am, I Said” — Neil Diamond
- “Mama” — Spice Girls
LEÃO
- “Heroes” — David Bowie
- “We Are the Champions” — Queen
VIRGEM
- “Money for Nothing” — Dire Straits
- “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” — U2
BALANÇA
- “Never Tear Us Apart” — INXS
- “High” — Lighthouse Family
ESCORPIÃO
- “Unloved” — Espen Lind
- “Sexy Back” — Justin Timberlake
SAGITÁRIO
- “Je Ferme Les Yeux” — Najoua Belyzel
- “Sin, Sin, Sin” — Robbie Williams
CAPRICÓRNIO
- “Father and Son” — Cat Stevens
- “What a Wonderful World” — Louis Armstrong
AQUÁRIO
- “Imagine” — John Lennon
- “To Be Free” — Mike Oldfield
PEIXES
- “May It Be” — Enya
- “Aquarela” — Touquinho
É claro que a lista proposta acima está filtrada pelo meu conhecimento e gosto musical. Sugiro, para quem percebeu as associações, que façam as vossas próprias listas mas com outras músicas – podem dar óptimos albuns para ouvir no carro.
Até à próxima.
A Vida num Oito
Uma das vantagens de um blog é que, à medida que surgem certas situações no dia-a-dia, surge também a oportunidade de falar sobre elas.
Não ligo muito aos Jogos Olímpicos… ok, não ligo nada aos Jogos Olímpicos. Aliás, a minha previsão para as próximas semanas é não conseguir ligar a televisão por muito tempo devido à cobertura exagerada do evento, como é apanágio da televisão portuguesa quando acontece algo do género.
No entanto, não conseguindo fugir ao assunto quando via as notícias ao longo da semana, achei curioso a escolha da data para começo do evento, ou seja, 8 do 8 de dois mil e 8, às 8 e 8 da noite. Podíamos discutir que as “8 da noite” são na verdade “20″, e que “2008″ só acaba num “8″, mas adiante.
Mesmo no lado ocidental do planeta, a data de 8 de Agosto de 2008 tem a sua importância, por exemplo, algumas religiões marcam esta data como a abertura do portão de Orion. Não vou entrar em pormenores porque, sinceramente, não domino o assunto, mas indaguei-me se seria possivel ver na posição astrológica dos astros algo que combinasse com a visão numerológica dos chineses (e não só).
Em Astrologia, é incomum que uma configuração astrológica encaixe com um evento específico, quer ele seja maravilhoso ou trágico. O que acontece, não só devido ao livre-arbítrio de cada indivíduo, mas também por causa das áreas de efeito de cada Aspecto (orbes), é que surge aquilo que eu chamo de “janela de oportunidade” para que certos eventos possam, finalmente, ocorrer com poucos ou nenhuns obstáculos – são estas “janelas” que as pessoas procuram quando consultam um astrólogo para saber qual o melhor momento para oficializar uma relação, comprar uma casa, mudar de emprego, abrir um negócio, inaugurar um projecto, etc. Nenhum astrólogo irá dar um dia específico, mas irá concerteza apresentar uma ou mais “janelas de oportunidade” para o tipo de evento pretendido.
Por exemplo, à escala mundial, a entrada de Urano em Aquário previa, entre outras coisas, grandes avanços tecnológicos, a massificação e banalização dessas mesmas tecnologias, a explosão da Astrologia, a globalização, etc. De facto, Urano entrou em Aquário em meados de 1995, ficou Retrógrado, e reentrou em Aquário definitivamente em Janeiro de 1996. Nestas datas específicas, não aconteceu muito que, na altura, pudéssemos caracterizar como evento astrológico marcante, mas passados mais de dez anos desde essa data. olhamos para trás, e observamos o seguinte:
- Os computadores deixaram de ser um objecto para empresas, ou familias ricas. Desde o estudante pré-adolescente, ao avô reformado, o computador começou nessa altura a ser tão comum dentro de um lar como um televisor ou frigorífico.
- A internet, que tinha um estatuto semelhante ao do computador, passou a ser uma das principais fontes de informação e comunicação a nível mundial, com um aumento de utilizadores explosivo na ordem dos 100% por ano entre 1995 e 1997 – mesmo depois, a média manteve-se por volta dos 100 milhões de novos utilizadores por ano.
- O mesmo aconteceu com os telemóveis, que chegaram ao ponto de ser motivo de referência em séries televisivas do princípio dos anos 90, como “Baverly Hills 90210“, onde os ricos e “todos os outros” eram diferenciados por quem tinha telemóvel (ou arma de arremesso, como chamamos hoje àqueles modelos) e quem não tinha.
- E, claro, o ressurgir da Astrologia, com novas escolas e professores a surgirem um pouco por todo o mundo, quais cogumelos, e a disseminação de software astrológico que colocou a capacidade de fazer Mapas Astrológicos nas mãos de, praticamente, qualquer um.
A “janela” torna-se mais ampla quando consideramos que Neptuno também entrou no Signo de Aquário em 1998, mas o argumento a reter aqui é que dificilmente podemos prever um evento, ou série de eventos, que tenha repercussão global, apontando exclusivamente a um dia específico.
Mesmo assim, resolvi lançar três Mapas Astrológicos, todos para 8 de Agosto de 2008, ás 20:08 da hora local, só alterando o local. O primeiro em Pequim, na China (visto que foram eles que motivaram este texto), o segundo para El Paso, no Texas (simplesmente porque fica no centro dos EUA, e tem uma diferença horária de 7 horas em relação ao meridiano de Greenwich, tal como Pequim, mas no sentido oposto), e Lisboa (porque afinal este blog é português, assim como a maioria dos meus visitantes e, como se costuma dizer, “Portugal é Lisboa, o resto é paisagem”).
Brincadeiras à parte, relembro que o evento astrológico de maior peso a acontecer nos últimos tempos foi a primeira entrada de Plutão em Capricórnio, por isso, é um bom ponto de partida para colocarmos estes Mapas em contexto. Este Plutão, no fim da Retrogradação por Sagitário, já está em Quadratura a Urano em Peixes e, neste período, completa uma Dupla Quadratura (T-Square) com o seu co-regente, Marte, em Virgem. Júpiter, por sua vez, está em Capricórnio e também está a terminar a sua Retrogradação (aliás, termina um dia antes de Plutão, a 9 e 10 de Setembro, respectivamente), e está em Trígono com o seu Dispositor, Saturno – também este em Virgem, tal como Marte acima referido.
Estas são as configurações mais marcantes mas, traduzidas para português, referem-se mais a um período de “arrumar a casa” do que propriamente começar algo de novo. Dito isto, começa a fazer sentido o facto de Neptuno (em Aquário) estar sozinho a opôr-se ao Sol e Mercúrio (ambos em Leão), afinal, há muita fantasia, imaginação, e espectáculo, à volta desta data, e a afectar grandes massas, mas nada de realmente concreto ou “real”, mas também pode significar simplesmente que os efeitos deste período são difíceis de definir e/ou sequer identificar.
Na pior das hipóteses, devido ao número de Aspectos tensos, poderíamos falar do “despertar” de um conflito que já estava adormecido há algum tempo, mas não sejamos alarmistas. Como de costume, só daqui a uns anos é que este período poderá ser visto com clareza.
Até à próxima.
Tropical vs Sideral
A propósito da mensagem anterior, parece-me apropriado abordar já a questão das diferenças consideráveis entre o Zodíaco Tropical e Zodíaco Sideral.
De uma forma geral, ambos os Zodíacos são iguais, no sentido que ambos dividem o céu em 12 secções, cada uma com 30º de extensão, e com os mesmos nomes, sendo Carneiro o primeiro Signo, e Peixes o último. Até aqui, tudo bem. A principal diferença é na localização do grau 0 de Carneiro, ou seja, onde começa e acaba o Zodíaco.
No Zodíaco Tropical (que é mais utilizado no mundo ocidental, e em especial no hemisfério norte do planeta), os Signos estão associados ao ciclo natural da Terra – com os Signos Cardinais a marcarem o começo dos equinócios e solstícios (Carneiro marca o começo da Primavera, Caranguejo o começo do Verão, Balança o começo do Outono, e Capricórnio o começo do Inverno).
No Zodíaco Sideral (que é mais utilizado no mundo oriental, e seguido com grande interesse no hemisfério sul do planeta), os Signos estão associados à posição astronómica das estrelas.
Dito desta forma, a primeira impressão é que o Sideral será “o correcto”, não só porque está mais de acordo com as definições astronómicas das estrelas, mas também porque é a única alternativa para aqueles que nasceram no hemisfério sul do planeta, onde as estações estão invertidas – o que faz com que o Zodíaco Tropical tenha os seus significados igualmente invertidos.
Quando aprofundamos mais o tema, porém, começamos a ver que o Zodíaco Sideral não é tão astronomicamente correcto como pode dar a entender porque, afinal, também divide o céu em 12 segmentos de extensão igual – e as constelações variam imenso de extensão, como pode ser visto na imagem seguinte:
(Clicar na imagem para aumentar)
Podemos então concluir que nenhum dos Zodíacos astrológicos corresponde ás constelações, como definidas astronomicamente (embora tenham havido tentativas de fazer um sistema astrológico que corresponda “ao milimetro” com as constelações, mas essa é uma questão redundante para este texto, visto que herda os mesmos defeitos e virtudes do sideralismo tradicional).
Outro problema com o Zodíaco Sideral é que não há consenso sobre onde alinhá-lo exactamente. Uma das estrelas de referência mais populares é Spica, mas mesmo este ponto de referência é discutido, variando entre os últimos graus da constelação de Virgem e os primeiros graus de Balança. Só para dar um exemplo da gravidade desta situação, neste preciso momento, há imensos debates entre os sideralistas sobre se Plutão está no fim de Escorpião ou princípio de Sagitário.
Existem imensos livros, revistas, e até páginas na internet, que exploram a fundo os prós e contras dos dois Zodíacos, e que testes foram (ou não) feitos, para determinar a sua validade, por isso, não vou “reinventar a roda”, citando longos textos, ou dissecando os argumentos levantados em várias fontes a nível da sua lógica, credibilidade, e isenção. Ao fim do dia, a pergunta que interessa é “funciona?”
É aqui que o Zodíaco Sideral desfaz-se como um castelo de cartas. É verdade que as pessoas com planetas dispersos no Mapa podem sentir que ambos os Zodíacos correspondem a sí, basta puxar um bocadinho pela imaginação e distorcer algumas definições dos planetas nos signos em causa, mas é quando fazemos o teste com pessoas que têm Mapas pouco dispersos que as diferenças são nítidas.
Só para dar um exemplo, uma pessoa que conheço bem, e encaixa neste perfil, tem no Zodíaco Tropical: Sol e Mercúrio em Peixes, Vénus em Capricórnio, e Marte em Touro (só para referir planetas pessoais, porque também poderia referir que Júpiter e Neptuno – dispositores do Sol e Mercúrio – estão em Peixes e Capricórnio, respectivamente, e que o Ascendente está em Caranguejo). No Zodíaco Sideral, isto é o que acontece, com os mesmos dados de nascimento: Sol e Mercúrio em Aquário, Vénus em Sagitário, e Marte em Carneiro (e, caso interesse, Neptuno também cai para Sagitário, e o Ascendente para Gémeos). A diferença é brutal, e seria claramente visível, se fosse verdade.
O que não significa que alguns “astrólogos” sideralistas não tentem dar a volta à questão, mesmo que tenham que recorrer à desonestidade para isso.
Por exemplo, Kenneth Bowser é considerado como uma das maiores referências da Astrologia Sideral no mundo ocidental moderno, e apresenta o seu currículo como alguém que tem um bacharelato em História, e que tem estudado tanto Astrologia como História há mais de 30 anos, tendo começado como tropicalista mas passando a sideralista ao fim de dois anos, e tendo escrito inúmeros artigos para revistas da especialidade como “The Mountain Astrologer“, entre outras. Este senhor foi um dos astrólogos abordado em 1997, pela revista “Traditional Astrologer“, para falar do Zodíaco Sideral (a sua especialidade, afinal de contas), e eis um excerto do que ele diz no artigo:
Um bom exemplo é Escorpião, o signo que tem mais atenção porque é considerado o mais sexual. Do ponto de vista de um sideralista, Escorpião não é um amante, doce, atraente, o artista complexo e torturado, ou inclinado a esforçar-se pela resolução de um problema; em vez disso, Escorpião impõe soluções e não atura resistência. Não negoceia; é agressivo, insistente, penetrante e intenso, gosta de lutar e é muitas vezes sonoro, rude, vulgar e completamente bruto, não considerando outras influências. Escorpião não é como Balança, contudo 5 em cada 6 Escorpioninos tropicais são Librianos siderais na era actual.
Como os Librianos são genuinamente simpáticos e atraentes, não considerando outras influências, os tropicalistas astutos que reparam no que as características das pessoas na sua experiência realmente são, e que desviam-se da sabedoria antiga, trazem à atenção explicações profundamente esotéricas acerca de como o profundo significado oculto de Escorpião (escolham um) está de facto em sintonia com as suas observações contemporâneas. É assim que Virgem tropical torna-se forte e controlador, Carneiro gentil e sensivel, ou Capricórnio formal e ambicioso, etc. Eles são Leão, Peixes e Sagitário mal rotulados, cujo corrompimento eventualmente produz uma amálgama sem sentido para grande detrimento da Arte.
Sinceramente, gostava de saber onde é que este senhor leu ou ouviu alguém dizer que Carneiro é gentil e sensível, ou Virgem forte e controlador, mas sejamos justos… ele admite no currículo que só foi um “astrólogo” tropicalista por dois anos, portanto, podemos perdoar alguma ignorância. O mesmo já não se pode dizer se a ignorância demonstrada for, na verdade, uma tentativa propositada de enganar as pessoas.
No entanto, como costumo dizer, se algo cria polémica, é porque os dois lados têm razão. A mim parece-me claro que o Zodíaco Tropical é o “correcto” quando se fala da Astrologia no sentido social e humano, pois a sua precisão de análise psicológica é, de longe, superior e há muito comprovada.
Por contraste, o Zodíaco Sideral oarece que ainda está à procura de uma identidade. Já tentou substituir o Zodíaco Tropical, como referi acima, mas falhou (bem, não falhou totalmente porque ainda há quem acredite nele cegamente). O facto das definições astrológicas não coincidirem com as pessoas cujos Mapas Astrológicos Siderais tentam retratar, é suficientemente convincente mas, para mim, o prego final no caixão é o facto de nem sequer conseguirem identificar onde Plutão, ou qualquer outro planeta, transita no presente.
Felizmente, no tempo presente, alguns sideralistas (embora ainda sejam muito poucos) são menos dados a recorrer a estas manobras, e procuram trabalhar com os tropicalistas em busca de algo que os diferencie por mérito. Por exemplo, alguns afirmam que o verdadeiro valor do Zodíaco Sideral não está, de facto, na área de análise psicológica, mas sim na predição de eventos futuros – mas também isto está por provar, não só a nível do seu valor absoluto, como em relação ao Zodíaco Tropical.
Na minha opinião, devemos observar melhor o Zodíaco Sideral e procurar encontrar alguma validade nele – se é que há alguma, claro – mas não será hoje que vamos ter uma resposta definitiva à questão base:
- Qual o valor do Zodíaco Sideral?
Fica a pergunta.
Até à próxima.
