Astrologia

Ciência e Educação

Signos vs Constelações

Inicialmente, a minha ideia era fazer da minha primeira mensagem uma comparação entre as várias formas de Astrologia que são praticadas no mundo moderno, como nasceram, como evoluiram (ou não), e como subsistiram até ao presente. No entanto, e se me permitem a analogia, para construir um edifício é preciso ter um terreno aberto para o fazer e, se algo já lá está, então é preciso removê-lo.

Transpondo esta analogia para a arena da Astrologia percebo que, antes de organizar o que é a Astrologia, é preciso eliminar o que não é Astrologia. Facilita muito mais as coisas se retirarmos do caminho as várias ideias preconcebidas que ainda sobrevivem sobre o assunto, e que em nada correspondem à verdade. Quase todas estas questões foram, nalgum ponto do tempo, abordadas nos livros de Astrologia, e em muito maior detalhe, mas o facto da ignorância persistir é sinal que não há muita gente a lê-los (até aqui, nada que seja surpreendente).

O que tenciono fazer, ao longo das próximas semanas, é um apanhado das afirmações falaciosas mais comuns que são levantadas por aqueles que não dominam o assunto. Não será uma lista completa, mas há sempre espaço e oportunidade para fazer uma continuação no futuro. Nesta mensagem vou só focar-me na confusão que existe entre Signos e Constelações:

- Devido à Precessão dos Equinócios, as constelações já não estão no mesmo sítio que estavam há 2000 anos atrás. Logo, quando um astrólogo diz que o Sol está na constelação de Leão, na grande maioria das vezes, está errado, e isto é facilmente comprovável por quem sabe de Astronomia e observa os céus directamente.

Este é um belo argumento, sem dúvida, não só porque diz várias verdades, como é proferido por imensas pessoas que são conceituadas no meio científico. Há só um problema: a Astrologia não usa constelações.

Ops… mas lá está, quem estuda Astrologia de forma séria sabe disto. O erro persiste porque, de facto, algumas pessoas que afirmam ser “astrólogos” usam o termo “constelação” quando se referem aos Signos.

A isto é que eu chamo um momento Homer Simpson, quando o intelectual que estava tão certo do que dizia, de repente, se apercebe que o ignorante é ele. Mas não batamos mais no ceguinho, e passemos então a coisas sérias.

A Astrologia é baseada na observação do movimento aparente dos planetas a partir de um ponto determinado, e correlação desses movimentos com os eventos da vida humana. Tecnicamente, o que um astrólogo faz é dispôr graficamente a localização dos planetas dentro de um diagrama (apropriadamente chamado Mapa), cujo centro é o ponto de origem daquilo que está a ser observado em relação aos planetas. Uma circunferência tem 360º que, dividida em segmentos de 30º, dá 12 – e cada um destes 12 segmentos é chamado de Signo.

Podíamos chamar aos 12 Signos de “Signo 1″, “Signo 2″, “Signo 3″, ou então “Abraão”, “Baltazar”, “Claudius”, etc. No entanto, a escolha recaiu sobre “Áries”, “Taurus”, “Gemini”, e todos os outros que conhecemos até hoje. O importante a saber é que estas divisões da circunferência são completamente distintas das constelações, partilhando unicamente a mesma denominação – e é fácil verificar como nunca poderiam ter sido consideradas como a mesma coisa.

Em primeiro lugar, os Signos têm todos 30º de extensão. Esta é uma regra imutável e, pelo que se sabe, sempre foi. No entanto, as constelações têm, visivelmente, extensões distintas. Por outras palavras, os Signos e constelações nunca “encaixaram”. Na melhor das hipóteses, “alinharam”.

Em segundo lugar, as constelações e Signos só estiveram alinhados há cerca de 2000 anos atrás, como alguns astrónomos gostam tanto de relembrar, mas a Astrologia já existe há mais de 4000 anos (e alguns historiadores teorizam que talvez há bem mais tempo, dado haverem sinais de observação dos céus bem anterior a isso). Por outras palavras, quando a Astrologia foi “inventada”, os Signos também não estavam alinhados com as constelações, tal como hoje.

- Existe uma 13ª constelação, entre Escorpião e Sagitário, chamada Ofiuco?

O facto dos Signos e constelações serem duas coisas distintas, por consequência, deita por terra este argumento também. Até podiam estar lá 14 ou 15 constelações, porque não têm qualquer influência sobre o trabalho que é feito em Astrologia.

- Porque é que existem astrólogos que usam as constelações, incluindo a de Ofiuco?

Porque, tal como menciono na página “<a href="Apresentação“, não há qualquer controlo, requisito, ou exigência, para alguém se auto-intitular “astrólogo”.

Uma Astrologia séria e cientificamente válida tem que fazer apenas uma coisa: funcionar. Não apenas procurar um encaixe com os padrões científicos de terceiros.

A meu ver, alguns astrólogos estão tão preocupados em ser aceites e admirados pela sociedade em geral, e a comunidade científica em particular, que estão dispostos a pôr a sua dignidade em causa, e criar uma “nova astrologia”, do que ter que estudar e entender séculos, ou mesmo milénios, de informação, sem garantias de sucesso e reconhecimento por isso.

No entanto, já estou a dispersar-me para temas que prefiro abordar em alguns dos meus futuros textos. Para já, penso que o objectivo de desmistificar o conceito da Precessão dos Equinócios, e como isso poderia afectar a prática astrológica, foi alcançado.

A propósito deste tema, sugiro que vejam o filme “Zeitgeist: The Movie” (2007). O filme é de distribuição gratuita e podem vê-lo aqui com legendagem em português:

O filme inteiro dura 2 horas, mas só 27 minutos são sobre Astrologia (de 13:30 a 40:30), por isso, se quiserem apenas ver essa parte, avancem para o minuto 13:30 do filme. O ponto a reter aqui é que a Precessão dos Equinócios já era bem conhecida pelos astrólogos há milhares de anos atrás, e não algo recente que sirva de “prova” anti-astrologia como alguns fundamentalistas ignorantes tentam fazer crer.

Até à próxima.

Sábado, 26 Julho 2008 Publicado por Carlos | Astrologia, Desmistificação | , , , , , | 2 Comentários